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Oscar Roberto Godói


Por que árbitros continuam apitando jogos da CBF quando deixam a Fifa?

Ricardo Nogueira/Folhapress
O árbitro Leandro Pedro Vuaden cometeu alguns erros durante a partida entre Corinthians e Ceará pela Copa do Brasil Imagem: Ricardo Nogueira/Folhapress
Oscar Roberto Godói

Jornalista e ex-árbitro, esteve sob a chancela da Fifa de 1993 a 2000.

2019-03-16T04:00:00

16/03/2019 04h00

Temos no futebol aqueles que pensam que um clube quando vende um jogador, por maior que seja a importância do craque para o time, deve entregá-lo imediatamente. Fazendo uma relação com o segmento da arbitragem, fico pensando e tentando entender o que se passa pela cabeça do árbitro que, por idade ou incompetência, deixou de fazer parte da Fifa, mas continua apitando jogos da CBF?

No meio da semana, tivemos Ceará 1 x Corinthians 3, válido pela Copa do Brasil, apitado por Leandro Pedro Vuaden, ex-Fifa, que por alguns anos foi considerado e premiado como o melhor árbitro do Brasil, mesmo não conseguindo fazer uma carreira internacional a altura do respeito que tinha no Brasil.

Logo no começo do jogo, Vuaden deixou de marcar pênalti em Wagner Love a favor do time paulista. O Corinthians poderia fazer um 1 a 0. O jogo prosseguiu sem muita reclamação dos prejudicados. Em outro ataque corintiano, o assistente deixou de marcar impedimento do atacante Bosselli, que fez 1 a 0 de cabeça. A questão era milimétrica, e o suficiente para diferenciar os melhores assistentes dos assistentes comuns. Para felicidade e tranquilidade da arbitragem, ninguém reclamou.

Nem só de erros vive um árbitro, mesmo que não esteja numa jornada feliz. Corretamente, Vuaden marcou pênalti de Manoel em Luiz Otávio. Nenhum jogador pode ser trancado pelas costas. Se acontecer, a falta deverá ser marcada e, se for dentro da área a favor do ataque, pênalti.

Por ignorância ou vício, o autor da besteira reclamou apoiado por alguns companheiros, exceto o goleiro Cássio. Depois das explicações dadas, convincentes ou não, o Ceará empatou com Juninho, 1 a 1.

Entendo que o árbitro, independentemente do momento e condições atuais, aceitando continuar exercendo a atividade, deve ter motivação suficiente para treinar, se condicionar e entrar em campo para, ao término do jogo, receber os elogios de que o futebol e os novos árbitros ainda precisam dele.
Infelizmente, muitos que ainda estão na ativa, se pararem ou forem barrados, não farão falta alguma.

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