A ostentação é uma marca da Rússia. Os itens de luxo são símbolos de status e a pessoa é reconhecida na sociedade de acordo com o que ela tem.

O perfil Rich Russian Kids mostra como os jovens milionários da Rússia gastam as suas fortunas e esbanjam em helicópteros, jatinhos e iates.

A conta tem mais de 1 milhão de seguidores.

O carro é um dos principais sonhos de consumo dos russos. Há até uma hierarquia nas ruas: a preferência é sempre do carro mais caro. Anos atrás, isso era mais forte. Mas até hoje carros menores saem do caminho para não atrapalhar.

Outro símbolo de status é o casaco de pele. Os sonhos das famílias russas sempre foram ter casa, carro e um casaco de pele. Quando a mulher ganha o seu, guarda-o por toda a vida. É comum ver casacos passando de mães para filhas e netas. Como se fossem joias.

Um dos casacos de pele mais caros da história, da marca Fendi, foi vendido por R$ 3,4 milhões em 2015

As vendas de pele atingiram um recorde de R$ 4,2 bilhões em 2018

O mercado russo tem potencial de R$ 9,3 bilhões e aumentou nos últimos anos

Há mais de 1200 empresas na Rússia especializadas na criação de animais e produção de roupas de pele

Mas de onde vem essa tendência à ostentação?

De acordo com a professora Irina Skorobogatykh, da Universidade da Economia da Rússia, dá para comparar o mercado de luxo na Rússia com o de países emergentes. A ostentação é uma marca não só dos eslavos, mas de países em desenvolvimento, que veem no dinheiro uma forma de autoafirmação.

A compra não
acontece por
qualidade, mas por
seu alto preço.

O sociólogo norte-americano Thorstein Veblen chama o fenômeno de “consumo demonstrativo”

Nem mesmo a crise abala esse fenômeno. Na Rússia da Copa, o preço do petróleo caiu, o rublo se desvalorizou, mas as lojas de alto padrão estão em crescimento. Russos ainda estão prontos para comprar bolsas ou relógios que valem mais do que o apartamento em que vivem em Moscou, por exemplo.

Mas calma: a sociedade russa está mudando. Hoje, se ostenta bem menos que há 15 anos - e o que era chique já pode ser visto como brega.

A sociedade russa
está amadurecendo e
seu nível de
desenvolvimento já
ultrapassou o de
outros países emergentes.

Irina Skorobogatykh

  • Reportagem Luiza Oliveira
  • Edição Bruno Doro e Anderson Régio
  • Edição de vídeos Márcio Kometsu
  • Imagens Marcus Mesquita
  • Arte Carla Borges

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