UOL Esporte Mundial Sub 20
 
29/09/2009 - 07h08

Pescadores e sapateiros do Taiti viram 'saco de pancadas' do Mundial

Apesar dos 20 anos ou menos, alguns atletas brasileiros ganham salários exorbitantes e já recebem tratamento de popstars. O mesmo pode ser dito de boa parte dos jogadores europeus do Mundial sub-20. Mas para a seleção do Taiti, "saco de pancadas" da competição, essa realidade é tratada como um sonho inatingível.

CONHEÇA MAIS SOBRE O TAITI
População: 178.133
Área: 1.045 km2
Línguas: francês e taitiano
IDH: 0,775 (84º)
Subsistência: pesca e turismo
Mohamed Messara/EFE
O taitiano Ariihau Teriitau (à direita) na derrota contra a Venezuela
Kirstin Scholtz/EFE
O surfista Bruno Santos compete na praia de Teahupoo, no Taiti
A maioria do elenco vê o campeonato no Egito apenas como um passatempo que terminará em breve. Após sofrer 16 gols em dois jogos e não marcar nenhum, os representantes da Polinésia Francesa voltarão ao arquipélago à procura de um trabalho ou então à velha rotina como pescadores ou sapateiros.

Segundo a assessoria do Taiti, cerca de 5% dos 180 mil habitantes da ilha do Pacífico Sul pratica o futebol. Deste número, apenas 400 têm idade suficiente para integrar a equipe nacional. Com isso, a solução foi promover uma seletiva entre todos os jovens para chegar a um esboço do que poderia se tornar a seleção sub-20 do país.

"Não existe nenhuma liga e nem nada disso no Taiti. Só garotos que gostam de jogar futebol. No máximo, cerca de 40 meninos tinha condição de defender a seleção. Foi assim que tivemos que escolher", revelou um dos líderes da delegação, Olivier Huc.

Apesar de o time ter sido montado às pressas para o torneio classificatório da Oceania, o fator casa falou mais alto na disputa. O Taiti sediou o evento em 2008 e levou a melhor no quadrangular que também contava com Nova Caledônia, Fiji e Nova Zelândia.

O confronto que decidiu a classificação veio diante do último país, que era favorito à vaga. "Foi um jogo vencido com o coração. Um 2 a 1 suado, que talvez nem tenha sido merecido pelo o que aconteceu em campo", admitiu Huc.

Mas a empolgação pela conquista não levou o Taiti muito longe no Mundial sub-20. Na estreia, a equipe foi atropelada pela Espanha com uma goleada por 8 a 0. Em seguida, os representantes da Polinésia Francesa foram superados pela Venezuela pelo mesmo placar e deram adeus às chances de classificação.

"Além de vir passear, nossos jogadores puderam aprender como é o futebol profissional. Só fico triste porque sei que poderíamos ter ido melhor. Não é assim que atuamos e tudo deu errado", lamentou o francês Lionel Charbonnier, comandante da seleção.

Entre os jogadores citados pelo treinador está Lorenzo Tehau. O meio-campista de 20 anos acabou de terminar o ensino médio e admitiu que ainda não sabe o que fará quando retornar para sua ilha no Pacífico. Mas no fim admitiu que o momento é de festa pela oportunidade de atuar no primeiro Mundial Fifa da história de seu país.

"Só de estar aqui já é um sonho. É claro que meu desejo seria continuar jogando futebol, mas não sei se isso vai acontecer", afirmou o atleta, deslumbrado com a entrevista.

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