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Renato Maurício Prado


RMP: O quebra-cabeça de Abel Braga no Flamengo

Thiago Ribeiro/AGIF
Abel Braga, técnico do Flamengo, acompanha o jogo contra o Botafogo Imagem: Thiago Ribeiro/AGIF
Renato Mauricio Prado

Renato Mauricio Prado é jornalista e trabalhou no Globo, Placar, Extra, Rádio Globo, CBN, Rede Globo, SporTV e Fox Sports. Assina atualmente uma coluna diária no Jornal do Brasil. A primeira Copa que cobriu in loco foi a da Argentina, em 1978.

04/02/2019 13h39

A bola saiu dos pés de Arrascaeta, chegou a Gabigol e de lá veio o passe perfeito para Bruno Henrique balançar a rede, fechando a goleada de 4 a 0 do Flamengo sobre a Cabofriense. O lance, em altíssima velocidade, reuniu os três principais reforços do Flamengo na atual temporada e encheu de esperança os quase 50 mil torcedores que compareceram ao Maracanã no domingo (3).

Foi a melhor atuação do rubro-negro neste início de ano. Pela primeira vez, o time de Abel Braga esboçou um futebol próximo daquele que será necessário para disputar com chances a Libertadores e o Brasileiro, e justificar o altíssimo investimento feito com as contratações.

    Arrascaeta e Gabigol, entretanto, ainda não são titulares. Gabriel me parece uma mera questão de tempo - embora Uribe não esteja mal. Em relação a Arrascaeta (a mais cara das contratações) é que a porca torce o rabo. Diego começou 2019 jogando muito e, independentemente do golaço de bicicleta, foi o melhor em campo contra a Cabofriense. E armar seus times com apenas um volante nunca foi o estilo de Abel. Além disso, Wiliam Arão também começou a temporada bem.

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    Uma alternativa seria escalar Arrascaeta pela esquerda (onde fez grandes jogos pelo Cruzeiro e iniciou o lance do quarto gol, ontem). Mas, para que isso aconteça, Bruno Henrique tem de ser deslocado para a direita, onde Éverton Ribeiro, tal qual Diego e Arão, inicia o ano exibindo ótima forma. É um quebra-cabeça e tanto para o treinador.

    Os "problemas", contudo, são daqueles que podem e devem ser considerados bons. No banco, Abel tinha ontem, além de Arrascaeta e Gabigol, outro reforço milionário: Vitinho, que embora ainda não tenha conseguido jogar o que dele se espera, tem muito potencial e, nas vezes que entrou no meio do jogo, contribuiu positivamente para reforçar o ataque.

    O que o Flamengo continua a precisar é de reforço nas laterais, principalmente a direita, onde Pará segue destoando do restante do time. Na esquerda, Renê não compromete, mas também não brilha.

    Apesar do surpreendente aproveitamento de 100% do Vasco até o momento, o Fla chega à fase decisiva da Taça Guanabara como favorito. Numa das semifinais, joga pelo empate contra o Fluminense, enquanto o Vasco, também podendo empatar para chegar à final, vai encarar o Resende (que acabou se aproveitando do fiasco do Botafogo).

    Vencer a Taça GB, em si, nem é importante. O problema é que uma eventual derrota pode atrasar um trabalho que já começa a dar certo. Se ganhar o turno (e, consequentemente, se classificar antecipadamente para a semifinal do carioquinha), Abel terá muito mais tempo e tranquilidade para fazer novas experiências e montar, enfim, o quebra-cabeça que lhe permitirá ter o time pronto, bem treinado e escalado para a estreia na Libertadores - de cara, uma pedreira, no topo da montanha, em Oruro.

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