"Sombra" de Neymar torna virada contra Real Madrid vital para Unai Emery

João Henrique Marques

Do UOL, em Paris

  • Franck Fife/AFP

Neymar não entra em campo pelo Paris Saint-Germain contra o Real Madrid. No entanto, mesmo de longe é sua figura que pressiona o treinador Unai Emery a reverter o 3 a 1 do jogo de ida das oitavas de final da Liga dos Campeões. Em caso de eliminação, o desgastado treinador terá os dias contados no comando do time.

Segundo apurou o UOL Esporte, atrito público com o camisa 10 por ser contra a cirurgia no pé direito deixou Unai ainda mais enfraquecido no clube. Só a virada histórica diante do Real Madrid, sem o principal jogador, é capaz de minimizar o cenário complicado. A partida será realizada nesta terça-feira, às 16h45 (de Brasília), no Parque dos Principes, em Paris.

Nos bastidores, Neymar evita atrito com Unai Emery. Mas foi seu pai que comentou ser "um absurdo pensar que Neymar vai jogar com um a fissura no pé" no dia em que o treinador negou a informação de cirurgia e disse esperar pela presença do camisa 10 contra o Real Madrid. O embate foi só um novo item de um relacionamento complicado.

Para os dirigentes do PSG, está cada vez mais claro que a saída de Unai Emery é um ânimo para a próxima temporada de Neymar no clube.

Como Unai Emery irritou os brasileiros

Unai Emery feriu a ala brasileira no PSG ao deixar de fora o capitão Thiago Silva e o volante Thiago Mota no jogo de ida contra o Real Madrid. Neymar, evitou criticar a escalação, mas deixou claro aos amigos estar saturado com o treinador.

Nos problemas com Unai Emery, a exigência por concentração antes de qualquer partida irrita – algumas do Campeonato Francês são consideradas exageros para Neymar, acostumado com a liberdade dada pelo Barcelona antes de vários jogos.

A condução de Unai Emery pelo polêmico episódio do pênalti envolvendo Cavani também desagradou. A visão era de que uma intervenção do treinador era necessária assim que ficou claro o desejo do camisa 10 em ser o cobrador oficial. A ordem para Neymar cobrar os pênaltis só aconteceu depois do desentendimento público entre os jogadores e até uma briga nos vestiários.

Os problemas com Unai Emery ainda se agravaram com a saída do amigo Lucas Moura. Neymar, por muito tempo, guardou para si a irritação pela falta de oportunidades do meia.

"Foi injusto o que aconteceu com Lucas Moura aqui. Tem muita qualidade e deveria ser mais aproveitado", disse o atacante logo depois da negociação do amigo com o Tottenham. "Só que não sou o dono do time, não sou o dono do PSG", finalizou deixando claro não ter ação nos bastidores.

Fim da linha para Unai Emery?

O treinador foi mantido no cargo no PSG após o histórico 6 a 1 de virada do Barcelona nas oitavas de final da Liga dos Campeões na temporada passada. A decisão foi encarada como surpreendente em Paris, mas fez ele conviver com a pressão por resultados expressivos durante toda a temporada.

Com respeito pelo conhecimento tático por parte dos brasileiros, Unai ganhou moral a medida que resultados expressivos foram conquistados com um excelente nível de futebol. O time passou em primeiro no grupo da Liga dos Campeões, está na final da Supercopa da França – decisão contra o Monaco, na semifinal da Copa da França, e perto do titulo no Campeonato Francês – 14 pontos de vantagem para o vice-líder Monaco, restando 10 jogos para o fim da competição -.

Para os brasileiros do PSG é a condução de Unai Emery dos problemas de bastidores que minou o trabalho. A visão do grupo composto por Marquinhos, Neymar, Daniel Alves, Thiago Silva e Thiago Mota é de que o treinador não terá o contrato renovado com o clube mesmo em caso de sucesso na Liga dos Campeões.

"Sempre quando chegamos em decisões como essa (contra o Real Madrid) buscamos união entre todos. Não é nada diferente de outra equipe. Não há tanta pressão quanto dizem, só união" comentou Unai Emery em entrevista coletiva na véspera do jogo.

"Que o Unai (Emery) siga trabalhando tranquilo. Já avisamos a ele que vai seguir conosco até o final da temporada", disse o diretor de futebol do PSG, Antero Henrique, em entrevista ao jornal francês L'Equipe. Um recado difícil de acreditar. 

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