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Renato Mauricio Prado


Torcida dupla

Catherine Ivill/Getty Images
Kevin De Bruyne, do Bélgica, em ação em partida contra o Japão Imagem: Catherine Ivill/Getty Images
Renato Mauricio Prado

Renato Mauricio Prado é jornalista e trabalhou no Globo, Placar, Extra, Rádio Globo, CBN, Rede Globo, SporTV e Fox Sports. Assina atualmente uma coluna diária no Jornal do Brasil. A primeira Copa que cobriu in loco foi a da Argentina, em 1978.

2018-07-04T17:00:21

04/07/2018 17h00

Nesta sexta-feira, não basta derrotar a Bélgica, que será a primeira grande pedreira e, em minha opinião, o primeiro teste de fogo do Brasil na Copa da Rússia. Antes disso, no jogo das 11 horas, o sonho do hexa passa por uma outra torcida, pelo Uruguai, contra a França. Não apenas por solidariedade sul-americana, mas também por interesse. Afinal, os franceses possuem uma equipe tecnicamente bem mais forte (a única ainda capaz de rivalizar com a seleção de Tite) e têm sido, historicamente, uma pedra no sapato dos brasileiros. Nas últimas três vezes em que se cruzaram em Mundiais (86, 98 e 2006), a Marselhesa prevaleceu sobre o ““Zumvirundum”. E nas três ocasiões, antes de a bola rolar, o Brasil era favorito e parecia superior.

Os belgas, confesso, já me assustaram mais. As péssimas atuações individuais de alguns de seus melhores jogadores, na virada épica contra os japoneses, mostraram um time vulnerável na defesa e com poucas alternativas no meio-campo, no dia em que o maestro De Bruyne esteve especialmente apagado. Sem armação, a bola quase não chegou ao artilheiro Lukaku e, na defesa, além de desempenho discreto de Kompany, o grande goleiro Courtouis esteve a ponto de levar um frango homérico, por entre as pernas! Hazzard foi o único que, de fato, jogou um futebol à altura de seu reconhecido talento.

Se repetirem atuação tão frágil, contra o Brasil, perderão feio. Mas, como se sabe, craques não costumam jogar mal duas vezes seguidas. Daí a dificuldade que deve se esperar da partida de sexta-feira, até porque, mesmo diante de adversários mais fracos e, jogando muito bem em alguns momentos, a seleção de Tite não conseguiu vencer nenhuma vez com facilidade. Sofreu em todos os jogos. Até contra a Costa Rica.

Quem, uma vez mais, pode desequilibrar, claro, é Neymar. Como previsto, rodada após rodada, ele vem evoluindo em termos físicos, técnicos e táticos. Jogou muito contra o México. Só falta parar com as simulações e os exageros quando recebe faltas. No dia em que compreender que isso só prejudica a sua imagem, se tornará o craque indiscutível que pretende ser. À altura do posto de melhor jogador do mundo.

Não há dúvidas de que a eleição deste ano, antecipada para setembro, será fortemente influenciada pela Copa da Rússia. Com as prematuras eliminações de Messi e Cristiano Ronaldo, crescem exponencialmente as chances de Neymar, Mbappé e, por que não, Harry Kane. É claro que se um dos três conquistar o título, se tornará o favorito. E, não custa lembrar, após a seleção inicial de 10 nomes, feita por estrelas do esporte (entre elas, Ronaldo, Kaká e Parreira), a votação será aberta ao público, aos técnicos e capitães de cada seleção e a 200 jornalistas.

Precisa dizer que, nessa eleição, o fator simpatia contará – e muito? E que as atitudes de Neymar têm sido consideradas antipáticas e antiesportivas por grande parte do mundo do esporte?

Se toca, moleque. Parar com essa bobagem, pode ajudar, e muito, na realização de seu sonho de se tornar o número 1.

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