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Renato Maurício Prado


Do menu à mesa, o desafio do Fla

Thiago Ribeiro/AGIF
Gabigol é um dos reforços do Flamengo para a temporada 2019 Imagem: Thiago Ribeiro/AGIF
Renato Mauricio Prado

Renato Mauricio Prado é jornalista e trabalhou no Globo, Placar, Extra, Rádio Globo, CBN, Rede Globo, SporTV e Fox Sports. Assina atualmente uma coluna diária no Jornal do Brasil. A primeira Copa que cobriu in loco foi a da Argentina, em 1978.

2019-01-14T04:00:00

14/01/2019 04h00

Com as chegadas de reforços milionários como Gabigol, Arrascaeta e Rodrigo Caio, o torcedor do Flamengo já começa a se sentir no direito de sonhar com todos os títulos possíveis e imaginários na temporada de 2019. Recomendo cautela. O elenco ainda precisa de bons laterais e mais um zagueiro de área que inspire respeito e confiança. Além disso, e aí está a grande questão, o futebol nos ensina que nem sempre uma equipe que parece extremamente forte no papel, confirma tal condição em campo. E o rubro-negro tem várias histórias tristes para se lembrar disso.

A mais traumatizante, sem dúvida, a do "ataque dos sonhos", formado, em meados dos anos 90, com Sávio, Romário e Edmundo, e destruído pela briga de egos entre o Baixinho e o Animal. Na voz irônica das arquibancadas, o badalado trio virou "o pior ataque do mundo", com alusões debochadas aos hábitos noturnos de seus dois principais (e brigões) componentes.

Outro fracasso retumbante aconteceu na época do malfadado patrocínio da ISL, quando o então presidente Edmundo Santos Silva (posteriormente apeado do cargo) contratou um punhado de craques como Petkovic, Edílson, Gamarra, Vampeta, Alex, Denílson e Zé Roberto e, mesmo assim, não conseguiu formar um time decente. Foi a época do "finge que paga que eu finjo que jogo", frase célebre de Vampeta para explicar, em parte, o fracasso do elenco estelar.

Houve ainda o desastrado "Império do Amor" (com a contratação de Vágner Love, no ano seguinte à conquista do Brasileiro de 2009, para fazer companhia a Adriano e Petkovic). E, mais recentemente, a chegada apoteótica de Ronaldinho Gaúcho (com Thiago Neves!), época em que o Flamengo empolgou na escalação no papel, mas não foi capaz de corresponder à altura em campo - a única exceção foi a histórica vitória por 5 a 4, diante do Santos de Neymar, na Vila Belmiro, num dos jogos mais espetaculares do futebol brasileiro nas últimas décadas. 

Agora, nas palavras de Abel Braga, o novo comandante rubro-negro, o desafio é um pouco mais complicado. Não basta montar apenas um bom time, mas, dois, repetindo, assumidamente, o que fez Luiz Felipe Scolari com o Palmeiras, no ano passado.

Haverá, portanto, uma equipe para disputar os torneios regionais (Estadual, Copa do Brasil e Brasileiro) e outra (a mais forte) para a Libertadores, o grande projeto do clube e do treinador.

Vamos especular?

A de consumo doméstico, por exemplo, poderia ser César, Rodinei, Thuler, Rodolpho e Trauco; Piris da Mota, Jean Lucas e Diego, Berrio, Uribe e Vítor Gabriel (ou Lincoln).

Já a da Libertadores, Diego Alves, Pará, Rodrigo Caio, Léo Duarte e Renê; Cuellar, Arão e Arrascaeta; Éverton Ribeiro, Gabigol e Vitinho.

São apenas suposições que confirmam, contudo, a necessidade e a importância da contratação de laterais (Rafinha e Jorge?), além de um zagueiro de área e, se prevalecerem os pedidos do treinador, mais um atacante de lado de campo (Bruno Henrique?).

Se chegarem todos esses, ao menos na teoria, haverá ovos suficientes para fazer um belo omelete. Por enquanto, porém, mesmo com Gabigol, Arrascaeta e Rodrigo Caio, o menu de Felipão me parece mais saboroso.

A conferir durante o ano. O duelo dos dois times mais ricos do Brasil na atualidade promete. 
 

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