UOL Esporte Mundial Sub 20
 
15/10/2009 - 07h00

Finalistas do Mundial, Brasil e Gana sonham com mecanismos 'antigato'

Brasil e Gana chegam à decisão do Mundial sub-20 nesta sexta, às 15h, com campanhas convincentes e estilos ofensivos. Mas existe outro fator que une os finalistas do campeonato: os dois países registraram inúmeros casos e suspeitas de "gatos" nas categorias de base.

  • Amr Nabil/AP

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  • Marko Djurica/Reuters

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Nesta edição do Mundial sobram suposições em torno da seleção de Gana, mas sem qualquer tipo de confirmação de jogador com data de nascimento adulterada. Nos bastidores, a equipe recebeu até mesmo o apelido de "sub-30" devido à aparência de alguns atletas.

A delegação africana rebate todas as críticas e assegura não contar com nenhum jogador fora da idade. "Isso não existe mais por lá. Até alguns anos atrás, ainda tinha bastante, mas hoje em dia não tem mais espaço para isso no nosso país", ressaltou o meia André Ayew.

Preocupada com o número de "gatos", a Associação de Futebol de Gana criou até mesmo uma comissão especializada em fiscalizar os atletas. Ela trabalha ao lado da Academia de Futebol do país, de onde sai grande parte das revelações do esporte na nação.

"Cerca de 70% da seleção sub-20 de Gana iniciou os treinos na Academia há alguns anos. Lá, eles são fiscalizados em relação à idade e só continuam com os treinamentos se todos os documentos estiverem de acordo", explicou o jornalista de Gana Andy Quao.

O problema é que muitas famílias de Gana vivem afastadas dos centros urbanos e não registram o nascimento das crianças tão cedo. Chegam a esperar até mesmo alguns anos antes de visitar uma das cidades e obter a certidão. Logo, a idade fica alterada no documento.

Mesmo sem levantar suspeitas nesse Mundial, o Brasil também conta com um histórico semelhante de "gatos". Só nos últimos anos, atletas como Carlos Alberto, Rodrigo Gral e Emerson foram protagonistas de escândalos de adulteração. Todos eles tiveram passagem pelas seleções de base.

"Na minha época existia muito isso daí. Era algo livre e muitas pessoas mudavam a idade mesmo. O problema é que de lá para cá não vi nada ser criado para coibir isso. Não existe nenhum tipo de política para acabar com os "gatos", até porque é algo bem complicado de ser feito", declarou o técnico da seleção sub-20, Rogério Lourenço.

A Fifa, por sua vez, também tenta coibir o problema. Em 2007, a entidade passou a cobrar exames ósseos obrigatórios em algumas equipes do Mundial sub-17 para comprovar a idade dos atletas. A aplicação dos testes será repetida na edição do torneio deste ano, na Nigéria. Contudo, os exames não são 100% confiáveis e deixam margem para erros.

"É possível realizar esse teste com um raio-x ou ressonância magnética, como a Fifa fez no último Mundial. Só que esse exame pode errar a idade em meses ou até anos. Então não é um mecanismo tão seguro assim", explicou o médico da seleção, Márcio Tannure.

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