"Presidente" Daniel Alves cumpriu missão com Neymar. Agora sofre com a cria

João Henrique Marques

Do UOL, em Barcelona

Neymar chega ao Barcelona. Olha para os novos companheiros, abraça o ídolo Messi e fica sem jeito diante de líderes como Xavi, iniesta e Piqué. O relacionamento é inexistente no clube, exceto com um admirador pessoal: Daniel Alves. O lateral brasileiro foi o encarregado de entrosar o atacante no Barça. Com a eficácia na tarefa e o passar do tempo ganhou o apelido de "presidente" por parte do camisa 11. Agora, a disputa entre eles é a atração de Barcelona x Juventus nas quartas de final da Liga dos Campeões.

O duelo de terça-feira em Turim, na Itália, tem como grande dúvida a presença de Daniel Alves entre os titulares. E isso acontece justamente por Neymar. O brasileiro trilhou caminho de sucesso no Barcelona com a ajuda do lateral e agora tem atenção especial. Melhor marcador, o suíço Lichtsteiner é favorito para a vaga na Juve.

Neymar já encarou Daniel Alves na humilhante derrota do Santos por 4 a 0 para o Barcelona no Mundial de Clubes, em 2011, no Japão. No entanto, o duelo entre eles praticamente inexistiu, com o lateral sendo escalado por Guardiola na segunda linha do meio campo, e Neymar ocupando função central no ataque ao lado de Borges. No Barcelona x Juventus, caso Daniel Alves seja o escolhido, o confronto será no mano a mano.

"Posso deixar Dani jogar outros jogos, e não contra o Barcelona", afirmou Allegri após conhecer o adversário das quartas de final da Liga dos Campeões".

A tendência é de que Daniel Alves atue somente por alguns minutos do segundo tempo. Isso aconteceu na vitória da Juventus por 2 a 0, diante do Porto, na partida de ida das oitavas de final da Liga dos Campeões, em Portugal. O lateral brasileiro entrou aos 25 minutos no lugar de Lichtsteiner e marcou o segundo gol do time.

A cria 

Foi Daniel Alves que se preocupou em cuidar de Neymar em Barcelona desde o início. Logo no primeiro dia de Neymar em casa na nova cidade, em 2013, lá estava o lateral para o almoço. Dicas de comportamento e perfil dos principais jogadores do Barça foram passados.

Neymar pegou carinho por Daniel Alves rapidamente. O apelido dado de "presidente" é tradicional entre os boleiros. São jogadores experientes, rodados em clubes grandes ou seleção brasileira, que ganham a denominação. O atacante Ronaldo, por exemplo, foi chamado assim por Robinho quando chegou ao Real Madrid em 2005.

Daniel Alves se preocupou em defender Neymar em momentos complicados no Barcelona. Quando o atacante começou a ter fama de cai-cai, Dani alertou sobre a quantidade de jogadas violentas que era vítima. Ao se desentender com o treinador Luis Enrique por conta de substituições, o lateral pedia calma a Neymar sem tirar a razão pelo descontentamento.

"Aqui (no Barcelona) todo mundo precisa entender como é o Neymar. Eu entendo, jogador habilidoso e competitivo. A resposta dele sempre é dentro de campo", comentava Daniel Alves.

Mesmo com a distância, o relacionamento entre os jogadores segue intacto. Por mensagens de telefone as conversas são quase sempre diárias. E na seleção brasileira os dois estão sempre juntos nas horas livres.

"Jamais vou esquecer tudo que o Dani (Alves) fez por mim. O que mais me ajudou aqui no Barcelona. Com certeza vai fazer muita falta", disse Neymar ao saber na época da saída do lateral para a Juventus.

 

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