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Estádio deve ter 45 mil lugares e ser entregue até dezembro de 2012

06/08/2010 - 12h01

Governo da Bahia paga quase três vezes mais pelo valor de construção da Fonte Nova

Thales Calipo
Em São Paulo

A Copa do Mundo de 2014 terá alguns tipos de modelo para construção e gestão dos estádios que serão utilizados. Um deles é a parceria público-privada (PPP), adotado por estados como Pernambuco e Natal. Porém, é na Bahia que essa relação deve ser mais lucrativa para iniciativa privada, já que, pelos termos firmados ainda no edital de licitação, o governo baiano pagará em parcelas cerca de R$ 1,6 bilhão ao consórcio OAS Odebrecht, que por sua vez irá arcar com os R$ 591 milhões necessários para a construção da Nova Fonte Nova.

Pelos termos da PPP, o consórcio vencedor da licitação será responsável por construir e entregar o novo estádio até dezembro de 2012 e, para isso, conseguir os fundos necessários para a obra. O governo baiano, por sua vez, pagará anualmente, a partir de 2013, uma contraprestação de R$ 107,6 milhões a OAS Odebrecht por 15 anos. A Fonte Nova, no entanto, só voltará às mãos do poder público após 35 anos, ou seja, em 2045.

“Nós iremos participar da Copa do Mundo e, com isso, teremos todas as vantagens desse investimento. Além disso, após esse período, teremos um estádio atualizado, moderno, e a garantia de que o consórcio que irá operá-lo fará a manutenção para entregá-lo em ótimo estado de conservação”, justificou Nilton Vasconcelos, secretário estadual do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte e responsável por assuntos ligados ao Mundial de 2014 na Bahia.

Em uma conta simplificada, a diferença dos valores pagos pelo consórcio para a construção e os recebidos do governo representaria uma diferença de 16,2% anual. Apenas como comparativo, o estado utiliza uma linha de financiamento especial do BNDES e, por ela, toma empréstimos pagando a Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP) mais 1,1%, algo que, atualmente, não passa dos 8%, segundo informações da Secretaria de Planejamento da Bahia.

O próprio BNDES, por sinal, criou uma linha de crédito específica para a reforma e construção dos estádios da Copa do Mundo de 2014. Os interessados têm à disposição até R$ 400 milhões (valor que não pode superar 75% do total da obra) e terão de pagar a TJLP mais 1,9% ao ano.

Segundo o representante do governo baiano, a decisão sobre quem ficará responsável por este empréstimo do BNDES sairá apenas em setembro. O secretário estadual, no entanto, defende que o consórcio seja o responsável por pegar esta linha de crédito.

“É uma questão de transação financeira. O estado faz esse aporte na sua agência de crédito e depois tem de fazer um financiamento para o consórcio. Se isso acontecer diretamente com o consórcio, torna mais clara a operação e mostra que esse tipo de modelagem está muito mais relacionado às circunstâncias do mercado”, completou Vasconcelos.

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