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Renato Mauricio Prado


Poderia ter sido goleada

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Neymar se atira para abrir o placar para o Brasil contra o México Imagem: Getty Images
Renato Mauricio Prado

Renato Mauricio Prado é jornalista e trabalhou no Globo, Placar, Extra, Rádio Globo, CBN, Rede Globo, SporTV e Fox Sports. Assina atualmente uma coluna diária no Jornal do Brasil. A primeira Copa que cobriu in loco foi a da Argentina, em 1978.

2018-07-02T14:16:00

02/07/2018 14h16

Os primeiros vinte minutos do México, pressionando a saída de bola brasileira, chegaram a assustar. Mas a partir de um contra-ataque puxado por Neymar, obrigando Ochoa a fazer uma grande defesa, aos 24 minutos, o Brasil começou a impor a sua evidente superioridade técnica e, no final das contas, a vitória por 2 a 0 (Neymar e Firmino) pode ser considerada até modesta diante do que as duas equipes produziram no gramado de Samara.

O Brasil concluiu 21 vezes, dez delas no gol mexicano, obrigando o ótimo goleiro Ochoa a pelo menos quatro defesas importantes. Já o México, que tentou 13 vezes, acertou apenas uma, na qual Alisson, sem grande esforço, cedeu o escanteio, dando um tapinha, por cima do travessão. Na consistente atuação do time de Tite, a melhor novidade foi a bela atuação de Willian (principalmente, no segundo tempo). Nem parecia o jogador errático e inibido da fase de grupos. Mas o craque da partida foi mesmo Neymar.

Apesar de leve recaída no quesito quedas cinematográficas, o camisa dez da seleção não se estressou com a arbitragem, nem com os adversários e voltou a jogar coletivamente, sem prender a bola em demasia e sem abrir mão das conclusões, quando elas se apresentavam, de fato, como a melhor alternativa. Não fosse mais um grande desempenho do goleiro Ochoa (que já se mostrara um paredão, contra o Brasil, na Copa de 2014), poderia ter marcado uns três gols, entrando de vez na luta pela artilharia do Mundial.

Se Neymar brilhou (e vem melhorando as suas atuações a cada rodada), Gabriel Jesus voltou a ficar devendo. Essa conversinha mole de que é “taticamente muito importante” é papo pra boi dormir. Sua função principal tem de ser botar a bola no fundo da rede e, mais uma vez, ele não chegou nem perto disso. Já Roberto Firmino, que entrou nos minutos finais, deixou o seu e liquidou a fatura a favor do Brasil. Não tenho a menor dúvida de que o ataque da seleção melhorará no dia em que ele, finalmente, substituir Jesus como titular. Não sei se Tite tomará tal decisão já nas quartas de final, mas acho que mais cedo ou mais tarde ela acontecerá.

O que deve ter deixado o técnico chateado foi o segundo cartão amarelo de Casemiro. É verdade que Fernandinho já é uma espécie de décimo segundo titular e, naturalmente, entrará na vaga do volante do Real Madrid. O problema é que, dependendo das circunstâncias do próximo jogo, o treinador poderia querer usá-los juntos e não há no elenco nenhum outro jogador com as mesmas características.

O próximo adversário (muito provavelmente, a Bélgica) deverá ser o mais difícil até agora. Mas se a seleção continuar evoluindo em termos coletivos, como tem feito, e Neymar seguir se mostrando mais maduro e tecnicamente melhor a cada jogo, as chances do Brasil são boas.

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