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Renato Mauricio Prado


E agora, Tite?

Neymar cai no chão após sofrer pancada na partida Brasil x Suíça pela Copa do Mundo de 2018 - Li Ming/Xinhua
Neymar cai no chão após sofrer pancada na partida Brasil x Suíça pela Copa do Mundo de 2018 Imagem: Li Ming/Xinhua
Renato Mauricio Prado

Renato Mauricio Prado é jornalista e trabalhou no Globo, Placar, Extra, Rádio Globo, CBN, Rede Globo, SporTV e Fox Sports. Assina atualmente uma coluna diária no Jornal do Brasil. A primeira Copa que cobriu in loco foi a da Argentina, em 1978.

03/07/2018 19h00

A descoberta de um vídeo de 2012, no qual, após uma partida entre Corinthians e Santos, Tite faz basicamente as mesmas críticas que Osório fez a Neymar, depois da vitória do Brasil sobre o México, ressaltou algo que deveria levar o técnico e o jogador brasileiro a repensarem seriamente suas atitudes e posturas, se possível, mudando radicalmente a forma como nosso camisa 10 age em campo, após as faltas que sofre, sejam elas violentas ou não.

Suas quedas cinematográficas e suas simulações de dores lancinantes, que desaparecem, como num passe de mágica, tão logo o jogo recomeça (como o próprio Tite ressaltou, em 2012), são repudiadas por todo o meio do futebol, que, embora reconheça o talento excepcional do brasileiro, já o rotulou como farsante e “piscinero”. Uma fama que o prejudicou, inclusive, nesta Copa, com a anulação de um pênalti que fora marcado a favor do Brasil (contra a Costa Rica), mas revisto, com a ajuda do VAR, diante do gesto teatral do camisa dez da seleção.

Desde a estreia, com o topete de pintassilgo dourado, até a vitória sobre o México, Neymar vem evoluindo, não somente nos aspectos físicos e técnicos, mas também em sua postura em campo – menos individualista e mais produtiva para a equipe, sem abrir mão dos dribles, chutes e arrancadas, quando são, de fato, as melhores opções para a seleção. Merece aplausos por causa disso.

Tinha melhorado até nas simulações, na partida com a Sérvia, quando deu apenas uma rolada um tanto quanto exagerada, na lateral do campo. Mas teve uma recaída, contra o México, com aqueles arrancos de cachorro atropelado, após o pisão desleal do lateral Layun. Não digo que não doeu. Mas os urros e os rolamentos soaram, uma vez mais, canastrões. Algo que fica ainda mais constrangedor, quando se vê o auxiliar Silvinho, com a mão na boca, ao seu lado, dizendo-lhe algo suspeito, com o verbo provocar.

Apanhado em queixas duras, feitas há seis anos, contra o mesmo comportamento daquele que é o seu principal craque atualmente (chegou a dizer que as atitudes de Neymar eram mau exemplo para os jovens e para o seu filho), Tite deveria ser o primeiro a chamá-lo agora e lhe pedir, encarecidamente, que evite as simulações e o exagero.

A menos, é claro, que agora, tendo-o de seu lado, tenha passado a achar bom enervar juízes, adversários e o meio do esporte em geral, para tentar levar alguma vantagem com isso. Até onde sei, não são esses o estilo, nem a ética de Tite. Pelo menos, não os que ele faz questão de apregoar e ressaltar nas entrevistas e até nos inúmeros comerciais que fez para a Copa.

Melhorando a cada rodada, o Brasil caminha a passos firmes para o hexa. Para que manchá-lo com fingimentos e pequenas trapaças? A seleção e, principalmente, Neymar, têm futebol pra ganhar sem recorrer a isso.

Ou tal comportamento deletério, agora, passou a ser um exemplo para o seu filho, “professor”?

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