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Renato Mauricio Prado


O inimigo mora ao lado

Mbappe, atacante da França, no duelo contra a Argentina - Lars Baron - FIFA/FIFA via Getty Images
Mbappe, atacante da França, no duelo contra a Argentina Imagem: Lars Baron - FIFA/FIFA via Getty Images
Renato Mauricio Prado

Renato Mauricio Prado é jornalista e trabalhou no Globo, Placar, Extra, Rádio Globo, CBN, Rede Globo, SporTV e Fox Sports. Assina atualmente uma coluna diária no Jornal do Brasil. A primeira Copa que cobriu in loco foi a da Argentina, em 1978.

30/06/2018 13h49

Pois é, Neymar, você certamente já sabia disso. Talvez não esperasse essa concorrência tão cedo e tão forte. Mas ela veio. O jovem francês Kylian Mbappé, de apenas 19 anos, seu companheiro no Paris Saint-Germain, tornou-se uma das estrelas da Copa da Rússia, com uma exibição de gala diante dos argentinos.

Saiu de campo aplaudido de pé, com justiça, pois brilhou não somente por ter balançado as redes duas vezes, mas também pelas arrancadas irresistíveis que originaram o pênalti do primeiro gol e duas faltas perigosíssimas cobradas por Griezmann (no travessão) e por Pogbá (por cima da meta).

Que Mbappé era extremamente talentoso, já se sabia, desde os seus tempos de Mônaco. Que explodiria dessa forma na Copa é a boa surpresa. Se ele mantiver o nível da atuação de hoje e a França conquistar o título (algo plausível dada a força de sua seleção) se tornará fortíssimo candidato ao título de melhor jogador do Mundial.

Quem diria! Lionel Messi, eleito o craque da Copa de 2014, no Brasil, já está arrumando as malas e nada conseguiu fazer para justificar a manutenção do título. Acho até que, sua atuação apagada, na Rússia, o tirará também da disputa pela sexta bola de ouro, que ainda disputa com Cristiano Ronaldo e, dependendo da atuação na Rússia, Neymar.

Só que surgiu um azarão neste páreo: o moleque francês. Já pensou se, antes de completar 20 anos (em dezembro) ele se torna campeão mundial e desbanca os “bichos-papões”, que nunca levantaram uma Copa? Por esta, certamente, você não esperava Neymar. Mas a boa notícia é que tudo ainda está nas suas mãos ou, melhor dizendo, nos seus pés.

Grandes atuações contra o México e a Bélgica e a vitória num possível confronto direto com os franceses na semifinal, com certeza, lhe garantirão a vantagem sobre seu talentoso companheiro de time. Mas se Mbappé e cia vencerem...

Copa do Mundo à parte, se continuarem juntos no Paris Saint Germain você e ele têm tudo para formar uma dupla infernal, daquelas para entrar na história do futebol. Isso, claro, se a sua decisão for continuar na França. É um dado a mais para levar em conta no seu futuro. No qual, pelo visto, o maior concorrente na disputa pelo título de melhor jogador de futebol do planeta, nos próximos anos, apresentou-se hoje. 

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