Para bem e o mal: Arena de Itaquera é protagonista em Corinthians x SP

Bruno Grossi e Diego Salgado

Do UOL, em São Paulo

  • BRUNO ULIVIERI/RAW IMAGE/ESTADÃO CONTEÚDO

    Volante Gabriel comemora gol marcado contra o São Paulo no ano passado

    Volante Gabriel comemora gol marcado contra o São Paulo no ano passado

Corinthians e São Paulo vão decidir, na noite desta quarta-feira, uma vaga na final do Campeonato Paulista num cenário que ganhou importância nos últimos anos. Amuleto alvinegro nos duelos com o time tricolor desde 2014, a Arena de Itaquera, além de trazer más recordações para os são-paulinos, também foi palco de eliminações corintianas em jogos decisivos.

Na partida de ida, no Morumbi, marcada pela vitória por 1 a 0 do São Paulo, o técnico Fábio Carille claramente apostou todas as fichas justamente na atmosfera da Arena Corinthians ao entrar em campo com três volantes. O estádio, de fato, teve papel importante em vitórias expressivas sob o comando do treinador.

Pressionado, o Corinthians, em Itaquera, conseguiu triunfos sobre o Palmeiras em novembro do ano passado e também na atual temporada. Além disso, a equipe alvinegra também reverteu o placar no confronto das quartas do Estadual, contra o Bragantino, quando também precisava vencer por dois de diferença.

Nos duelos contra o São Paulo, a Arena se torna ainda mais fundamental. Em sete clássicos disputados no estádio, o Corinthians se mantém invicto, com cinco e dois empates. Os corintianos marcaram 18 gols e sofreram somente sete.

AP Photo/Andre Penner
Guaraní eliminou o Corinthians em 2015

O estádio alvinegro, porém, também chegou a ficar marcado pelas eliminações corintianas. São sete quedas, três delas nos pênaltis: para Palmeiras, em 2015, e Audax, em 2016, ambas na semifinal do Estadual, e para o Inter, na Copa do Brasil 2017. Completam a lista as Libertadores de 2015 e 2016 e a Copa do Brasil há três temporadas.

Controle psicológico

Embora tenha a vantagem do empate para avançar à final, o São Paulo tem muitas preocupações para levar a Itaquera. A principal delas está no controle psicológico para suportar a pressão da torcida na Arena Corinthians e o histórico de atuações marcadas por uma instabilidade de concentração no estádio. Para isso, o técnico Diego Aguirre é considerado uma arma importante.

O uruguaio tem como maior virtude nesses primeiros jogos pelo Tricolor justamente a evolução mental do time, que deixou a paassividade de lado para ser mais aguerrido, mais vibrante. Esses foram elementos, por exemplo, que custaram derrotas como o 2 a 0 na fase de grupos da Copa Libertadores da América de 2015 e no fatídico 6 a 1 no Campeonato Brasileiro do mesmo ano. Nesses encontros, o São Paulo foi moroso, conformado com a superioridade rival.

Em outros dois jogos, o Tricolor viu a concentração escapar por causa de polêmicas em relação às arbitragens. A primeira de se deu 2014, no primeiro Majestoso na Arena, quando dois pênaltis foram marcados para o Corinthians. Os são-paulinos também se mostraram nervosos com a arbitragem na segunda semifinal do Paulistão do ano passado, que terminou empatada por 1 a 1.

Na ocasião, o jogo tinha o peso do "caso fair play" entre Jô e Rodrigo Caio e ainda teve gol polêmico do centroavante, que apareceu impedido para marcar, mas a arbitragem argumentou que desvio de Pratto o deixou em condições.

Ale Cabral/AGIF
São Paulo largou na frente na disputa por uma vaga na final do Campeonato Paulista

Há ainda outro fator que trouxe problemas para o São Paulo se manter concentrado. Nas derrotas por 2 a 0 no Paulistão de 2016 e por 3 a 2 no Brasileirão do ano passado, os tricolores cometeram muitas falhas individuais. Recuo errado de Lucão, escorregões, zagueiros batendo cabeça com escalação inesperada de Rogério Ceni. Vacilos que atrapalharam o time mesmo em momentos de alguma superioridade técnica nas partidas.

Maldição de Itaquera?

Além de nunca ter vencido o Corinthians em sua nova casa, o São Paulo tem somente um jogador à disposição de Aguirre que tenha feito um gol sobre o rival em Itaquera. O centroavante Santiago Tréllez, titular e destaque nos dois últimos jogos, marcou no surpreendente triunfo do Vitória por 1 a 0 no segundo turno do Brasileirão do ano passado.

O peruano Christian Cueva é outro do elenco que já balançou as redes da Arena Corinthians, no Brasileirão de 2016, mas está a serviço da seleção de seu país e só retorna depois do clássico decisivo desta quarta. Há ainda o volante Petros, que também já fez gol no local, só que quando defendia os alvinegros. O agora camisa 6 tricolor chegou a anotar um tento em clássico: 2 a 0 sobre o Palmeiras, no primeiro Dérbi de Itaquera, em 2014.

FICHA TÉCNICA

CORINTHIANS x SÃO PAULO

Data: 28 de março de 2018, quarta-feira
Horário: 21h45 (de Brasília)
Competição: Campeonato Paulista (ida da semifinal)
Local: Arena Corinthians, em São Paulo (SP)
Árbitro: Vinícius Gonçalves Dias Araujo
Assistentes: Anderson de Moraes Coelho e Daniel Paulo Ziolli

CORINTHIANS: Cássio; Mantuan (Fagner), Pedro Henrique (Balbuena), Henrique e Sidcley; Gabriel (Ralf) e Maycon; Mateus Vital (Romero), Rodriguinho (Pedrinho) e Clayson; Júnior Dutra (Emerson Sheik). Técnico: Fábio Carille

SÃO PAULO: Sidão; Militão, Arboleda, Bruno Alves (Rodrigo Caio) e Reinaldo; Jucilei, Petros e Liziero; Nenê, Tréllez e Marcos Guilherme. Técnico: Diego Aguirre

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