Paz abalada e distância. Como Neymar x Cavani ainda afeta clima no PSG

João Henrique Marques

Do UOL, em Paris

  • AFP

    Edinson Cavani e Neymar durante partida do PSG contra o Lyon

    Edinson Cavani e Neymar durante partida do PSG contra o Lyon

O clima no PSG ainda é tenso. O relacionamento entre Neymar e Cavani está abalado por conta do duelo criado pela cobrança de pênaltis. Durante os poucos minutos de treino, abertos à imprensa na tarde de terça, o contato entre os dois foi praticamente nulo. Nesta quarta-feira, às 15h45 (de Brasília) diante do Bayern de Munique, no Parque dos Príncipes, a dupla volta a jogar em busca de provar que o rendimento dentro de campo não está afetado. 

O UOL Esporte traz o panorama no clube após os dias turbulentos vividos desde a vitória por 2 a 0 contra o Lyon, dia 17 de setembro, pelo Campeonato Francês. As cenas de Daniel Alves impedindo Cavani de pegar a bola para cobrar uma falta e, pouco depois, o uruguaio recusando o pedido de Neymar para cobrar um pênalti, foram encaradas como estopim no clube.

A posição de Neymar

Neymar segue irredutível. O camisa 10 quer cobrar pênaltis no PSG e não aceita ver Cavani assumindo a função quando bem entender. Por conta disso, pouco adianta a tentativa de aproximação entre os jogadores, feita por líderes do elenco. O relacionamento entre os jogadores é ruim, segundo pessoas próximas do atacante brasileiro.

Como agiram os brasileiros

Daniel Alves armou um jantar de confraternização em restaurante em Paris para unir o elenco. Como capitães do time, Thiago Silva e Thiago Mota trabalharam em busca de paz com pedido de paciência e calma a Neymar. Já Marquinhos comentou ver o camisa 10 afetado psicologicamente após sucessivos problemas com Cavani. Nos bastidores, os brasileiros apoiam Neymar na busca pela cobrança de pênalti, com o argumento do líder técnico do time ser o responsável pela função.

A reação do elenco

Segundo apurou o UOL Esporte, Neymar teve o apoio da maioria do elenco do PSG. Respaldado pelos brasileiros, o camisa 10 ganhou força com as fortes amizades criadas com líderes técnicos do PSG como o italiano Marco Verrati e a jovem sensação francesa Kylian Mbappé.

Por outro lado, Cavani foi visto com poucos defensores no caso.

Um caso curioso: no domingo, ocorreu a festa organizada pelo aniversariante Thiago Silva no Parque dos Príncipes, o estádio do PSG. Grande parte do elenco compareceu em uma festa animada por um grupo de samba brasileiro. Até o técnico Unai Emery marcou presença. Já o uruguaio foi um dos poucos jogadores que preferiu se ausentar.

O problema para Neymar

A imagem de Neymar na França foi prejudicada. Uma pesquisa feita pelo jornal esportivo L'Équipe na semana passada apontou 77% dos torcedores do PSG na expectativa que Cavani siga como o cobrador de pênaltis.

Já o Le Parisien fez reportagem intitulada "A face escondida de Neymar". No texto, críticas pesadas foram feitas ao brasileiro. "O público francês descobriu quando e como encontrar a face escondida no rosto infantil de Neymar. Aquela na qual o sorriso desaparece para dar lugar a uma certa raiva, que em alguns momentos pode se expressar de forma desajeitada, como o capricho realizado em público na noite de domingo", relatou.

O culpado

Nem Neymar, nem Cavani. Os brasileiros do PSG acreditam que houve falha no comando do treinador espanhol Unai Emery no episódio. Foram quatro pênaltis que Cavani negou o pedido de cobrança de Neymar antes do técnico tomar o controle do caso. Antes disso, o discurso era de que os jogadores se entenderiam dentro de campo.

A definição

Após cobranças veladas, Unai Emery mudou a postura e usou discurso forte no vestiário. Vai aplicar um rodízio de pênaltis de jogo após jogo na tentativa de ver o tempo apaziguar a situação. Contra o Bayern de Munique, sem revelar o cobrador, o treinador avisou que a decisão já foi passada aos jogadores.

"Eu já falei com os jogadores (Neymar e Cavani). Eles já sabem como vão funcionar as coisas em campo e também nos pênaltis", destacou o treinador na véspera do jogo.

O que reparar em PSG x Bayern?

Claro, uma cobrança de pênalti para o PSG será importante para entender o rumo da situação. Mas acima de tudo, Neymar e Cavani precisam provar que o clima ruim não afetará o rendimento dentro de campo. Troca de passes constantes entre eles é a expectativa de um vestiário que trabalhou para apaziguar a situação.

Na estreia de Neymar pelo PSG, a vitória de 3 a 0 contra o Guingamp, Neymar passou a bola 10 vezes para Cavani. No jogo seguinte – vitória por 5 a 2 contra o Toulouse -, houve o primeiro caso do pênalti negado pelo uruguaio. A partir dele, são cinco jogos somados pela dupla, com o brasileiro tocando a bola para o companheiro apenas 11 vezes. 

No outro sentido, a mesma situação. No primeiro jogo juntos, Cavani passou a bola seis vezes para Neymar, mais do que nos outros cinco jogos somados da parceria, quando ele tocou para o brasileiro apenas cinco vezes.

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