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Renato Maurício Prado


O padrão medíocre de Tite

Pedro Martins/Mowa Press
Tite dá instruções para a seleção brasileira no jogo contra o Panamá Imagem: Pedro Martins/Mowa Press
Renato Mauricio Prado

Renato Mauricio Prado é jornalista e trabalhou no Globo, Placar, Extra, Rádio Globo, CBN, Rede Globo, SporTV e Fox Sports. Assina atualmente uma coluna diária no Jornal do Brasil. A primeira Copa que cobriu in loco foi a da Argentina, em 1978.

2019-03-25T04:00:00

25/03/2019 04h00

Empatar com o Panamá, em qualquer circunstância, é um vexame. Seja qual for o prisma da análise, tal resultado tem de ser considerado, mais que um mico, um autêntico King Kong para a história da seleção brasileira. Uma página humilhante no currículo dos pentacampeões do mundo.

Tite, entretanto, considerou "normal" a pífia atuação no Estádio do Dragão, ressaltando, em seu tradicional e cada vez mais insuportável linguajar empolado e enrolado, que esse "é o estágio em que estamos e embora o desempenho não tenha sido brilhante, não tem sido abaixo do padrão".

De certa maneira, sou obrigado a concordar com ele. Desde a Copa de 2018, a seleção de fato mantém um padrão uniforme. De absoluta mediocridade. Nos gramados russos, antes mesmo da eliminação diante da Bélgica, a equipe canarinho se arrastou em campo, penando para bater adversários fracos, com atuações que deixaram a desejar em absolutamente todas as partidas.

De lá pra cá não tem sido diferente. Na maioria das vezes contra rivais fraquíssimos, em amistosos quase sempre inexpressivos, o Brasil de Tite cumpre uma via-crúcis deprimente, que cada vez mais o afasta do coração da torcida. A cada dia vejo menos gente interessada em acompanhar seus jogos.

Esse último, contra o Panamá, então, passou quase incógnito nas conversas de bar e nas mídias sociais. Seleção? Que seleção?

Vem aí a Copa América e, com ela, uma oportunidade para mais uma temporada de "me engana que eu gosto" misturada com "vale a pena ver de novo". Contra rivais sul-americanos em crise técnica tão grave quanto a brasileira (vide a Argentina, com Messi e tudo), pode ser que a seleção, em casa, até faça um brilhareco e encante os trouxas de sempre - como aconteceu nas últimas eliminatórias.

Mesmo que, para isso, Tite e sua comissão técnica tenham que convocar de novo veteranos que, muito provavelmente, não terão condições de jogar no Mundial do Catar, como Daniel Alves, Marcelo, Paulinho, Fernandinho e por aí vai. O treinador sabe que, em caso de fracasso, seu cargo corre risco. Duvido que vá se arriscar com os mais jovens.

Vem agora o amistoso contra a República Tcheca, que não disputou a última Copa e vem de tomar de cinco da Inglaterra, nas eliminatórias da próxima Eurocopa. Está longe de ser um grande adversário, mas ao menos trata-se de um rival europeu. Vejamos se desta vez a seleção de Tite fugirá ao seu habitual padrão de mediocridade e jogará um pouco de bola.

Sem cérebro

Lucas Paquetá nunca foi um armador de verdade. No Flamengo, jogou praticamente em todas as posições do meio-campo para a frente, mas jamais se caracterizou como um maestro, um "pensador", para usar um desses termos modernosos que Tite adora. Phillippe Coutinho tampouco o é e, para piorar, anda em má fase já há algum tempo. No grupo que vem sendo convocado por Tite, o único com capacidade de desempenhar tal função é mesmo Neymar. O resto, enxuga gelo.

O melhor reforço

Nem Arrasceta, nem Gabigol. Pelo que vem mostrando nesse início de temporada, a grande contratação do Flamengo é mesmo Bruno Henrique.

Filme repetido

Graças ao ridículo regulamento do Carioquinha do Rubinho, o Fla-Flu, que encerrou ontem a fase de grupos da Taça Rio, com vitória rubro-negra, se repetirá nas semifinais e, caso o Flamengo conquiste o turno, voltará a acontecer na semifinal do próprio Estadual. Como já tivemos um na semi da Taça Guanabara, vencido pelo Fluminense, poderão ser ao todo quatro Fla-Flus num torneio só. Nenhum decidindo título. Bestial...

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