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Renato Mauricio Prado


Sinais de alerta para o Brasil

REUTERS/Carl Recine
Imagem: REUTERS/Carl Recine
Renato Mauricio Prado

Renato Mauricio Prado é jornalista e trabalhou no Globo, Placar, Extra, Rádio Globo, CBN, Rede Globo, SporTV e Fox Sports. Assina atualmente uma coluna diária no Jornal do Brasil. A primeira Copa que cobriu in loco foi a da Argentina, em 1978.

01/07/2018 18h21

A desclassificação da Espanha e o sufoco que a Croácia passou para se classificar nos pênaltis são um bom alerta para a seleção brasileira, que enfrenta nesta segunda-feira o México, pelas oitavas de final da Copa da Rússia. Antes de a bola rolar, espanhóis (principalmente) e croatas eram favoritíssimos. Como é o Brasil no jogo de amanhã. É bom não facilitar.

Este Mundial tem sido pródigo em jogos duríssimos e em zebras até então impensáveis. Quem poderia imaginar “La Roja”, de sequência tão brilhante, sob o comando de Julen Lopetegui, seria capaz de atuação tão medíocre diante dos russos? Antes da partida, em Moscou, nem Vladimir Putin apostaria em seus compatriotas. Aliás, ele nem foi visto no estádio, provavelmente, para não se expor a uma desclassificação vexaminosa.

A Espanha não pode nem alegar que foi surpreendida por um gol logo no início e depois esbarrou numa feroz retranca russa. Ao contrário, saiu ganhando, nos primeiros minutos (graças a um gol contra) e foi incapaz de aumentar o placar, embora tivesse amplo domínio do campo. Seu famoso “tique-taque” lembrou ontem o de um relógio quebrado, no qual os ponteiros não saem do lugar.

Não deu pra entender a opção por Iniesta no banco e, mesmo com sua entrada, posteriormente, e com outra mexidas, o técnico Hierro não foi capaz de acordar a campeã mundial de 2010. A antes consagrada tática do exaustivo toque de bola produziu uma das atuações mais enfadonhas e medíocres vistas neste Mundial. Acabou castigada com um pênalti infantil de Piqué (colocando a mão na bola, em um cruzamento alto sobre a área), e foi mandada para casa, na disputa dos pênaltis, após 120 minutos sonolentos, capazes de irritar um frade de pedra. Não deixará saudades.

A Croácia, que empolgara na vitória acachapante sobre a Argentina, também não apareceu para enfrentar a Dinamarca. Os quatro primeiros minutos de jogo (com um gol pra cada lado) deram a falsa impressão de que se veria um grande jogo de futebol, mas o restante do tempo normal e da prorrogação foram paupérrimos em termos técnicos.

Valeu pelo carrossel de emoções, nos minutos finais da prorrogação (quando o goleiro dinamarquês Schmeichel defendeu o pênalti de Modric, que poderia ter dado a vitória aos croatas) e na disputa de penalidades, quando os dois goleiros se alternaram, fazendo defesas numa disputa que só acabou na quinta cobrança, convertida por Rakitic, classificando uma Croácia que não justificou a fama e, se continuar jogando assim, pode até acabar desclassificada pela surpreendente Rússia.

Abre o olho, Tite! 

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