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Renato Mauricio Prado


O calvário de Neymar

Buda Mendes/Getty Images
Neymar sai cabisbaixo de campo após a derrota do Brasil diante da Bélgica Imagem: Buda Mendes/Getty Images
Renato Mauricio Prado

Renato Mauricio Prado é jornalista e trabalhou no Globo, Placar, Extra, Rádio Globo, CBN, Rede Globo, SporTV e Fox Sports. Assina atualmente uma coluna diária no Jornal do Brasil. A primeira Copa que cobriu in loco foi a da Argentina, em 1978.

2018-07-09T16:46:39

09/07/2018 16h46

Não bastasse a eliminação do Brasil nas quartas de final, descobre-se agora, graças a interessante e minuciosa reportagem do El País, que o calvário de Neymar prossegue na Copa da Rússia. Segundo o texto, assinado por Diego Torres, o sucesso do francês Kylian Mbappé, forte candidato a craque do Mundial, o incomoda sobremaneira, pois eles são desafetos no Paris Saint Germain, onde formam o ataque com o uruguaio Edinson Cavani, outro com quem o brasileiro não se dá bem.

Conta a matéria que Neymar e Daniel Alves sempre menosprezaram e ironizaram o jovem atacante, vindo do Mônaco. Tratavam-no como “calouro” e o apelidaram de Donatello, uma das quatro tartarugas ninjas do famoso desenho animado. Segundo a dupla, Mbappé é a cara do personagem. A alcunha, porém, nunca foi bem digerida pelo francês, a quem os brasileiros atribuíam apenas uma qualidade: ser muito rápido.

Após a grande atuação de Mbappé, contra os argentinos, fazendo dois gols e sofrendo o pênalti que Griezmann converteu, para abrir o placar, Daniel Alves publicou em seu Instagram não um cumprimento ao companheiro, mas uma reprodução da tartaruga ninja com a observação: “Donatello tá rápido, hein”? No PSG, o que se comenta é que irônica postagem teria sido encomendada por Neymar e que “rápido”, no código dos brasileiros significa também vulgar.

O relacionamento entre Mbappé e o camisa dez da seleção brasileira e do clube parisiense nunca chegou a ser bom, mas azedou de vez em um jogo na casa do Toulouse, em fevereiro, quando o brasileiro reclamou com o francês, queixando-se de que ele não estava lhe passando a bola. Ao final da partida, houve bate-boca entre ambos e a turma do “deixa-disso” teve que intervir, para separá-los, no vestiário. A partir daí, mal se falam.

Imagine, agora, como o sucesso do garoto francês deve estar incomodando o seu desafeto brasileiro. Afinal, ele pode deixar a Rússia campeão do mundo, eleito o craque da competição e fortíssimo candidato a ganhar a Bola de Ouro da Fifa. Tudo o que Neymar sonhava. E mais: tornou-se sonho de consumo do Real Madrid, que até então cortejava Neymar, para substituir Cristiano Ronaldo.

Alguém tem dúvidas de que a Bélgica terá, amanhã, um torcedor fanático em Mangaratiba?

Em tempo: se você briga com todos os seus companheiros de ataque, quem está errado? Você ou eles?

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