Concentração? Bragantino viu peça de humor antes de surpreender Corinthians

José Edgar de Matos

Do UOL, em São Paulo (SP)

  • Reprodução/Facebook

    Bragantino e elenco de Trair e Coçar é Só Começar?: concentração diferente deu resultado

    Bragantino e elenco de Trair e Coçar é Só Começar?: concentração diferente deu resultado

A ideia típica de concentração no futebol nos remete a jogadores enclausurados em hotéis, com o videogame, o carteado e a "resenha" como os únicos momentos de relaxamento às vésperas de um jogo. O Bragantino de Marcelo Veiga, contudo, apresentou uma versão diferente desta reunião no dia anterior ao importante confronto diante o Corinthians. Deu certo, afinal, a vitória por 3 a 2 no Pacaembu deu a vantagem ao time do interior no duelo quartas de final do Campeonato Paulista.

Em São Paulo no sábado, Marcelo Veiga tratou de levar o elenco a um programa cultural. A delegação do Bragantino esteve no Teatro Renaissance para assistir 'Trair e Coçar é Só Começar', peça brasileira em cartaz há 31 anos e que possui quatro menções pela longevidade no Guinness Book, o livro dos recordes. A ida teve a influência direta do treinador.

"Falei com a minha irmã [a atriz Tania Casttello], que faz parte do elenco, e fomos muito bem recebidos lá. Os meninos conversaram com os atores, tiraram fotos e relaxaram. Foi fantástico; eles prometeram que iam imitar uma personagem se ocorresse um gol. O Matheus Peixoto foi quem imitou ao fazer o primeiro gol. Deu tudo certo", contou o treinador, em conversa exclusiva do UOL Esporte.

Fazer os jogadores rirem horas antes da partida mais importante do Paulistão serviu para afastar a pressão colocada sobre o time pela própria diretoria. Por razões financeiras, o clube tirou o primeiro jogo de Bragança Paulista e transferiu para o Pacaembu, casa tradicional do Corinthians antes da inauguração da Arena.

A decisão meramente monetária, segundo Veiga para manter a maior parte do atual elenco para a disputa da Série C, gerou críticas públicas. O presidente do Palmeiras, Maurício Galiotte, foi um a atacar a transferência da partida. "Depõe contra o campeonato. A gente não precisa passar por isso. (...) Criamos uma situação desnecessária, foi isso o que eu falei não reunião. Não é necessário para ninguém."

Transferir o jogo para São Paulo, no entanto, era decisão pensada antes mesmo da classificação para as quartas de final, de acordo com o treinador do Bragantino. Marcelo Veiga admitiu que desejaria receber o Corinthians no interior, mas se disse compreensivo com os problemas financeiros que tiraram o elenco de casa na parte mais importante da competição.

"Quando o presidente chegou para definir, eu queria o jogo em Bragança Paulista, assim como ele. Mas a gente tem este segundo semestre que é deficitário; teríamos que criar uma receita para esta competição. É uma receita que a gente pode manter um time forte para brigar pelo acesso na Série C. A decisão foi em cima disso. Ele sabia o que queríamos, e nós entendemos a questão financeira", afirmou.

Nos números, contudo, o Bragantino não arrecadou o que esperava. A renda líquida do decisivo duelo contra o Corinthians alcançou R$ 224,5 mil, já que apenas 15 mil torcedores estiveram na tarde de domingo no Pacaembu. Na partida contra o Palmeiras, ainda pela primeira fase e disputada em Bragança Paulista, a equipe de Marcelo Vieiga embolsou R$ 330 mil.

"Tínhamos obrigação. Agora é deles"

Ale Cabral/AGIF
Bragantino depende apenas de um empate para avançar à semifinal do Paulista

As críticas, na visão do treinador, aumentaram a responsabilidade sobre o elenco. A vantagem do Corinthians por contar com a conhecida estrutura do Pacaembu era evidente. Veiga trabalhou esta situação adversa com os atletas, que corresponderam ao vencer o Corinthians e dependerem de apenas um empate para seguirem às semifinais do Estadual – o atual campeão paulista precisa triunfar por dois gols de diferença para se manter na disputa do bicampeonato.

"A gente tinha uma responsabilidade muito grande com a entidade Bragantino. Sabíamos que tínhamos essa obrigação de fazer um jogo, no mínimo, competitivo. Tudo foi muito bem conversado. Fizemos a nossa obrigação e o presidente a dele, que é honrar os compromissos do clube. Decisão dele foi muito bem acatada por todos e procuramos fazer a nossa parte para ele ter respaldo", disse.

Para concluir a sua parte do acordo e avançar o clube para a etapa seguinte, o treinador quer um Bragantino igual ao do Pacaembu. Veiga, apesar da vantagem, classifica o duelo na Arena Corinthians com o dobro da dificuldade. Desta vez, contudo, somente o humor não vai bastar como impulso à delegação.

"É uma baita de uma vantagem e não podemos desprezar, já que não teve um time que fez três gols no Corinthians nesta competição. Estamos no caminho certo, mas agora não podemos ser diferentes. Temos que ter o dobro da atenção, da concentração, da atitude. A responsabilidade agora, ainda mais, é deles", concluiu Marcelo Veiga, treinador e guia cultural por um dia no Bragantino.

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