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Renato Mauricio Prado


Reprovação no primeiro teste

Catherine Ivill/Getty Images
Imagem: Catherine Ivill/Getty Images
Renato Mauricio Prado

Renato Mauricio Prado é jornalista e trabalhou no Globo, Placar, Extra, Rádio Globo, CBN, Rede Globo, SporTV e Fox Sports. Assina atualmente uma coluna diária no Jornal do Brasil. A primeira Copa que cobriu in loco foi a da Argentina, em 1978.

06/07/2018 17h59

A seleção de Tite não passou em seu primeiro teste pra valer na Copa do Mundo da Rússia. A Bélgica venceu com justiça e, apesar da melhora do Brasil, no segundo tempo, após as entradas de Firmino, Douglas Costa e Renato Augusto, isso não foi o suficiente para evitar a eliminação precoce e o término do sonho do hexa.

Neymar teve atuação apagadíssima e foi desarmado, sem faltas, em praticamente todos os dribles que tentou. Quase marcou o gol de empate, já no finalzinho (Courtois fez uma grande defesa), mas esteve muito abaixo do que se está acostumado a vê-lo.

Fernandinho foi um desastre. Além do gol contra, mostrou-se incapaz de marcar o talentoso meio-campo belga, onde De Bruyne desfilou, esbanjando categoria e marcando o segundo gol, num contra-ataque que concluiu com um belo chute cruzado, indefensável para Alisson.

A partida até começou equilibrada – e muito bem jogada -, até a seleção brasileira sofrer o primeiro gol. A partir daí a Bélgica passou a atuar exatamente como queria. Através de contra-ataques rápidos, puxados por Hazzard, De Bruyne e Lukaku, que aterrorizavam a zaga do Brasil, até então vista como inexpugnável (um exagero, levando-se em consideração que só enfrentara ataques fraquíssimos nas primeiras rodadas).

A pressão desordenada da seleção Tite não chegou a ameaçar seriamente a meta de Cortouis, nos primeiros 45 minutos, e Gabriel Jesus, uma vez mais, teve desempenho pífio. Assim como Paulinho. Ambos chegaram a ter a bola à feição, para marcar, mas não conseguiram concluir com sucesso.

Após o intervalo, Tite voltou com Firmino no lugar de William (outro que teve atuação abaixo da crítica) e logo colocou Douglas Costa em campo, tirando Gabriel Jesus – antes disso, o centroavante do Manchester City chegou a se envolver num lance duvidoso em que os brasileiros pediram pênalti mas o juiz, embora advertido pelo VAR, preferiu não rever a jogada e deu apenas tiro de meta. Sinceramente, também, não achei falta.

Com Douglas, Firmino e, mais tarde, Renato Augusto, o Brasil tomou conta do gramado. Até porque a Bélgica praticamente abdicou das ações ofensivas, passando apenas a se defender e a deixar o relógio correr. Aos 30 minutos, o gol de Renato chegou a acender a esperança da torcida mas ficou somente nisso.

No balanço geral da partida, os belgas foram melhores e merecerem vencer. E cá, entre nós, pelo que o Brasil (não) jogou hoje, em seu primeira prova de fogo, fica difícil imaginar que, se tivesse conseguido passar, seria capaz de derrotar a fortíssima seleção francesa, que mais cedo eliminou os uruguaios sem fazer força.  

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