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Além da vaga na Copa: futebol na Islândia é arma contra drogas e depressão

Mike Hewitt/Getty Images
Hallgrimsson destaca a importância do futebol para a sociedade islandesa Imagem: Mike Hewitt/Getty Images

Do UOL, em São Paulo

21/10/2017 04h00

Sabe qual o segredo da Islândia para ter surpreendido na última Euro e se classificado para a próxima Copa do Mundo? O segredo é que não há segredo. A definição é do treinador da equipe, Heimir Hallgrimsson. Para ele, a estrutura e a forma de treinar mudaram no país, mas o que também mudou foi como o futebol se tornou uma ferramenta para uma juventude mais saudável e feliz.

A comunidade islandesa decidiu investir mais no futebol ao perceber que isso traria ganhos além do esporte. Os pais das crianças também abraçaram a ideia e aceitam pagar entre 200 e 400 euros por ano para seus filhos treinarem futebol.

Afinal, o país tem um inverno rigoroso, com a média de temperatura máxima ficando abaixo dos 10ºC de outubro a abril. Com tanto frio e poucas horas de luz natural por dia, além das tentações tecnológicas, fazer as crianças se exercitarem é um investimento valioso.

“No inverno, fica escuro por muito tempo na Islândia. E se você faz esporte, sente-se melhor e fica mais animado para a vida”, argumentou Hallgrimsson, em palestra dada na federação escocesa de futebol.

“Todos os anos fazemos uma pesquisa com todas as crianças na escola. E vemos uma clara relação entre as crianças que praticam esportes e têm as melhores notas. Além disso, elas ficam menos suscetíveis a drogas e álcool e são mais confiantes. Por isso, o valor do esporte na Islândia é muito grande”, emendou.

A valorização também tem consequências positivas entre os treinadores. Afinal, como a remuneração é boa, ensinar futebol para jovens é visto como uma atividade rentável até para quem a encara como um trabalho de meio período.

“Por isso a qualidade dos treinadores é alta. Os pais pagam para os filhos treinarem e esse dinheiro vai para os técnicos. E essa é vista como uma boa profissão”, opinou Hallgrimsson, lembrando que mais de 80% dos técnicos do país têm as licenças A ou B da Uefa.

Outro fator fundamental para que tal engrenagem funcione é a infraestrutura. Em 2002, a Islândia tinha só um campo indoor, cinco campos de grama artificial e sete campos menores. Em 2015, esses números já haviam saltado para sete campos indoor, 23 com grama sintética e mais de 130 campos menores, no tamanho de quadras.

“Não há um grande segredo ou um manual [para nossa evolução], mas muitas coisas que foram feitas. Existe uma explicação para tudo. Quando você analisa isso, tudo faz sentido. Muitas coisas estão mudando e a forma como vivemos hoje é diferente, então tentamos nos ajudar a isso”, completou Hallgrimsson, que atuava só como dentista até pouco tempo atrás e agora conduziu a Islândia a uma vaga histórica na Copa do Mundo.

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