"Engasgados", Corinthians e Palmeiras disputam muito mais que um Paulistão

Diego Salgado e Leandro Miranda

Do UOL, em São Paulo

  • NEWTON MENEZES/FUTURA PRESS/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

    Em 2017, vitória no dérbi impulsionou o Corinthians ao título brasileiro

    Em 2017, vitória no dérbi impulsionou o Corinthians ao título brasileiro

Depois de 19 anos, o clássico entre Corinthians e Palmeiras volta a se repetir na final de um Campeonato Paulista neste sábado (31), a partir das 16h30, quando a bola rola na Arena Corinthians para o jogo de ida. Mas esse reencontro entre os dois arquirrivais representa muito mais que apenas o título estadual de 2018. Com um histórico recente de farpas que aumentou ainda mais a tensão, o duelo vai botar em jogo também uma soberania simbólica e colocará à prova a própria identidade de cada clube.

Em 2017, o Palmeiras investiu muito, mas foi o Corinthians quem ganhou tudo. O time de Fábio Carille começou desacreditado, mas foi campeão paulista e brasileiro, enquanto o alviverde, que gastou milhões em reforços como Borja e Guerra, terminou a temporada sem taças. A situação aumentou a vontade do palmeirense de ser campeão em cima do Corinthians, e também a determinação do corintiano em manter o retrospecto recente favorável contra um rival muitas vezes apontado como favorito.

Nos últimos quatro clássicos, foram quatro vitórias do Corinthians, todas com Carille no comando. Já o Palmeiras teve quatro treinadores diferentes nesses jogos: Eduardo Baptista, Cuca, Alberto Valentim e o atual Roger Machado. Um trabalho mais consolidado e uma identidade de jogo definida têm superado uma equipe que ainda está no processo de tirar o máximo de seus talentos individuais para aperfeiçoar seu jogo coletivo.

Marcello Zambrana/AGIF
Zagueiro corintiano Balbuena e meia palmeirense Lucas Lima são destaques do jogo

Mas isso importa pouco para o torcedor. Andando entre os palmeirenses que lotaram a entrada da Academia de Futebol no treino da última sexta para apoiar o time, a reportagem do UOL Esporte ouviu um pouco do sentimento atual do alviverde. A vontade de levantar um troféu superando o Corinthians na decisão é tanta que há até quem prefira o título paulista a uma conquista de Libertadores em 2018.

Do lado corintiano, a presença do Palmeiras na final também é motivo para aumentar a expectativa e diminuir as horas de sono. "Lembro que, no ano passado, mesmo contra a Ponte Preta, a final já foi um clima diferente. Imagina contra o Palmeiras", disse Carille na sexta.

Os últimos dérbis foram verdadeiros divisores de águas para os rivais. Em novembro do ano passado, por exemplo, a vitória corintiana por 3 a 2 fez o time embalar definitivamente rumo ao título nacional e praticamente eliminou as chances do Palmeiras. Já neste ano, apesar de ter sido só um jogo na primeira fase do Paulista, o revés por 2 a 0 instaurou um clima ruim no Palmeiras e teve repercussões fortes, como uma reunião entre os jogadores para cobrar uma mudança de postura e ajustes táticos de Roger que fizeram a equipe subir de produção desde então.

Perder o título para o arquirrival, portanto, deverá ter um impacto considerável na temporada de qualquer um que sair derrotado dessa final. Com as duas equipes na disputa da Libertadores e de olho também no título brasileiro, resta saber se o Palmeiras conseguirá reverter a maré recente a favor do adversário e ganhar moral para o ano, ou se o Corinthians poderá manter a confiança de estar um passo à frente do rival como nas últimas decisões.

FICHA TÉCNICA

CORINTHIANS x PALMEIRAS

Data: 31 de março de 2018, sábado
Horário: 16h30 (de Brasília)
Competição: Campeonato Paulista (1ª final)
Local: Arena Corinthians, em São Paulo (SP)
Árbitro: Leandro Bizzio Marinho
Assistentes: Danilo Manis e Miguel Caetano Ribeiro

CORINTHIANS: Cássio; Fagner, Balbuena, Henrique e Sidcley; Gabriel e Maycon; Romero (Emerson Sheik), Mateus Vital, Rodriguinho e Clayson. Técnico: Fábio Carille

PALMEIRAS: Jailson; Marcos Rocha, Antônio Carlos, Thiago Martins e Victor Luís; Felipe Melo, Bruno Henrique e Lucas Lima; Dudu, Borja (Keno) e Willian. Técnico: Roger Machado

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