Por afirmação na Europa, City busca milagre contra o "cascudo" Liverpool

Caio Carrieri

Colaboração para o UOL, em Manchester (ING)

  • Xinhua/Imago/ZUMAPRESS

Manchester City e Liverpool se reencontram nesta terça-feira, no Estádio Etihad, às 15h45 (horário de Brasília), no jogo mais importante da temporada para os clubes até agora. Com a taça da Premier League ainda muito bem encaminhada, apesar da derrota no Dérbi de Manchester no sábado, o City quer fazer jus ao alto investimento e marcar território na Europa, algo que o adversário sabe fazer melhor do que ninguém na Inglaterra.

Enquanto os Reds ostentam o posto de clube do país com mais títulos da Liga dos Campeões (5), os Citizens buscam uma noite histórica para alcançar, apenas pela segunda vez, uma vaga na semifinal do torneio europeu, estágio mais longe que conseguiu chegar na curta trajetória que tem na competição – em 63 anos de certame, soma apenas sete participações, sendo todas elas nas edições mais recentes, já amparado pelos petrodólares do Sheik Mansour, dos Emirados Árabes, proprietário da agremiação desde 2008.

Comandado por Josep Guardiola, técnico duas vezes campeão da Liga dos Campeões com o Barcelona (2009 e 2011), o City busca um milagre após ter sido goleado por 3 a 0 na partida de ida, em Anfield.

"Nós precisamos de títulos europeus, claro, mas temos de criar algo. Mais cedo ou mais tarde isso vai acontecer. Talvez não agora, só que temos de reconhecer que é fantástico o que o clube tem feito nos últimos 10 anos, o investimento, a estrutura, o trabalho de todos", declarou Pep na véspera do confronto.

Por conta da ampla vantagem dos visitantes, não ser vazado está no topo do plano do treinador catalão para conseguir reverter o confronto. A missão, no entanto, será árdua. O Liverpool não só é o melhor ataque da Liga dos Campeões, com arrasadores 31 gols em nove apresentações (3,4 bolas na rede por partida), como o City sofre para impedir os adversários de comemorar pelo menos uma vez por jogo.

Desde outubro do ano passado que Ederson ou Claudio Bravo não é superado em duas apresentações consecutivas no Etihad – a última vez aconteceu no triunfo por 3 a 0 sobre o Burnley, na Premier League, com o brasileiro sob a meta, e no empate diante do Wolverhampton na quarta fase da Copa da Liga, com o chileno debaixo das traves e como herói na disputa de pênaltis.

"O principal objetivo é a classificação. Se levarmos um gol, o time não pode desistir, temos 90 minutos. E mostramos diversas vezes que podemos criar muitas chances seguidas. O ponto, neste caso, é ter precisão na frente do gol", ressaltou Guardiola, que viu seu time abrir 2 a 0 no clássico com o Manchester United, no sábado, mas levou a virada diante da torcida, no segundo tempo, após diversas oportunidades desperdiçadas.

Vice-campeão do torneio com o Borussia Dortmund, em 2013, Jürgen Klopp desconversa sobre a bagagem do Liverpool na competição mais importante de clubes do mundo, mas admite que os Reds vivem uma aura especial em noites como a desta terça.

"Não tenho certeza que a experiência do seu avô te ajudou muito na sua vida, porque você tem de criar a sua própria história", brincou, sobre o elenco atual também ter de provar a sua qualidade, a despeito de todo sucesso dos donos de Anfield no torneio. "Mas não dá para negar que o ambiente no clube é especial nesse momento. Consigo sentir isso. As noites de futebol europeu para o Liverpool são especiais", acrescentou.

O último título foi conquistado em 2005, sob a regência do capitão Steven Gerrard. Três anos depois, a queda na semifinal marcou a fase mais distante alcançada desde o caneco.

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Artilheiros baleados

Nenhum dos técnicos deixou escapar qualquer indício de escalação. A principal dúvida no City é a condição física de Sérgio Agüero, ídolo máximo e artilheiro da equipe na temporada, com 30 gols em 38 jogos. O argentino entrou no segundo tempo do revés no Dérbi de Manchester, no último fim de semana, depois de ser desfalque em quatro partidas devido a um problema no joelho esquerdo. No embate de ida, Gabriel Jesus comandou o ataque, mas teve atuação muito apagada.

Do lado vermelho, a expectativa também gira em torno do estado clínico do goleador do elenco. Mohamed Salah, 38 gols em 43 atuações, foi substituído no jogo de ida por um problema muscular. Baixa no clássico de Liverpool, que terminou 0 a 0 no Goodison Park, casa do Everton, no sábado passado, ele pode retornar para a decisão. O capitão Jordan Henderson cumpre suspensão por excesso de cartões amarelos, e o holandês Wijnaldum é o favorito para ficar com a vaga.

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