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Renato Maurício Prado


Fla com as duas mãos na taça

Thiago Ribeiro/AGIF
Bruno Henrique comemora gol do Flamengo durante partida contra o Vasco Imagem: Thiago Ribeiro/AGIF
Renato Mauricio Prado

Renato Mauricio Prado é jornalista e trabalhou no Globo, Placar, Extra, Rádio Globo, CBN, Rede Globo, SporTV e Fox Sports. Assina atualmente uma coluna diária no Jornal do Brasil. A primeira Copa que cobriu in loco foi a da Argentina, em 1978.

2019-04-15T04:00:00

15/04/2019 04h00

Time por time, o Flamengo é superior ao Vasco - nem o mais apaixonado torcedor cruz-maltino é capaz de negar tal evidência. Se a comparação for entre os dois elencos, a vantagem rubro-negra aumenta ainda mais. Adicione-se a isso uma tranquila vitória por 2 a 0, no primeiro jogo da decisão, e é simples concluir que só uma zebra do tamanho de um mamute poderá tirar o trigésimo quinto título estadual do Fla.

Na entrevista coletiva pós-jogo, compreensivelmente, o técnico Abel insistiu que "nada está decidido".

- Vai que eles fazem um gol logo de cara... Muda tudo! - alertou o treinador, falando sobre a próxima partida, no Maracanã.

Não muda, não. Além de ser bem superior tecnicamente, a equipe rubro-negra é formada por jogadores mais experientes e rodados mundo afora. Somente um apagão generalizado e inesperado pode pôr em risco sua conquista. Mas, ainda assim, Abel está certo em evitar o clima de já ganhou e o tradicional oba-oba que costuma reinar na Gávea (com reflexos no Ninho do Urubu) após qualquer vitória, por menos importante que seja.

O técnico, aliás, foi muito bem nas duas últimas partidas: a goleada acachapante sobre o San José (um adversário fraco, é verdade), pela Libertadores, e a vitória, sem sustos, sobre o Vasco, na primeira partida da final do carioquinha.

Contra os bolivianos, o treinador aproveitou o desfalque de Gabigol (suspenso) e colocou Arrascaeta como titular, pela esquerda, com Bruno Henrique no comando do ataque. Diante do Vasco, tornou o uruguaio titular, deixando Diego no banco, e manteve Bruno Henrique no centro, deslocando Gabigol para a direita. As duas formações funcionaram bem e tudo leva a crer que o treinador "achou" o seu time ideal.

No próximo domingo, no Maracanã, entretanto, Bruno Henrique (autor dos dois gols contra os vascaínos e o melhor jogador rubro-negro neste início de temporada) não jogará, pois levou o terceiro cartão amarelo. Naturalmente, a tendência é que Diego volte ao meio-campo, com Arrascaeta sendo deslocado para a esquerda, onde se sente mais à vontade.

Esta sequência vem provando, enfim, a qualidade do elenco rubro-negro. São várias as alternativas, principalmente, do meio-campo para frente, onde Arrascaeta, Diego e Éverton Ribeiro podem se alternar na posição de principal armador, e Gabigol, Bruno Henrique, Vitinho e Berrio são boas opções de ataque. Isso sem falar nos jovens da base, como Lincoln, Lucas Silva, Vítor Gabriel etc. Ah, se esse grupo tivesse ainda dois bons laterais...

Com uma semana livre para treinos até o próximo jogo, o Flamengo assistirá de camarote à viagem do Vasco para a Vila Belmiro, onde enfrentará o Santos, pela Copa do Brasil. Um compromisso dificílimo e que, certamente, desgastará ainda mais seu adversário na final do estadual.

Título carioca praticamente no bolso, a maior preocupação rubro-negra passa a ser a difícil e importantíssima partida que terá pela frente, na quarta-feira, 24, contra a LDU, na altitude de Quito, quando pode garantir a vaga na próxima fase com um simples empate.

Se o gol mal anulado de Bruno Henrique tivesse valido ou se Diego tivesse feito o seu, no finalzinho, em vez de tentar cavar um pênalti, possivelmente, Abel pouparia muitos titulares no último jogo do carioquinha.

Não deve poupar (somente Bruno Henrique descansará, por estar suspenso), mas não creio que isso chegue a ser um grande problema. Se repetir diante da LDU o futebol que jogou, principalmente nos segundos tempos, contra o San José e o Vasco, acho que dá até pra pensar em vitória no Equador.

Mas, afinal, qual foi o time que Abel, enfim, achou? Diego Alves, Pará (argh!), Léo Duarte, Rodrigo Caio (jogando cada vez mais) e Renê (argh!), Cuellar, Arão e Arrascaeta; Éverton Ribeiro, Gabigol e Bruno Henrique.

Você escalaria algo diferente?

Errata: o texto foi atualizado
15/04/2019 às 08h00
Diferente do informado anteriormente na notícia, a jovem promessa do Flamengo se chama Lucas Silva, e não Bruno Silva. O erro foi corrigido.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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