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Renato Mauricio Prado


Talento de sobra

 Laurence Griffiths/Getty Images
Imagem: Laurence Griffiths/Getty Images
Renato Mauricio Prado

Renato Mauricio Prado é jornalista e trabalhou no Globo, Placar, Extra, Rádio Globo, CBN, Rede Globo, SporTV e Fox Sports. Assina atualmente uma coluna diária no Jornal do Brasil. A primeira Copa que cobriu in loco foi a da Argentina, em 1978.

2018-07-10T18:06:19

10/07/2018 18h06

Kylian Mbappé continua firme na luta pelo título de melhor jogador da Copa. Não fez uma partida excepcional na vitória que classificou a França para a final, mas demonstrou toda a sua genialidade num lance, no qual, marcado por Kompany, na entrada da área, girou sobre a bola e tocou de calcanhar, deixando Giroud na cara de Courtois. Uma pintura que só não se transformou em gol porque o chute do centroavante francês foi bloqueado.

Mbappé deu ainda dois outros passes preciosos para Pavard e, novamente, Giroud, que por pouco não balançaram a rede. O chute do lateral obrigou o goleiro da Bélgica a grande defesa, o do camisa nove foi para fora. Resumo da ópera: aquele papo (incentivado por Neymar e Daniel Alves) de que o jovem francês de apenas 19 anos tem como única qualidade a espantosa velocidade, não procede. Cheira a despeito.

Com 19 anos, Neymar ainda não tinha jogado nenhuma Copa. Um ano antes, mesmo se Dunga tivesse ouvido o clamor geral, por sua convocação (juntamente com o companheiro Paulo Henrique Ganso), teria ficado no banco, com pouquíssimas chances de jogar, na África do Sul. Seu companheiro francês, portanto, já está em vantagem, tendo igualado, inclusive, um feito de Pelé, até então o único jogador de menos de 20 anos a marcar dois gols num mesmo jogo, na fase de mata-mata de um Mundial (em 1958, na Suécia).

Pode ser que Mbappé não seja campeão do mundo, nem eleito o melhor da competição. Ainda assim, voltará para Paris tendo feito uma Copa do Mundo bem superior à do brasileiro, com quem passará, com certeza, a disputar as bolas de ouro da Fifa nos próximos anos.

Resta saber se continuarão a ser companheiros de ataque ou se Neymar vai mudar de ares ou ainda fazer o presidente do Paris Saint Germain, seu fã incondicional, se desfazer do francês para contratar Phillipe Coutinho, como já tem sido noticiado.

Briguinhas particulares à parte, o fato é que essa França esbanja talento e já me parece favorita para o título – seja contra Croácia ou Inglaterra. Além de Mbappé, brilham no muito bem armado time de Didier Deschamps grandes jogadores como Griezmann, Pogba, Kanté, Matuidi, Pavard, Untiti e o ótimo goleiro Lloris.

A seleção de Tite teria sido capaz de batê-la, caso tivesse passado pela Bélgica? Sinceramente, acho muito difícil. Só se acontecesse uma zebra.

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