Há 19 anos, última final Corinthians x Palmeiras acabou em briga histórica

Diego Salgado e Leandro Miranda

Do UOL, em São Paulo

  • Paulo Whitaker/Reuters

    Corinthians e Palmeiras se enfrentam em 1999, em um final marcada por briga no campo

    Corinthians e Palmeiras se enfrentam em 1999, em um final marcada por briga no campo

Corinthians e Palmeiras voltarão a se enfrentar em uma final de Campeonato Paulista neste sábado (31), em Itaquera, depois de 19 anos sem decisões entre os arquirrivais. O reencontro traz à tona as histórias que tornaram o confronto de 1999, o último entre eles valendo o troféu do estadual, um dos mais emblemáticos da história do clássico.

À época, Corinthians e Palmeiras também decidiram uma vaga na semifinal da Libertadores semanas antes da final do Paulistão, com vitória alviverde nos pênaltis. O duelo intenso na competição continental acirrou os ânimos e criou o ambiente hostil para a decisão vencida pelo Corinthians.

A última final entre os rivais, dessa forma, acabou marcada por uma briga generalizada em campo depois que o atacante Edilson empatou o jogo no Morumbi aos 29 minutos do segundo tempo e fez embaixadinhas em seguida - o 2 a 2, àquela altura, praticamente definiu o título para o Corinthians, que havia vencido o Palmeiras por 3 a 0 no jogo de ida.

Conheça agora algumas histórias ligadas à decisão de 19 anos atrás:

Secada corintiana

Eliminado pelo Palmeiras nas quartas de final da Libertadores, o Corinthians teve de assistir ao título continental do rival pela televisão. O jogo do título contra o Deportivo Cali-COL, por coincidência, foi disputado entre as duas finais do Estadual. Depois de fazer 3 a 0 na ida e ter uma semana inteira para descansar, o time corintiano não escondeu que "secou" o Palmeiras contra os colombianos. As declarações de Edilson sobre o tema causaram indignação no elenco palmeirense, com reclamações públicas de Luiz Felipe Scolari e do lateral direito Arce.

"Guerra" começou semanas antes

Jayme de Carvalho/Folhapress

Se engana quem pensa que o clima de animosidade foi criado apenas quando Edilson resolveu fazer as famosas embaixadinhas no centro do gramado do Morumbi, logo após o reinício de jogo. Ela começou ainda no mata-mata da Libertadores. Durante a semana que antecedeu o clássico na final do Paulistão, jogadores dos dois times trocaram farpas públicas por meio da imprensa.

Os atletas palmeirenses acusaram os corintianos Vampeta e Marcelinho de violência após faltas cometidas no jogo de ida. E não deixaram barato: Júnior Baiano, por exemplo, disse que o Palmeiras poderia mandar o time reserva para a partida decisiva, já que o título da Libertadores tinha sido conquistado na quarta-feira anterior à finalíssima. Rincón rebateu e disse que nem comemorou o título paulista como jogador alviverde em 1994 porque se identificava mais com o Corinthians.

Goleiro reserva mergulhou no túnel

Uma das cenas mais impressionantes da briga generalizada em campo teve com protagonista o goleiro reserva Renato e o zagueiro Roque Júnior. Segundos depois do início da confusão, Edilson passou a ser perseguido pelo defensor palmeirense.

É aí que entra a participação do arqueiro alvinegro, que agarrou Roque pelas costas e o jogou no chão. O zagueiro, porém, logo se levantou e começou a perseguir Renato. A única alternativa do corintiano para escapar dos socos foi se jogar no acesso ao túnel do vestiário. Embora tenha caído de uma altura de três metros, Renato não se machucou.

Ovacionado pela torcida e condenado pelos companheiros

Ormuzd Alves/Folhapress

Por causa da briga, o final entre Corinthians e Palmeiras não teve apito final do árbitro Paulo César de Oliveira, que achou inseguro reiniciar o jogo. O time corintiano foi declarado campeão - Gamarra erguer a taça no gramado. Edilson, o grande protagonista da confusão, não escapou das críticas dos próprios companheiros.

Ricardinho disse que o atacante "não poderia ter feito o que fez". Na saída do estádio, porém, Edilson viu seu carro ser cercado por torcedores. Empolgados com o título e o gol marcado pelo jogador, os corintianos elogiaram a atitude e gritaram palavras a favor do corintiano.

Briga abriu espaço para Ronaldinho Gaúcho na seleção

Folhapress

A atitude de Edilson, entretanto, também foi reprovada pelo técnico Vanderlei Luxemburgo, então à frente da seleção brasileira. Menos de quatro horas depois da briga, o atacante foi cortado da lista de convocados para a Copa América. Em seu lugar, Luxemburgo, com a ajuda de Candinho, decidiu dar a primeira chance a Ronaldinho Gaúcho na seleção.

Ronaldinho, como era chamado em 1999, tinha brilhado no título gaúcho do Grêmio sobre o Inter no mesmo dia das embaixadinhas de Edilson no Morumbi. Na Copa América, o meia deu início à trajetória de sucesso na seleção, com um golaço contra a Venezuela.

Expulsões? Só multa. E pior para Paulo Nunes

Alex Ribeiro/Folhapress

Uma briga desses proporções, capaz até de colocar ponto final num jogo tão grande resultaria numa série de cartões vermelhos, certo? Errado. O árbitro Paulo César de Olveira não expulsou um jogador sequer. Quatro dias depois, Edilson e Paulo Nunes foram multados pela Federação Paulista de Futebol (FPF), sem nenhuma suspensão.

O palmeirense levou a pior. Ele teve de desembolsar R$ 30 mil (R$ 98 mil nos dias atuais, corrigidos pela inflação), por dizer a seguinte frase: "Deixa o Paulistinha para eles". Edilson recebeu uma multa de R$ 20 mil (R$ 65 mil hoje), por ato irresponsável. O Corinthians ajudou o atacante a pagar a quantia. O Palmeiras, por sua vez, não auxiliou Paulo Nunes.

Paulo Nunes arrependido. Edilson, não

O atacante palmeirense, embora fosse um dos mais exaltados na confusão, se disse arrenpendido pela provocação aos corintianos. Vale lembrar que Paulo Nunes liderou uma transformação dos jogadores alviverdes, que apareceram de cabelos verdes no dia de decisão. Além disso, o camisa 7 levou a faixa de campeão da Libertadores para o gramado após a briga.

Já Edilson, ainda no Morumbi, não mostrou remorso: "Se o Palmeiras não aceita uma provocação, não posso fazer nada", disse o atacante corintiano antes de ser cortado da seleção brasileira por Luxemburgo.

Turma do deixa-disso e faixa pra Jesus

Paulo Giandalia/Folhapress

Houve quem se manteve calmo, apesar de tantos socos e pontapés em campo. Do lado do Corinthians, Gamarra, Vampeta e até Marcelinho Carioca, conhecido pelas polêmicas, tentaram acalmar os ânimos. Do lado palmeirense, Arce, Rogério e Alex fizeram o mesmo. Em um momento, durante a comemoração, até uma faixa com a palavra 'Jesus' foi estendida no gramado do Morumbi.

Corinthians vira "campeão do século"

Dario Lopez-Mills/AP Photo

O título no Morumbi serviu para o Corinthians colocar frente no Palmeiras em relação aos títulos do Campeonato Paulista. O time alvinegro na ocasião levantou o troféu pela 23ª vez, contra 21 conquistas palmeirenses na competição. No penúltimo ano do século 20, os palmeirenses não poderiam, assim, mais alcançar os corintianos, que garantiram a hegemonia no período. Hoje, o Corinthians soma 28 conquistas do Estadual. O Palmeiras tem 22 taças do Paulistão.

O reencontro dos rivais

Dario Lopez-Mills/AP Photo

Menos de três meses depois, Corinthians e Palmeiras voltaram a se enfrentar pela primeira fase do Campeonato Brasileiro. Líder da competição e atual campeão, o time corintiano acabou derrotado por 4 a 1, com gols de Rogério, César Sampaio, Alex e Paulo Nunes - Luizão descontou para o Corinthians, que seria novamente campeão brasileiro em dezembro. No ano seguinte, os rivais se enfrentaram novamente na Libertadores. Na disputa por uma vaga na final, deu Palmeiras nos pênaltis de novo - com direito à histórica defesa de Marcos em pênalti cobrado por Marcelinho.

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