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Renato Maurício Prado


Sim, Messi é um monstro. Mas Pelé foi muito maior

Susana Vera/Reuters
Lionel Messi comemora após marcar pelo Barcelona contra o Liverpool Imagem: Susana Vera/Reuters
Renato Mauricio Prado

Renato Mauricio Prado é jornalista e trabalhou no Globo, Placar, Extra, Rádio Globo, CBN, Rede Globo, SporTV e Fox Sports. Assina atualmente uma coluna diária no Jornal do Brasil. A primeira Copa que cobriu in loco foi a da Argentina, em 1978.

2019-05-06T04:00:00

06/05/2019 04h00

Lionel Messi voltou a assombrar o mundo do futebol, com mais uma exibição de gala, que praticamente garantiu a classificação do seu Barcelona para a final da Liga dos Campeões. Na vitória por 3 a 0 sobre o fortíssimo Liverpool, foi ele o fator de desequilíbrio de um jogão parelho entre duas das mais fortes equipes do mundo, na atualidade.

O novo solo da "Pulga", como não poderia deixar de ser, trouxe à tona o velho debate. Merecerá o argentino o título de melhor jogador de todos os tempos? As novas gerações, que não viram Pelé em campo, tendem a achar que sim. Eu, que tive o privilégio de assistir ao "Rei de todos os estádios" em ação, sigo dizendo que não. Mil vezes, não.

Messi é quase um extraterrestre, quando se analisa apenas o seu excepcional rendimento com a camisa do Barça. Mas não passe de um bom jogador quando se apresenta com a seleção da Argentina. Já foi eleito até o melhor de uma Copa, a de 2014, no Brasil, mas foi incapaz de liderar o seu time numa final contra uma Alemanha que, após humilhar o Brasil, nos famosos 7 a 1, mostrou-se tímida e até acovardada, em determinados momentos da final, no Maracanã.

Era a hora do grande solo de Lionel. O momento perfeito para colocar a bola debaixo do braço e dizer: "deixem comigo"! Não o fez e teve uma atuação pálida, incapaz de fazer a diferença na hora da verdade. E nem sequer foi a primeira vez que desapareceu num jogo importante da Argentina. O mesmo aconteceu em uma final da Copa América e em outros jogos "grandes" em Mundiais. O Messi do Barça é um, o da Argentina, outro, infinitamente menor.

Tais fracassos não pode nem sequer ser atribuídos à fraqueza de seus companheiros. Um time que conta com Otamendi, Mascherano, Aguero, Higuain, Pavon, Di Maria e Dibala, entre outros expoentes de grandes equipes europeias, nem de longe pode ser considerado fraco. O fato é que Messi não consegue jogar com a camisa de sua seleção, o que joga com a camiseta do Barça. Uma fraqueza e tanto, na hora de avaliar sua carreira como um todo.

Cristiano Ronaldo, por exemplo, com uma seleção portuguesa tecnicamente muito mais limitada, já conquistou uma Eurocopa. E Lionel nem sequer uma Copa América...

Reprodução/Diego Olivares
Imagem: Reprodução/Diego Olivares

Voltando à comparação com Pelé, o brasileiro era, tecnicamente, muito mais completo. Chutava com os dois pés, saltava como se tivesse mola nos pés, cabeceava com maestria e tinha um preparo físico impressionante. Não à toa, marcou mais de 1.200 gols (quantos tem Messi? A metade?), ganhou três Copas do Mundo (duas delas como protagonista, sendo a primeira com apenas 17 anos) e fez história até nos Estados Unidos.

Messi é, sem dúvida, o mais espetacular jogador de clube dos tempos atuais. Um gênio, um colírio para quem ama o futebol bem jogado. Mas, por favor, não cometam a heresia de compará-lo a Pelé. Sua brilhante carreira é inferior à do verdadeiro Rei em todos os quesitos e, confesso, nem sei se num par ou ímpar de pelada eu o escolheria antes de Maradona.

Se fosse pra disputar uma Copa do Mundo, sem titubear, preferiria o Dieguito. Opção apoiada, diga-se de passagem, por 90% dos argentinos.

Sem sentido

É verdade que o Flamengo ainda não conseguiu jogar um futebol à altura do elenco milionário que possui. Daí a querer demitir Abel com poucos meses de trabalho é uma insanidade completa. Deixem o homem trabalhar!

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