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Renato Maurício Prado


Abel merece a paciência da torcida

Abel tem sido questionado no Flamengo
Renato Mauricio Prado

Renato Mauricio Prado é jornalista e trabalhou no Globo, Placar, Extra, Rádio Globo, CBN, Rede Globo, SporTV e Fox Sports. Assina atualmente uma coluna diária no Jornal do Brasil. A primeira Copa que cobriu in loco foi a da Argentina, em 1978.

2019-04-08T11:00:00

08/04/2019 11h00

Por que tanta fúria contra o técnico Abel, nas arquibancadas e, principalmente, nas chamadas redes sociais? É verdade que o Flamengo ainda não joga um futebol à altura do seu investimento milionário. Também é fato que as duas derrotas sofridas no ano (para o Fluminense, na semifinal da Taça Guanabara, e para o Peñarol, pela Libertadores - ambas no Maracanã) foram inesperadas e, portanto, doloridas.

Nos dois casos, porém, o rubro-negro pôde superá-las. Está na final do combalido Carioquinha (eliminando justamente o Flu) e encontra-se em cômoda situação em seu grupo, na principal competição do continente. Vencendo o fraco San José na próxima quinta-feira, no Maracanã, só um desastre gigantesco o tiraria da próxima fase.

A sensação que fica é que boa parte dos torcedores rubro-negros nunca digeriu bem a contratação do treinador. Parte por seu passado marcante como jogador do Vasco e, posteriormente, treinador do Fluminense; parte pela inesperada e humilhante derrota na final da Copa do Brasil de 2004, para o pequeno Santo André, em pleno Maracanã - em sua primeira passagem como treinador rubro-negro, quando foi, inclusive, campeão carioca. Certo é que, desta vez, ele nunca foi completamente "adotado" pela maior torcida do país que, em sua maior parte, sonhava com a contratação de Renato Gaúcho.

Chamado de retranqueiro e ultrapassado por seus críticos, Abel não é nem uma coisa, nem outra. Seu currículo posterior a 2004 tem títulos estaduais, do Brasileiro, da Libertadores e do Mundial. É, indiscutivelmente, um dos melhores treinadores em atividade no Brasil e só precisa de tempo e tranquilidade para dar a esse Flamengo um padrão de jogo capaz de levá-lo às grandes conquistas que o torcedor e a diretoria esperam.

Seu maior desafio é arrumar uma forma de encaixar no time titular os seus jogadores mais talentosos - algo parecido com o que fizeram, na seleção tricampeã mundial, em 1970, João Saldanha, nas eliminatórias, e Zagallo, na Copa propriamente dita. Em resumo: escalar, juntos Everton Ribeiro, Diego, Gabigol, Bruno Henrique e Arrascaeta. Difícil? Sim. Impossível, não.

Ajustar essas peças, contudo, exige tempo e muito treinamento. E, por isso, Abelão ainda não ousa tirar do time um dos volantes - obviamente, teria que ser Wiliam Arão. Aí, quando o Flamengo não joga aquele futebol que a torcida espera, tome corneta contra o treinador. A meu ver, uma precipitação e um erro.

Na Gávea, alguns (poucos) abutres já dizem que Abel pode ser demitido se perder o Estadual para o Vasco. Não acredito nisso. Seria de uma burrice incomensurável dispensar um treinador de seu gabarito em início de trabalho e no meio da Libertadores.

O que Abel precisa é de paz. E dois laterais melhores do que Renê e Pará...

Em primeira mão

Com Gabigol suspenso e Uribe machucado, Abel lançará Arrascaeta como titular, pela esquerda, passando Bruno Henrique para o comando do ataque. Pode ser um primeiro passo para experiências futuras que permitam que o Flamengo junte o que tem de melhor em campo - e não no banco.

Em tempo

O Palmeiras, atual campeão brasileiro e dono de um elenco considerado pela maioria o mais forte do país, também anda capengando. Já perdeu uma na Libertadores e foi eliminado da final do Paulistinha. Faz sentido pensar em demiti-lo? Pois é...

Cedo demais?

O Cruzeiro, de Mano Menezes, é o único time que já vem jogando neste início de temporada um futebol à altura de seu elenco. Isso é bom? Claro. Mas é bom abrir o olho. A temporada está apenas no começo e o risco de virar o fio antes da hora H sempre existe.

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