Topo

Coluna

Renato Maurício Prado


Um sopro de esperança para o Flamengo

Thiago Ribeiro/AGIF
Imagem: Thiago Ribeiro/AGIF
Renato Mauricio Prado

Renato Mauricio Prado é jornalista e trabalhou no Globo, Placar, Extra, Rádio Globo, CBN, Rede Globo, SporTV e Fox Sports. Assina atualmente uma coluna diária no Jornal do Brasil. A primeira Copa que cobriu in loco foi a da Argentina, em 1978.

29/07/2019 04h00

Os desfalques de Arrascaeta, Éverton Ribeiro, Diego, Vitinho e, agora, Rodrigo Caio, aliados à necessidade de vencer por, no mínimo, 2 a 0, para levar a decisão para os pênaltis, compõem um quadro sombrio para a próxima partida do Flamengo, na quarta-feira, quando enfrenta o Emelec e joga sua sorte na Libertadores. No entanto, na importante vitória sobre o Botafogo, num belo clássico, no Maracanã, surgiram alguns motivos para que haja ainda uma ponta de esperança para os rubro-negros.

Rafinha, Gerson e Gabigol brilharam, com atuações à altura do prestígio que têm e os fizeram ser contratados. Se conseguirem repetir tais performances contra os equatorianos, meio caminho estará andado. O ex-lateral do Bayern, por exemplo, mostrou a enorme diferença entre a bola que joga e o arremedo de futebol que praticam Pará e Rodinei.

Melhor jogador em campo, ele teve participação ativa em dois dos três gols (o último, de Bruno Henrique nasceu de um passe perfeito dele, após tabelinha com Gabigol) e foi também uma ultrapassagem sua que afrouxou a marcação sobre Gerson, dando espaço suficiente para que o jogador revelado pelo Fluminense acertasse o chutaço que balançou as redes, no primeiro tempo, empatando o clássico.

Por sua vez, além do lindo gol, Gerson teve participação efetiva em quase todas as jogadas ofensivas do Flamengo, pela direita, e ajudou também no meio-campo, esbanjando a conhecida categoria e um espírito de luta incomum em seus tempos de tricolor carioca. Sua atuação não ficou nada a dever a algumas das melhores do titular da posição, Éverton Ribeiro.

Já Gabigol, além de um golaço, pegando de primeira um rebote na área alvinegra, infernizou sempre a defesa do Botafogo e, não fosse sua costumeira mania de brigar com a arbitragem e com os adversários por bobagens (levou o terceiro cartão amarelo e não poderá enfrentar o Bahia, no próximo domingo), mereceria um dez no duelo carioca.

Duelo que foi especialmente emocionante porque o Glorioso também fez uma ótima partida, voltando a marcar gols após um longo jejum. Sua bem montada estrutura defensiva dificultou sobremaneira o ataque rubro-negro e, mesmo com grande desvantagem na posse de bola, o time de Barroca soube ser perigoso também no ataque, abrindo o placar e, posteriormente, em desvantagem por 2 a 1, ainda buscando o empate em 2 a 2.

Aí, surge a má notícia para os torcedores do Flamengo. Se o trio Rafinha, Gabigol e Gerson brilhou; se o espanhol Pablo Mari estreou bem; se Cuellar (que não pode ser reserva JAMAIS) e Arão formaram uma dupla eficiente de volantes e Bruno Henrique, mesmo perdendo alguns gols inacreditáveis, foi capaz de deixar o dele; o goleiro Diego Alves viveu mais uma jornada indigna da carreira que teve na Europa.

Falhou feio, ao sair mal do gol, na cabeçada de Cícero, e na bola de Diego Souza, forte e com efeito, é verdade, deixou a impressão de que poderia, ao menos ter tocado nela. Afinal, de grandes goleiros, o que se espera, são grandes defesas... Como a que fez, depois, espalmando a corner uma bola que ia morrendo no ângulo.

O problema é que levar gols pode ser fatal para o Fla, diante do Emelec. Um gol sofrido, o obrigaria a fazer quatro. Dois, cinco. Em suma: não sofrer gols é fundamental para o sonho rubro-negro de conseguir a difícil classificação na Libertadores.

Está mais do que na hora de Diego Alves atuar como o paredão que se espera dele. Se o fizer e o resto do time rubro-negro jogar como nesse último domingo, a virada, cantada em coro pela torcida rubro-negra, ao final da partida, no Maracanã, pode ser possível.

Sonhar não custa nada.

Extraordinário Sampaoli

Ivan Storti/Santos FC
Imagem: Ivan Storti/Santos FC

Seis vitórias seguidas em seis jogos e a liderança do Campeonato Brasileiro, superando o "poderoso" Palmeiras, de Luiz Felipe Scolari. Ainda há alguém capaz de contestar a qualidade do trabalho de Jorge Sampaoli? Ele pode até não ganhar o título, pois seu elenco é muitas vezes inferior aos melhores do torneio. Mas que está tirando leite de pedra, está. Sem abandonar seus princípios e sua paixão pelo futebol ofensivo. Como é gostoso ver esse Santos jogar!

Mais Renato Maurício Prado