Rei dos clássicos é feito com prêmio, cartilha de Carille e apoio a Gabriel

Dassler Marques

Do UOL, em São Paulo

  • Daniel Augusto Jr. / Ag. Corinthians

    Corintianos celebram vitória sobre o Palmeiras, nono clássico com triunfo desde 2016

    Corintianos celebram vitória sobre o Palmeiras, nono clássico com triunfo desde 2016

Há uma química especial no Corinthians no que diz respeito aos clássicos desde que Fábio Carille se tornou o treinador, há pouco mais de um ano. Prestes a realizar o 14º duelo contra um rival, domingo diante do Santos, ele ostenta uma marca invejável no comando corintiano: são 9 vitórias, três empates e só uma derrota. O responsável por esse revés é justamente o adversário da vez. 

No último dia 10 de setembro, na Vila Belmiro, o Santos se tornou a única equipe a vencer o Corinthians de Carille em clássicos. Um triunfo por 2 a 0, em jogo que teve Lucas Lima como maior destaque, mas que não chegou a ser uma pá de cal no retrospecto do clube do Parque São Jorge. Na sequência daquele duelo, houve um empate e uma vitória contra o São Paulo, além do recente dérbi com a marca de Rodriguinho e êxito diante do Palmeiras. 

Parece estabelecido até o momento que há no time de Carille uma força especial para esse tipo de confronto. A explicação vai desde o espírito dos trabalhos que antecedem esses jogos, o trabalho minucioso da comissão técnica, a concentração e a força defensiva da equipe, o apoio irrestrito nos jogos como mandante e, do lado da diretoria, sensibilidade em determinadas situações. 

Bicho é sagrado. E pode ser pago até em empate

Alan Morici/Framephoto/Estadão Conteúdo
Corinthians empatou com São Paulo em gol de Clayson

Um dos procedimentos no Corinthians é o pagamento de premiação especial em caso de vitórias nos clássicos. Há a compreensão que as partidas contra os rivais são sempre chave e influenciam na sequência de duelos que o time terá pela frente. No último Brasileirão, por exemplo, com a equipe em queda no returno, a direção fez uma oferta: com vitórias seguidas contra Vasco e São Paulo, cada atleta receberia uma bolada de R$ 50 mil. 

Depois de vencer os vascaínos, em jogo lembrado pelo gol de Jô com o braço, o Corinthians ficou no empate contra o São Paulo, mas saiu de campo psicologicamente fortalecido pela reação nos minutos finais. Ainda no vestiário, jogadores puxaram um grito de "paga o bicho" e foram atendidos pelo presidente Roberto de Andrade. 

Todos jogam por todos. Gabriel foi exemplo

Rubens Cavallari/Folhapress

Primeiro clássico de Carille no Corinthians, o de vitória por 1 a 0 contra o Palmeiras no último Paulista marcou a trajetória da equipe em 2017. O jogo ficou marcado pela expulsão de Gabriel, após falta feita por Maycon e erro do árbitro Thiago Duarte Peixoto. O lance ocorreu pouco antes do intervalo, quando os corintianos se dirigiram ao vestiário com ânimos à flor da pele e até perderam a linha contra o quinteto de arbitragem na parte interna do estádio. 

Inconformado, Gabriel teve um gesto considerado nobre pelos colegas e se desculpou por supostamente atrapalhar a equipe - pedido que não foi aceito pelos jogadores, já que ele sequer havia feito falta. Na mesma hora, Carille teve aval da diretoria para ficar até 30 minutos no vestiário, caso quisesse, para acalmar ânimos e organizar o time, independente das consequências. O treinador não quis: usou a adrenalina favorável e logo voltou ao segundo tempo.  

De onde vem tanta concentração em campo?

O clássico que antecede a sequência positiva de Carille é provavelmente o mais desastroso do Corinthians na década - uma derrota por 4 a 0 para o São Paulo no fim de 2016, com Balbuena e Guilherme Arana, que se tornariam destaques em 2017. Oswaldo de Oliveira, o treinador da ocasião, alterou procedimentos estabelecidos na véspera daquela reta final, como aumentar o período de concentração ou antecipar viagens, o que teve efeito negativo. 

A comissão de Carille, que sucedeu Oswaldo, costuma trabalhar de maneira diferente, sem alterações na rotina que possam incomodar os atletas. A busca pelo maior foco possível dos atletas se dá em trabalhos mais minuciosos, muita atenção aos detalhes e o apoio dos jogadores chave - Cássio, Fagner, Balbuena, Rodriguinho e Jadson, os líderes do elenco e que se revezam como capitães - para levar as mensagens necessárias ao grupo. 

A defesa é o ponto mais forte do time e é onde não se arrisca

Rodrigo Gazzanel/Ag. Corinthians
Balbuena e Cássio são lideres da defesa do Corinthians com Fagner

Dentro da ideia de jogo do Corinthians, o foco no sistema defensivo é indiscutível. Carille dificilmente escala, nos jogos importantes, aqueles que não estão confiantes o suficiente para jogar na defesa. Foi assim, por exemplo, que após recente empate com o Red Bull procurou o garoto Maycon para dizer que ele seria lateral contra o Palmeiras. Juninho Capixaba, como se sabe, não transmitia segurança e vinha de outro clássico, contra o São Paulo, ruim.  

Nos 13 clássicos que formam esse ciclo de grandes resultados, o Corinthians saiu sem tomar gol em seis, uma média considerada alta por Fábio Carille. Desses seis, em três os corintianos tinham marcado antes de sofrer um gol, o que normalmente mantém a equipe psicologicamente mais forte em campo e, estatisticamente, aumenta as chances de vitória.   

O fator casa influencia. Então, atenção no Pacaembu

Daniel Vorley/AGIF
Lucas Lima comemora na única derrota corintiana em clássicos

Dos 13 clássicos realizados desde o começo de 2017, o Corinthians foi mandante em nada menos que oito. O desempenho diante de seus torcedores, e sem a presença dos rivais, foi quase irretocável, com sete vitórias e um empate com sabor de triunfo, pois valeu a vaga na final do Paulistão. Sem a Fiel por perto, foram duas vitórias, dois empates e a derrota, justamente para o Santos, na Vila Belmiro. 

No domingo, o duelo é no Pacaembu, mas o mando é dos santistas, que prometem público expressivo depois de uma corrida rápida à compra de ingressos. Na Vila, a única derrota foi marcada pelo momento de queda do Corinthians no Brasileiro, na quarta rodada do returno - Lucas Lima e Bruno Henrique, afinados, foram os donos do clássico. 

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