Por que o SP vem levando gol em todo jogo? Ex-jogadores apontam 5 motivos

José Eduardo Martins

Do UOL, em São Paulo

  • Marcello Zambrana/AGIF

    Rogério Ceni tem dificuldade para acertar a sua defesa

    Rogério Ceni tem dificuldade para acertar a sua defesa

Nesta semana, o São Paulo completou a sequência de 12 partidas levando gols. Desde 2010 o Tricolor não alcançava tais números - em 2012 e em 2016, a equipe chegou aos nove jogos consecutivos sofrendo tentos. Tal fato, obviamente, preocupa o técnico Rogério Ceni e os torcedores.

No ano, são 14 partidas oficiais e 23 gols levados - o único confronto em que o São Paulo não saiu vazado foi contra o Moto Club, pela Copa do Brasil. A comissão técnica tenta encontrar uma solução para melhorar o desempenho do time antes do clássico contra o Corinthians, que será neste domingo, no Morumbi.

Conhecidos por ajudarem a cuidar do sistema defensivo do Tricolor, cinco ex-jogadores foram ouvidos pela reportagem do UOL Esporte para apontar  possíveis causas para os problemas defensivos. Veja quais são:

Entrosamento

"Não posso dizer que os jogadores do São Paulo são de baixa qualidade. Eles poderiam atuar em qualquer time de São Paulo. Mas acho que a zaga tem mudado bastante, nesta quarta-feira [empate por 1 a 1 com o Botafogo], por exemplo, foi outra dupla. Todo mundo sabe que onde menos se deve mexer é no setor defensivo. De maneira geral, está mudando o miolo de zaga e, quando muda constantemente, acaba levando gol. Na hora que se firmar uma defesa e um goleiro, deve melhorar. Essa referência faz diferença, não só para a zaga, mas para o time. Tem de definir rapidamente quem vai jogar", explicou o ex-zagueiro Oscar, da seleção brasileira de 1982 e do São Paulo entre 1980 e 1987.

Erros individuais

"A maioria das falhas é individual. Tecnicamente, os jogadores não estão vivendo um momento muito tranquilo. Isso precisa ser visto, vai da consciência de cada um para ver como vai melhorar, para trabalhar mais. Quando o individual falha, o coletivo sofre as consequências. Não é só o goleiro ou o zagueiro, precisa ajustar a equipe. Aprimorar mais o fundamento de zagueiro, a comissão técnica tem profissionais competentes para melhorar. São jogadores de qualidade, mas, às vezes, têm de aprimorar os fundamentos de defesa", avaliou Ronaldão, ex-zagueiro do São Paulo entre 1986 e 1993 e da seleção brasileira de 1994.

Proteção dos volantes

"Particularmente acho a defesa muito fraca. Jogamos em uma época que tínhamos o Ronaldão, que era uma porteira, muito forte por cima, Gilmar, Válber, Antônio Carlos... Jogadores excelentes. Por outro lado, o São Paulo tinha uma proteção grande com os volantes, isso contribuiu para o time não sofrer tantos gols. Hoje, não vejo isso, e fica muito vulnerável a zaga do São Paulo. Talvez, por causa disso, a proteção da defesa não tem tanta eficiência. O São Paulo leva gols que um profissional não podem levar, eu me lembro de que o Telê Santana falava que a gente não poderia olhar só a bola, tem de olhar o posicionamento do atleta, para ter uma marcação mais eficiente. Nos escanteios, o Telê falava para ter jogador nas duas traves e dificilmente a gente levava gols. A minha história no São Paulo é essa de salvar gols, mas isso era por conta do posicionamento", disse Ronaldo Luiz, lateral esquerdo do São Paulo entre 1992 e 1995.

Sistema tático

"O sistema de jogo é novo. Pode ter certeza de que logo vai se ajustar. É assim mesmo, ele [Rogério Ceni] vai encontrar o sistema e os jogadores. Poucas pessoas entendem como ele. No momento certo, vai encaixar. Isso faz parte, melhor que apareçam todos os erros agora no Paulista. Vejo de maneira positiva", disse Gilmar Rinaldi, ex-goleiro do São Paulo entre 1985 e 1991.

Goleiro

"Tem a questão do gol. Talvez agora se acerte com o Renan Ribeiro tendo oportunidade, porque nem Sidão nem Denis deram tranquilidade ao time. A não afirmação de um goleiro titular dá essa falta de tranquilidade para a zaga. Qualquer bola que entra dá essa sensação de intranquilidade", analisou Waldir Peres, ex-goleiro do São Paulo entre 1973 e 1984 e da seleção brasileira na Copa de 1974, 1978 e 1982.

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