Contratações levam executivos de Palmeiras e Corinthians ao centro do dérbi

Dassler Marques, Diego Salgado e Ricardo Perrone

Do UOL, em São Paulo

  • Cesar Greco/Agência Palmeiras

    Alexandre Mattos, em segunda temporada no Palmeiras, já contratou 33 jogadores

    Alexandre Mattos, em segunda temporada no Palmeiras, já contratou 33 jogadores

Palmeiras e Corinthians se enfrentam no domingo, no Pacaembu, em momentos distintos.

Sobre os alviverdes, pesa a pressão pelo excesso de contratações, trocas de treinadores e falta de resultados. O momento dos corintianos é de maior tranquilidade pela forma como foi conduzida a reformulação do elenco mesmo com tantas perdas importantes em relação de 2015. Uma boa parte desse contexto tem a ver com os executivos dos dois clubes, Alexandre Mattos e Edu Gaspar. 

Em geral, o que é visto como virtude em Mattos no Palmeiras, é crítica para Edu no Corinthians, e também da forma oposta. O gerente corintiano recebe elogios no Parque São Jorge por pontos sobre os quais normalmente o diretor de futebol palmeirense é acusado de ser falho. Confira abaixo:

33 reforços x 17 reforços

Desde a chegada ao Palmeiras, foram 33 jogadores contratados por Alexandre Mattos. No mesmo período, o Corinthians de Edu Gaspar fez 17 aquisições, muitas delas modestas. O perfil do palmeirense, em diversos momentos, fez com que ele se tornasse celebridade entre torcedores pela facilidade de contratar sem fazer alarde e, muitas vezes, antes dos concorrentes para facilitar a pré-temporada. Mas, a dificuldade de conseguir resultados à altura dos investimentos, virou o jogo e tornou Mattos um dos maiores alvos dos críticos. 

Mais quantidade que qualidade

Entre as reclamações está a dificuldade, por exemplo, de conseguir contratar um parceiro à altura de Victor Hugo na defesa palmeirense. Roger Carvalho e Edu Dracena, as apostas para 2016, não corresponderam até aqui. A ausência de um armador do nível dos maiores ídolos da história alviverde, e que sobrecarrega Robinho, também é ponto das críticas por parte de conselheiros e torcedores. Em 2016, Mattos apostou em Régis, que pouco tem atuado, e Moisés, que sofreu lesão grave. No ano passado, foram Cleiton Xavier, com problemas físicos importantes, e Fellype Gabriel, que tem um jogo no clube. 

Falta a agilidade do rival

Daniel Augusto Jr/Agência Corinthians
Edu Gaspar, ao lado do coordenador Alessandro e do presidente Roberto de Andrade

Internamente, Edu Gaspar sofre críticas no Corinthians por demorar em certas abordagens no mercado e ter perdido várias disputas nos últimos dois anos, como Dudu, Jonathas, Teo Gutiérrez, Cazares e, mais recentemente, Clayton. Em parte, isso também se deve à menor autonomia em relação ao rival Mattos, por exemplo. O departamento de futebol sempre depende das decisões do presidente Roberto de Andrade, que também, na prática, trabalha como diretor de futebol. Além disso, sofre com interferências constantes do ex-presidente e ex-superintendente Andrés Sanchez. 

O trânsito no vestiário

Ser ex-jogador dá vantagem a Edu Gaspar. Em geral, o gerente de futebol é respeitado no elenco corintiano e contorna problemas internos com mais habilidade e diplomacia, como direitos de imagem atrasados por quase todo o ano de 2015. O conhecimento na área técnica também faz com que Edu, de fato, atue acima de Tite na hierarquia interna e limite os poderes do treinador. As críticas que Alexandre Mattos sofre no Palmeiras indicam um diretor com perfil exatamente contrário, de pouca entrada no elenco e dificuldade para fazer cobranças, além de ter mais trabalho para avaliar o trabalho dos técnicos.

Nobre não só dá mais poderes, como protege

O presidente palmeirense adota posicionamento público de reverência e respeito ao seu diretor mais badalado. Em meio às críticas após a queda de Marcelo Oliveira, Nobre reforçou o status de Mattos, que não tem exatamente carta branca, mas pode tomar certas decisões. Sobre Edu, pesam reclamações no Corinthians por maior envolvimento político e pelo relacionamento de longa data com Andrés, desde que jogava pelas divisões de base corintianas. Foi por uma aposta surpreendente do ex-presidente que ele se tornou gerente de futebol logo após pendurar chuteiras.

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