"Campanha" de técnicos por paz em clássico termina em fracasso e confusão

Diego Salgado e Leandro Miranda

Do UOL, em São Paulo

  • Rodrigo Corsi/FPF

    Roger e Carille falaram juntos e pediram uma final tranquila. Não funcionou

    Roger e Carille falaram juntos e pediram uma final tranquila. Não funcionou

O empurra-empurra generalizado no fim do primeiro tempo do jogo de ida da decisão do Campeonato Paulista entre Corinthians e Palmeiras foi o estopim de uma tensão entre as equipes que já vinha se acumulando há vários dérbis. Mas as cenas de briga e confusão também simbolizaram o fracasso de uma "campanha" informal que havia sido promovida pelos técnicos Fábio Carille e Roger Machado na véspera do clássico.

Na sexta-feira (30), no congresso técnico que formalizou as datas e horários das duas partidas da final na Federação Paulista de Futebol, os dois treinadores deram entrevista lado a lado e falaram da relação amistosa que os profissionais do futebol costumam ter nos bastidores. Ambos tentaram tirar a carga negativa do clássico, pediram uma decisão tranquila e até foram embora juntos – Roger pediu uma carona para Carille.

No campo, porém, o que se viu entre os jogadores foi o clima totalmente oposto, e o dérbi soltou faíscas desde o apito inicial. Logo no começo, por exemplo, o volante Maycon empurrou Dudu já com o jogo parado, antes da cobrança de um arremesso lateral. Já Clayson e Felipe Melo nem sequer se cumprimentaram antes de a bola rolar, e acabaram sendo expulsos após se envolverem na confusão pouco antes do intervalo. Alguns jogadores ficaram longe do tumulto, mas ficou claro que os discursos feitos publicamente pelos técnicos não passaram para o campo.

Tanto Carille como Roger lamentaram os incidentes depois do clássico. O corintiano disse que "trabalhou" para que os ânimos não se exaltassem, enquanto o palmeirense citou o encontro dos técnicos na FPF e afirmou que "não foi por falta de iniciativa" que o jogo descambou para a violência.

Entre os atletas, Cássio atribuiu a confusão ao clima de hostilidade alimentado durante a semana passada. Segundo o goleiro, a lembrança da briga entre corintianos e palmeirenses ocorrida na final do Paulistão de 1999 contribuiu para fazer os jogadores entrarem mais "pilhados". O diretor de futebol palmeirense, Alexandre Mattos, seguiu a mesma linha e disse que a imprensa teve parcela de culpa ao falar muito sobre a pancadaria de 19 anos atrás.

Agora, Carille e Roger precisarão se preocupar com as consequências da briga. O corintiano ficará sem Clayson, jogador importante pelas jogadas individuais do lado do campo, para a decisão do próximo domingo (8). Já o palmeirense precisará se virar sem Felipe Melo, que vinha sendo um dos destaques alviverdes na temporada tanto na marcação quanto na qualidade com a bola nos pés.

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