Topo

Coluna

Renato Maurício Prado


Bruno Henrique brilha, mas o Flamengo ainda não

Thiago Ribeiro/AGIF
Bruno Henrique comemora após marcar pelo Flamengo sobre o Botafogo Imagem: Thiago Ribeiro/AGIF
Renato Mauricio Prado

Renato Mauricio Prado é jornalista e trabalhou no Globo, Placar, Extra, Rádio Globo, CBN, Rede Globo, SporTV e Fox Sports. Assina atualmente uma coluna diária no Jornal do Brasil. A primeira Copa que cobriu in loco foi a da Argentina, em 1978.

2019-01-28T04:00:00

28/01/2019 04h00

A estreia de Bruno Henrique no Flamengo não poderia ter sido melhor. Entrou no intervalo do primeiro para o segundo tempo, fez os dois gols da virada rubro-negra (o Botafogo vencera o primeiro tempo por 1 a 0) e ainda deu um passe para Gabigol marcar o terceiro, equivocadamente anulado pela arbitragem. Em resumo: virou o novo xodó da maior torcida do País em apenas 45 minutos. Se mantiver o ritmo, vai longe.

A brilhante atuação de Bruno, entretanto, não deve encobrir vários problemas que o time de Abel Braga ainda tem. Como nos tempos de Zé Ricardo, Reinaldo Rueda, Paulo César Carpegiani e Mauricio Barbieri (só mudou um pouco com Dorival Júnior), o Flamengo continua com enorme dificuldade para transformar a maior posse de bola, que costuma ter, em ataques realmente efetivos. E aí, tome de bola alta (e inútil) sobre a área...

Será difícil modificar esse quadro com os laterais medíocres que tem - Pará, então, está numa daquelas fases em que não acerta nada e atrasa todos os lances nos quais a bola passa pelos seus pés. Renê é, no máximo, nota 5.

Na falta de reforços (Rafinha só deve vir em maio), a saída pode ser jogar com dois pontas abertos e bem ofensivos. Bruno Henrique na esquerda, e Vitinho na direita, por exemplo. Algo que se encaixa perfeitamente na habitual filosofia de jogo de Abel Braga e que, talvez até inconscientemente, já o tenha levado a criticar a atuação de Éverton Ribeiro, na entrevista coletiva pós-jogo. Coisa quem normalmente não faz. Mas Éverton, é bom que se diga, realmente, fez um jogo horroroso.

Pelo andar da carruagem, o "onze rubro-negro" vai se desenhando (com Bruno Henrique e Gabigol titulares, como era de se esperar) e a dúvida maior é no lugar de quem entrará Arrascaeta, pois Diego começou a temporada jogando bem. Se Abel fosse um pouco mais ousado, dava para sonhar com um meio-campo com apenas um volante, Cuellar, e dois meias: Diego por um lado, Arrascaeta pelo outro.

O problema é que, pelo que se tem visto, é mais fácil Abel usar uma formação com três volantes do que com apenas um - como se viu no final do clássico, ao tirar Diego e colocar Piris da Mota, para garantir a vitória no clássico. A torcida não gosta nem um pouco. Mas se as vitórias vierem...

Bom de ver

Como de hábito, Fernando Diniz está montando um time que é bom de ver jogar. Mesmo sem estrelas, o Fluminense começa a temporada buscando um futebol ofensivo, baseado no talento de Daniel, no meio-campo, e num trio ofensivo rápido, com Luciano, Everaldo e Yony "Speed" Gonzalez. Resta saber se isso será o bastante para enfrentar adversários fortes, no Campeonato Brasileiro.

Olho nele

Ainda sem o argentino Máxi Lopez, o Vasco vem revelando um jovem atacante bom de bola: Marrony. Olho no garoto!

Nó tático?

Não vi o clássico paulista, mas pelo que ouço e vejo nas TVs a cabo, muita gente achou que Jorge Sampaoli deu um nó tático em André Jardine. Foi isso mesmo? Se aconteceu, periga o tricolor paulista ter um treinador novo em breve...

Mais Renato Maurício Prado