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Caso Daniel: Modelo diz à Justiça que foi assediada por atleta em 2012

Divulgacao/saopaulosp.net
Daniel, ex-jogador do São Paulo, é assassinado na região metropolitana de Curitiba Imagem: Divulgacao/saopaulosp.net

Adriano Wilkson e Karla Torralba

Do UOL, em Curitiba (PR)

2019-05-31T16:45:47

31/05/2019 16h45

A modelo Ludmila Garrido depôs à Justiça como testemunha durante audiência de instrução do caso Daniel ontem (30), em Belo Horizonte, e afirmou ter sido assediada pelo jogador em 2012, em uma festa na capital mineira. O meia, que tinha contrato com o São Paulo, foi morto em outubro de 2018 após uma festa na região metropolitana de Curitiba.

"Achei que na época ele forçou, foi indelicado e passou dos limites. Queria ficar comigo, falei que não várias vezes, me segurou, tentou. Enfim. Não teve agressão de machucar. Mas de pegar e puxar", disse Ludmila.

O depoimento de Ludmila, 27, ocorreu por carta precatória na condição de testemunha de defesa de Cristiana Brittes, presa por suspeita de participação no assassinato de Daniel Corrêa. Antes de ser espancado e morto, o jogador tirou uma foto em que aparecia deitado ao lado de Cristiana em uma cama e enviou por WhatsApp a um amigo. O marido de Cristiana, Edison Brittes, confessou o crime.

"Coisas assim têm que acabar. Eu não sou juiz do caso. Independente da ficha toda, desse problema. O meu depoimento é voltado para mulher, são acúmulos de silêncios", continuou Ludmila. Em entrevista ao UOL Esporte, publicada em abril, a modelo disse que decidiu depor para levantar um debate sobre o direito de mulheres vítimas de situações semelhantes.

A modelo afirma que não registrou queixa na época contra Daniel, porque era muito nova e namorava.

"Hoje a gente tem um grau de violência enorme contra a mulher e muitas não denunciam. Imagina um tempo atrás que isso não era uma coisa tão conversada? Eu namorava", explicou.

Ludmila disse ainda que lembrou do que havia acontecido com ela quando soube do assassinato de Daniel e comentou com amigos no WhatsApp.

"Na época que rolou o caso, muita conversa no WhatsApp e mídia social. Cheguei a comentar algo, mas a defesa me procurou. Eu fiquei em dúvida se falaria, mas depois de alguns ataques em redes sociais eu decidi falar", ressaltou.

Em contato com a reportagem, o assistente de acusação e advogado da família de Daniel, Nilton Ribeiro ressaltou que o depoimento de Ludmila não influenciará em nada o processo de homicídio e apontou supostas inconsistências na fala da modelo. "Ela diz se lembrar do Daniel, que não era conhecido em 2012, mas não se lembra do local que isso teria acontecido. Querem denegrir a imagem do Daniel e não vão conseguir. Nada muda o que aconteceu, o homicídio".

Reprodução/Facebook
O casal Cristiana e Edison Brittes Imagem: Reprodução/Facebook

O advogado Wasley César de Vasconcelos, que faz parte da equipe que defende Edison, Cristiana e a filha do casal, Alana Brittes, afirmou que a defesa não pretende "denegrir" a imagem de Daniel ao promover o depoimento da modelo.

"O objetivo principal da defesa não é denegrir a imagem do Daniel Corrêa ou trazer transtornos à família de quem já se foi. É apenas mostrar que tinha o hábito, ele era reincidente no fato de achar que a mulher era obrigada a ficar com ele, não aceitava 'não' como resposta. E que no fato que está sendo demonstrado (o caso Daniel), a mola propulsora, aquilo que 'startou' o fato delituoso que gerou a morte dele foi esse tipo de conduta. De forma nenhuma a defesa pretende justificar o crime, mas precisamos demonstrar, que no direito penal existe esse caminho que a vítima percorre até sofrer uma conduta delituosa. Ele foi a mola propulsora de sofrer o próprio delito", explicou.

Ainda há oito testemunhas que serão ouvidas antes dos interrogatórios dos sete réus na audiência de instrução, que decidirá se o caso irá a júri popular.

O marido de Cristiana, Edison Brittes, que confessou ter matado o jogador; Allana, filha de Cristiana; David Vollero; Ygor King e Eduardo Henrique da Silva também estão presos pelo crime. Evellyn Perusso responde em liberdade por falso testemunho.