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Renato Maurício Prado


Abel Braga: "Landim mente. Saí porque convidaram Jesus"

Renato Mauricio Prado

Renato Mauricio Prado é jornalista e trabalhou no Globo, Placar, Extra, Rádio Globo, CBN, Rede Globo, SporTV e Fox Sports. Assina atualmente uma coluna diária no Jornal do Brasil. A primeira Copa que cobriu in loco foi a da Argentina, em 1978.

2019-05-29T17:30:24

29/05/2019 17h30

Estou em Paris, assistindo a Roland Garros e tudo o que eu queria era falar das vitórias de Rafael Nadal, Roger Federer e Stefanos Tsitsipas, além do jogaço de cinco sets entre Grigor Dimitrov e Marin Cilic. Queria... Mas não consigo me ater a eles, porque o Flamengo me arrasta para o meio de seu mais novo absurdo: a fritura covarde feita por dirigentes rubro-negros com o técnico Abel Braga que, irritado e com razão, pediu pra sair.

Mais cedo escrevi no Twitter e no Facebook o que repito aqui: Péssima, sob qualquer ponto de vista, a saída de Abel nesse momento. Que se discutisse o trabalho na parada para a Copa América. O processo de fritura de mais uma diretoria analfabeta em futebol precipitou tudo. Quem vai dirigir o time nos próximos jogos? Landin? Ou Bap?

Pois é. Que o Flamengo não vinha jogando tudo o que se espera dele - e é justo que se espere diante do elenco milionário que dispõe - não há dúvida. Mas faz sentido interromper um trabalho com apenas quatro meses e meio e resultados inegavelmente mais positivos que negativos?

Quem virá agora? Interinamente, mais um Zé Ricardo ou Maurício Barbieri da vida. A bola da vez chama-se Marcelo Salles. O que ele fez até agora para justificar ser escalado numa roubada dessas? Nada! Está lá dirigindo um sub-20 da vida. E essa turma de neo-rubro-negros acha que o Flamengo vai repetir a história de Andrade ad infinitum. Sabem nada.

A diretoria de Landim, Bap, Walim e que tais é farinha do mesmo saco de Eduardo Bandeira de Mello. Analfabetos futebolísticos. Desta vez, colocaram o Marcos Braz, que é do ramo, teoricamente, para contrabalançar. Mas o tal "conselho gestor do futebol" só tem grã-fina de narinas de cadáver, aquela personagem do Nelson Rodrigues, que entrava no Maracanã e perguntava, excitada, quem era a bola.

Foram essas figuras que se encantaram com a ideia de contratar o treinador português Jorge Jesus. Devem achar que, pelo nome, o cara faz milagres, assumindo um elenco do qual nunca ouviu falar, no meio de uma Libertadores e de uma Copa do Brasil, contra adversários que igualmente desconhece. Imagina a surpresa (e o susto) do gajo quando conhecer o Pará...

São uns inocentes... Rodolfo Landim deu entrevista dizendo que Abel saiu por problemas pessoais. Não é verdade. Ouvi da boca do próprio, agora há pouco, que a decisão de sair não foi tomada por problema pessoal algum e nem mesmo por causa daquela bobagem de dirigente querer discutir se devia escalar time misto ou não contra o Fortaleza. O verdadeiro motivo foi a confirmação de que o Flamengo procurara o treinador português.

"Trabalhei em Portugal e até hoje conheço gente lá. Me disseram que houve o contato. Liguei, então, pro Landim e pro Bap e lhes perguntei se de fato isso tinha acontecido. Negaram. Voltei às minhas fontes e tive a confirmação de que gente do Flamengo, sim, estivera com o Jesus. Aí, não dá mais, acabou a confiança."

Abel decidiu sair hoje, depois de confirmar tudo. Ontem, ainda teve um almoço com todos os jogadores e o pessoal do futebol, para comemorar a virada heroica contra o Athletico-PR.

"Esse grupo é bom demais. Só lamento por isso. Não aceito traíragem. Agora mesmo soube que o Landim disse, na entrevista, que eu sai por problema pessoal, Mais uma mentira! Apoio e respaldo zero foi o que tive! O Flamengo é o máximo. Mas as pessoas que o dirigem, infelizmente, não."

Voltando ao tênis, o Miúra ganhou por 3 a 0, mas andou vacilando no último set, chegando a ser quebrado duas vezes pelo inexpressivo alemão Yannick Hanfmann, número 180 do ranking. Federer também venceu por 3 a 0, enfrentou break-points, mas não teve o serviço quebrado, diante de outro alemão lá do fundo do baú: Oscar Otte, número 144 do ranking. Já o grego Stefanos Tsitsipas chegou a perder um set para o boliviano Hugo Dellien, número 86, mas depois venceu os três seguintes.

Jogaço mesmo fizeram Grigor Dimitrov e Marin Cilic. O búlgaro esteve duas vezes atrás no placar, mas acabou derrotando o croata no quinto set. Dimitrov agora pega Stan Wawrinka. Deve ser outro jogaço. Novak Djokovic e Dominic nesta quinta.

E eu espero que, a partir de amanhã, o Flamengo me deixe em paz, aqui em Paris... Mas com esses dirigentes, acho difícil. Já sinto seriamente ameaçada a classificação contra o Corinthians, na Copa do Brasil.

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