Azarões? Liverpool e Roma ignoram rótulo em semi de reencontro para Salah

Caio Carrieri

Colaboração para o UOL, em Liverpool (ING)

  • Andrew Yates/Reuters/Filippo Monteforte/AFP

Entre os quatro semifinalistas da Liga dos Campeões, há protagonistas de seis decisões do torneio na última década. Nenhum deles foi Liverpool ou Roma, que começam a definir, nesta terça-feira, em Anfield, às 15h45 de Brasília, quem enfrentará o vencedor do duelo entre Real Madrid e Bayern de Munique, cujos quatro títulos somados nos últimos dez anos – três dos espanhóis, atuais campeões – reforçam o rótulo de favoritos pelo histórico recente.

Embora os Reds e o clube Giallorossi não ostentem conquistas frescas, a campanha de ambos na atual edição da competição os fortalece para mais um momento decisivo. Dono do melhor ataque com os endiabrados Mohamed Salah, Sadio Mané e Roberto Firmino, responsáveis por 23 dos 33 gols do time, o Liverpool chega para o embate desta terça após atropelar o Manchester City, campeão inglês e um dos times mais elogiados na temporada pela qualidade de jogo sob a batuta de Josep Guardiola. O catalão, no entanto, viu seu time ser derrotado nos dois confrontos das quartas – o placar agregado apontou 5 a 1 para a equipe comandada por Jürgen Klopp.

A Roma, por sua vez, classificou-se em primeiro em um grupo com Chelsea e Atlético de Madrid e viveu noite histórica nas quartas de final, na capital italiana. Conseguiu reverter a vantagem do Barcelona no jogo de ida, por 4 a 1. O surpreendente 3 a 0 no Estádio Olímpico, em uma partida épica, recolocou os romanos na semifinal pela primeira vez após 34 anos.

"Entendo que as pessoas tenham imaginado que a semifinal seria Barcelona e Manchester City, mas não é. O futebol é assim. A Roma fez isso possível e nós também. Os dois clubes merecem estar onde estão", enfatizou Jürgen Klopp, vice com Borussia Dortmund para o Bayern de Munique, em 2013.

"Quando deixei o gramado contra City, vieram me dizer que a Roma tinha vencido por 3 a 0. E eu pensei 'Não é possível. Contra o Barcelona?' Mas é por isso que amo futebol. Tudo pode acontecer", vibrou o alemão. "Os dois têm chances de ir para a final, e isso é tudo o que eu preciso saber. Se alguém pensa que isso é um jogo de azarões, e daí? Somos nós que estamos na semifinal, e a única coisa que penso é a chance que temos de jogar a decisão", finalizou o treinador, cuja missão é classificar os Reds à grande final, estágio que o clube não alcança desde 2007.

ANDREAS SOLARO / AFP
Semana especial para o Rei egípcio

A reedição da final de 1984, vencida pelos ingleses em Roma, marca o reencontro de Mohamed Salah com o ex-clube. Depois do insucesso no Chelsea entre 2014 e 2015, o egípcio resgatou a confiança na Cidade Eterna antes de desembarcar na Inglaterra na metade do ano passado. Com 41 gols em 46 partidas, Salah ganhou o apelido de Rei em Liverpool e foi eleito no último domingo o melhor jogador do país.

Depois de parar Messi, a Roma ensaiou o discurso e evitou qualquer demonstração pública de ter um planejamento específico para brecar a estrela do momento em Liverpool.

"Não podemos nos concentrar apenas no Salah, porque eles têm outros jogadores muito velozes, por isso temos de ficar atentos ao ritmo que eles conseguem impor", salientou Kolarov, ex-City e capitão dos visitantes.

Eusebio di Francesco, que chegou à Roma na sequência da saída de Salah, alerta para outro ponto forte do adversário. "Eles são o time da Liga dos Campeões com os passes mais verticais assim que recuperam a bola. Temos de ter isso em mente para jogar".

Diante do ataque mais letal do torneio europeu estará Alisson, titular absoluto de Tite e que terá a árdua tarefa de suportar não só a o poder ofensivo do rival, mas também o ambiente de enorme pressão criado pelos torcedores do clube inglês mais vencedor do torneio, com cinco taças – a última em 2005.

"É claro que ele está preparado, assim como os nossos outros 22 jogadores", garantiu Di Francesco.

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