O domínio dos times espanhóis na Liga dos Campeões corre risco?

Bruno Doro

Do UOL, em São Paulo

Nas últimas três edições da Liga dos Campeões, três campeões espanhóis. O Real Madrid venceu em 2014 e 2016 e o Barcelona, em 2015. Além disso, o Atlético de Madri decidiu o torneio nos dois últimos títulos continentais de seu rival de cidade. Mais do que isso, desde 2010 a semifinal do mais importante torneio de clubes da Europa tem sempre dois times do país.

Não é possível negar o domínio espanhol na Champions League. Assim como é impossível, também, não notar que esse domínio está cada vez mais frágil. E essa afirmação não leva em conta apenas o Barcelona, que já fez um milagre nas oitavas de final e agora precisa de outro nas quartas para passar pela Juventus. Real e Atlético também não são tão fortes quanto no passado.

Real Madrid: sem Bale e com zaga remendada

Usando o time de Zinedine Zidane como ponto de partida, é preciso admitir que o Real é, dos três, o que tem a situação mais confortável. Afinal, em Munique, venceu o Bayern por 2 a 1 e pode perder até por 1 a 0 no Santiago Bernabeu, nesta terça-feira, às 15h45, e ainda assim a se classificar. Mas quem viu o jogo de ida percebeu que as coisas não foram nada fáceis.

O Bayern, do ex-técnico merengue Carlo Ancelotti, dominou o início do jogo, abriu 1 a 0 e só não fez o segundo porque o chileno Arturo Vidal isolou um pênalti duvidoso marcado em jogada com Carvajal. A virada espanhola veio muito em cima do talento de Cristiano Ronaldo, que marcou dois gols de centroavante e ainda levou a falta que causou a expulsão de Javi Martinez – foi justamente a saída do zagueiro que desestabilizou o Bayern e facilitou o segundo gol.

Nesta terça, as coisas devem ser diferentes. Para começar, o polonês Lewandowski deve voltar a jogar. Com uma lesão no ombro, ele foi substituído na Alianz Arena por Thomas Muller, em péssima fase. Com a volta de seu artilheiro, espere um Bayern bem mais afinado em suas ações ofensivas. Para o Real, outro alerta: com as lesões de Varane e Pepe, o Real está jogando com o canterano Nacho Fernandez, um zagueiro de apenas 1,79m.

Além disso, o ataque do Real também vai entrar em campo desfalcado. Bale, a ponta esquerda do tridente BBC, está lesionado e fora da partida. Em seu lugar, Zidane deve usar Isco – que pouco fez na Champions League até aqui. Pelo menos, o Bayern também está com seus problemas. O maior na zaga: Martinez está suspenso e a dupla Hummels e Boateng, machucada. É grande a chance de Ancelotti improvisar o volante Xabi Alonso e o lateral esquerdo David Alaba na função.

Atlético de Madri com medo do Leicester

O Atlético de Madri, como seu rival de cidade, também venceu. Em casa, porém, o time de Diego Simeone fez só 1 a 0 no Leicester. Como o Sevilla descobriu nas oitavas de final, levar um gol de vantagem para a Inglaterra (a partida está marcada para terça-feira, às 15h45) pode ser perigoso: o atual campeão inglês fez 2 a 0 na equipe de Jorge Sampaoli e, pela primeira vez em sua história, chegou às quartas de final de um torneio continental.

É verdade que, na Champions, o desempenho do Atlético de Simeone tem sido quase perfeito. Até agora, só uma derrota, ainda na fase de grupos, 1 a 0 para o Bayern de Munique, quando já estava classificado. Mas quem acompanhou o time no Campeonato Espanhol viu uma equipe instável e sem muita identidade – no início da temporada, por exemplo, a imprensa espanhola falava no Atlético mais ofensivo da Era Simone (ao custo da solidez defensiva que sempre marcou o trabalho do argentino).

Prova disso são as dúvidas do treinador para o duelo. O ponto de interrogação da sua escalação é a função de volante: Simeone está pensando seriamente em usar o uruguaio Gimenez, que perdeu a posição de zagueiro titular após lesões, no meio campo. O jogador de 1,85m entraria não apenas para garantir força na defesa, mas para ajudar os espanhóis nas jogadas aéreas contra o Leicester.

Barça tenta outro milagre

O Barcelona, claro, é o time em situação mais frágil. Após levar 3 a 0 na Itália, recebe a Juventus nesta quarta-feira, às 15h45, precisando de quatro gols. É verdade que já fez isso contra o PSG, mas será possível repetir o milagre contra a defesa da Juventus? Em perspectiva, a diferença entre os dois times não é tão grande. Se Chiellini e Bonucci estão entre os dois melhores zagueiros do mundo, Marquinhos e Thiago Silva também são respeitadíssimos. A grande diferença, claro, é a solidez histórica da defesa da Juve (que o PSG, definitivamente, nunca teve) e a presença de Buffon.

Por outro lado, o fato de já ter conseguido uma grande virada na competição fortalece o Barcelona. E um time com Messi, Suárez e Neymar nunca pode ser ignorado. O problema é que o mesmo pode ser dito do outro lado, com Dybala e Higuain – o histórico negativo do veterano argentino em fases decisivas da Champions, com apenas dois gols, foi ignorado.

Sorte dos espanhóis que os rivais também não estão voando. O Bayern de Munique encara o Real Madrid em sua pior fase na temporada, após alguns tropeços na Bundesliga. O Leicester só agora começa a se recuperar de um início desastroso de temporada. Até mesmo no último confronto das quartas de final, entre Monaco e Borussia Dortmund (quarta às 15h45), tem isso.

Os franceses eliminaram o Manchester City e já tiveram o melhor ataque da Europa, mas a briga pelo título francês tem aumentado de temperatura nas últimas rodadas. E o Borussia, além de não viver a melhor das temporadas, ainda está tentando entender qual será a repercussão do atentado ao time na semana passada. Por isso, respondendo à pergunta do título, o domínio espanhol nunca esteve tão frágil. Mas os outros europeus ainda não parecem se mostrar prontos para aproveitar essa chance.

UOL Cursos Online

Todos os cursos