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Renato Mauricio Prado


O colírio da Copa

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Imagem: Getty Images
Renato Mauricio Prado

Renato Mauricio Prado é jornalista e trabalhou no Globo, Placar, Extra, Rádio Globo, CBN, Rede Globo, SporTV e Fox Sports. Assina atualmente uma coluna diária no Jornal do Brasil. A primeira Copa que cobriu in loco foi a da Argentina, em 1978.

2018-07-14T15:48:45

14/07/2018 15h48

França e Croácia disputam amanhã o título da Copa do Mundo, mas salvo alguma exibição de gala (não muito comum em finais de Mundial), a seleção que ficará na minha memória como aquela que praticou o futebol mais bonito na Rússia será a Bélgica. Mesmo num jogo morno, como costumam ser sempre as disputas pelo terceiro lugar, os belgas, uma vez mais, conseguiram produzir lindas jogadas e venceram a Inglaterra, merecidamente, por 2 a 0.

De Bruyne e Hazard são dois cracaços e um ou outro pode, sem que haja nenhuma injustiça, acabar ganhando o título de melhor jogador da competição. Acho que não acontecerá, já que a tendência é que seja eleito um jogador do time campeão – os grandes favoritos são Mbappé e Modric. Mas que a dupla da Bélgica me encheu os olhos, encheu.

Na final de amanhã, gostaria muito de ver uma grande exibição da França ou da Croácia – se possível de ambas, como se viu, por exemplo, essa manhã, em Wimbledon, onde o sérvio Novak Djokovic e o espanhol Rafael Nadal deram um espetáculo sublime de tênis. Ganhou Djokovic, após mais de cinco horas de batalha, mas várias das jogadas feitas por Nadal merecem também entrar na antologia do esporte.

Voltando ao futebol e à Copa, um dado curioso: as melhores atuações das finalistas foram contra o mesmo adversário: a Argentina. Os croatas venceram por um categórico placar de 3 a 0 (na fase de grupos) e os franceses ganharam por 4 a 3, resultado que não espelha a grande superioridade da turma de Mbappé sobre a de Messi.

Pelas características das duas seleções, espero a Croácia tomando mais a iniciativa do jogo, nesta final, e a França saindo em contra-ataques rápidos, com Mbappé e Griezmann. No entanto, propor o jogo, como se diz atualmente, pode ser um problema para os croatas, bem mais desgastados fisicamente, após três prorrogações.

Por isso, e também pelo fato de considerar a turma de Mbappé tecnicamente mais forte, vejo certo favoritismo dos franceses. Mas não dá pra desprezar totalmente as chances de Modric e seus companheiros, que, na base do coração, vêm se classificando prorrogação após prorrogação.

Será que teremos mais uma? Só torço para que a decisão não vá para os pênaltis. Embora o Brasil tenha ganho o seu quarto título dessa forma, não consigo achar justa a decisão do título de uma Copa do Mundo assim. Haja, coração e crueldade com os derrotados.

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