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Renato Mauricio Prado


Meu craque da Copa: o VAR

Telão na Arena Kazan informa que jogada está sendo analisada pelo VAR. O árbitro decidiu mudar sua decisão inicial ao rever o lance. A França cobrou pênalti e abriu placar com Griezmann - AFP
Telão na Arena Kazan informa que jogada está sendo analisada pelo VAR. O árbitro decidiu mudar sua decisão inicial ao rever o lance. A França cobrou pênalti e abriu placar com Griezmann Imagem: AFP
Renato Mauricio Prado

Renato Mauricio Prado é jornalista e trabalhou no Globo, Placar, Extra, Rádio Globo, CBN, Rede Globo, SporTV e Fox Sports. Assina atualmente uma coluna diária no Jornal do Brasil. A primeira Copa que cobriu in loco foi a da Argentina, em 1978.

13/07/2018 17h11

O francês Kylian Mbappé e o croata Luka Modric disputarão no domingo o título mundial e, provavelmente também, o posto de melhor jogador da competição. Para mim, entretanto, o troféu de maior destaque da Copa da Rússia, não vai nem para um nem para o outro. Fico com o VAR que, utilizado pela primeira vez no mais importante torneio de futebol do planeta, não fez feio. Ao contrário, tornou-se uma atração e ajudou a evitar inúmeros erros grosseiros, que poderiam ter atrapalhado as arbitragens.

Detalhe: contrariando o que diziam os dinossauros que combatiam radicalmente o uso da tecnologia no auxílio aos juízes, a polêmica não acabou. Lógico, afinal, muitas decisões são interpretativas e, portanto, apesar das várias câmeras e dos repetidos replays, ainda é possível julgamento distintos e que nem sempre agradarão a todos.

A pachecada, aí incluídos alguns dos nossos principais comentaristas de arbitragem, se queixa até agora do empurrão em Miranda, no gol da Suíça, e de dois possíveis pênaltis em Gabriel Jesus. Reclamam, acima de tudo, porque em nenhum desses lances os juízes foram até o monitor rever as jogadas.

"Não usaram o VAR na hora que o Brasil precisou!", vociferam alguns que demonstram não ter o conhecimento de como funciona o sistema.

Sim, o VAR foi utilizado nas três vezes. E se os árbitros não foram conferir os replays no monitor deveu-se apenas ao fato de que as equipes de auxílio às arbitragens que acompanhavam e reviram os lances polêmicos que poderiam ter beneficiado o Brasil, simplesmente, concordaram com a decisão tomada pelos juízes em campo. Dessa forma, não havia motivos para interromper o jogo para tirar dúvidas que não existiam.

Não sei quando ou mesmo se o VAR será implementado no Brasil. A alegação de que é caro e que são os clubes que devem pagar por ele é ridícula. A CBF nada em dinheiro e deveria ter como ponto de honra colocar o sistema em uso, ao menos nos principais campeonatos do país: o Brasileiro e a Copa do Brasil. A Conmebol, por exemplo, já disse que passará a utilizá-lo na Libertadores. Aleluia!

É claro que o sistema ainda pode ser melhorado e, naturalmente, isso acontecerá com o tempo. Gosto da ideia de que sejam instituídos os desafios, como no tênis, no futebol americano e no vôlei. A tendência é que o VAR ajude até a melhorar o comportamento dos atletas em campo. Simular pênaltis, como Neymar tentou fazer contra a Bélgica (chutando a perna de seu marcador), passará a ser facilmente identificado e punido. Não foi à toa que o camisa dez do Brasil, ao se dar conta disso, levantou-se rapidamente e fez sinal para o juiz de que não sofrera falta alguma dentro da área. Duvido que fizesse algo do gênero senão houvesse o árbitro de vídeo. Viva o VAR. Longa vida à nova estrela do futebol.

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