Neymar tem ajuda de psicólogo de Luis Enrique em reta decisiva da temporada

João Henrique Marques

Do UOL, em Barcelona

  • Jorge Zapata/EFE

Minutos antes de virar herói na goleada histórica por 6 a 1 contra o PSG, Neymar acertou um pontapé no zagueiro brasileiro Marquinhos. Para o Barça é uma prova de desequilíbrio. Algo que ficou ainda mais claro, e gerou pressão por parte da mídia catalã pela expulsão por agressão ao adversário na derrota por 2 a 0 para o Málaga no final de semana. O comportamento tem incomodado o jogador, que se aproximou do psicólogo do treinador Luis Enrique por vontade própria.

O UOL Esporte apurou que o relacionamento de Neymar com o psicólogo Joaquin Valdés ganhou força com a iniciativa do brasileiro de procurar ajuda desde a semana passada, quando retornou da seleção brasileira. A função do profissional não é atuar com os jogadores, e sim, com Luis Enrique. No entanto, a decisão de Neymar mostra preocupação com a reta final da temporada europeia. O Barça encara a Juventus, nesta terça-feira, às 15h45 (de Brasília), em Turim, na partida de ida das quartas de final da Liga dos Campeões.

Joaquin Valdés é figura ativa no vestiário do Barcelona. Ganhou cargo na comissão técnica por exigência de Luis Enrique ao assinar o contrato em 2014. Com o treinador trabalhou nas categorias de base do Barça, além de Celta de Vigo e Roma.

O trabalho com Luis Enrique é constante, tanto que o psicólogo está presente em todas as viagens do Barcelona. "Não quero que se preocupem com isso. O psicólogo é para mim, e não para os jogadores", disse Luis Enrique, ao ser apresentado no Barcelona.

Valdés é figura presente em todas as entrevistas coletivas de Luis Enrique antes dos jogos. O treinador, avesso à imprensa, já teve desentendimento até com Lionel Messi para ele passar por uma consulta. A ajuda agora foi compreendida por Neymar.

"Elaboro uma melhor dinâmica do treinador com o elenco. Seja para treinos, jogos, viagens ou concentrações. E os jogadores enxergam o psicólogo como um treinador a mais", destaca Joaquin Valdés em sua página na internet.

No passado, Neymar "fugia" de psicólogos

O trabalho de psicólogo pouco animava Neymar no começo de carreira. As primeiras consultas foram obrigatórias e promovidas pelo Santos em 2010. Na época, a tentativa era de amadurecer o jogador que havia xingado o treinador Dorival Júnior por ser vetado em uma cobrança de pênalti. O atacante, no entanto, decepcionou a diretoria santista por conta das constantes faltas às consultas. "Dou uma pedalada nele (psicólogo)", brincava o jogador.

Para os amigos, Neymar sempre teve dificuldades de lidar com derrotas. Seja em videogame, peladas, e, principalmente, em decisões, o jogador tem comportamento arredio quando se encontra em situação adversa. É comum ouvir relatos de descontrole e brigas.

Com a seleção brasileira, há cerca de dois anos, Neymar deu a principal mostra de nervosismo na Copa América em 2015 ao ser expulso na derrota contra a Colômbia após o apito final - chutou a bola contra Armero e deu uma cabeçada no rosto de Murillo -. A atitude gerou punição de quatro jogos ao atacante.

Já no Barcelona, Neymar enfrentou a primeira expulsão no duelo contra o Málaga. No entanto, a crítica pelo descontrole foi grande. O jornal esportivo catalão, Sport, por exemplo, exibiu capa no dia seguinte à derrota com a foto de Neymar sendo expulso e título: "imperdoável".

Neymar gosta de provocar adversários com a bola nos pés, geralmente com dribles desconcertantes. No entanto, a tática de irritá-lo com pontapés sem a bola e palavras ao pé do ouvido é comum por conta do temperamento explosivo do jogador.

Especialista na arte de irritar, o treinador argentino do Atlético de Madrid, Diego Simeone, sempre promove jogos duros para Neymar. Uma tática de conseguir o cartão amarelo do brasileiro em jogo pela semifinal da Copa do Rei já foi executada neste ano. O brasileiro foi punido com o cartão, e assim, ficou de fora do duelo da volta no Camp Nou - Barça venceu no placar agregado por 3 a 2.

"O Neymar está pendurado contra a Juventus. Sem dúvida que teremos uma nova missão de cartão amarelo. O descontrole dele já é um clássico. O desafio em campo virou psicológico", comentou Toni Padilla, editor do jornal catalão Ara.

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