Copa 2018

Bielsa questionou Tite, recusou camisa da seleção e agora "tumultua" Lille

AFP PHOTO / FRANCOIS LO PRESTI
Marcelo Bielsa, hoje técnico do Lille, teve debate com Tite em congresso na CBF; argentino é admirado pelo treinador da seleção Imagem: AFP PHOTO / FRANCOIS LO PRESTI

João Henrique Marques e Pedro Ivo Almeida

Do UOL, em Lille (França)

09/11/2017 04h00

Primeira seleção a garantir a vaga na Copa do Mundo de 2018 em campo, a badalada seleção brasileira chega a Lille (França) para seu primeiro jogo na Europa sob a batuta do não menos festejado Tite. As referências a treinadores e futebol sul-americano na cidade francesa, no entanto, não são as melhores. Técnico do principal time da cidade e nome de destaque no cenário mundial, Marcelo Bielsa tem afastado qualquer empolgação na atualidade.

Polêmico, Bielsa repetiu o desempenho de trabalhos recentes, mas não exatamente com um viés positivo: “El Loco” tumultuou o Lille desde a sua chegada.
O controverso treinador, que chegou a questionar Tite durante palestra na CBF no primeiro semestre deste ano e recusou até receber uma camisa da seleção brasileira como presente durante o mesmo congresso, tem mexido com os bastidores da cidade que recebe a equipe canarinho a partir desta quinta-feira (9).

A pressão inicial em Lille foi ocasionada não só pela marca Bielsa. O “problema” foram os 65 milhões de euros investidos em reforços na temporada – na França, valor abaixo apenas dos gastos por Monaco (102 milhões de euros) e PSG (418 milhões de euros). Todas as 11 contratações foram escolhas do argentino.

Impulsionado pelo dinheiro do presidente Gérard Lopez, fundador do programa de mensagens Skype e ex-dono da equipe Lotus na Fórmula 1, Bielsa teve carta-branca para fazer o que quisesse no clube. Assim, dispensou 11 jogadores por envio de mensagens.

“Nos dispensaram por SMS e também nos explicaram as regras que deveriam ser seguidas para não utilizarmos o estacionamento, vestiários e tudo mais. Ele fez isso mesmo, eu não escondo”, contou o lateral esquerdo francês, Julian Palmiere, em entrevista ao site "Foot Mercato".

Em Lille, a pressão sobre Bielsa explodiu por conta do fracasso no Campeonato Francês. Após 12 rodadas, o time é o penúltimo colocado, com 9 pontos – o lanterna é o Metz, com três. “Sim, ele é louco” citou o titulo da matéria do jornal local “La voix du Nord”.

A reportagem avaliou o trabalho do argentino como péssimo e colocou o treinador espanhol Javi Garcia, atualmente sem clube, como um provável substituo. Entre as loucuras, o fato de alterar três jogadores ainda no primeiro tempo em uma derrota por 3 a 0 para o Nantes ganhou o destaque principal.

“A inteligência e o conhecimento do trabalho de Bielsa são inquestionáveis, mas o projeto com o Lille já ruiu. Ele explica semanalmente a oito, nove jornalistas, algo que ninguém mais acredita: a capacidade de reação”, escreveu o jornalista francês Olivier Fosseux.

As pesadas críticas em Lille deixam claro um anseio pela demissão de Bielsa. Por diversas vezes, o treinador é perguntado sobre o tema. Não importa nem mesmo o resultado.

"Eu entendo que perdi credibilidade. Em todos os níveis, a tolerância atingiu seus limites e devemos enfrentar essa dificuldade adicional. Eu tenho estado neste negócio por 30 anos e estou ciente da situação. Já experimentei situações semelhantes ou pior do que isso e sempre consegui mudar”, destacou Bielsa após a vitória por 3 a 0 contra o Metz na última partida disputada pelo Lille.

A perseguição a Bielsa no futebol francês não é uma novidade. A metodologia de trabalho era constantemente questionada durante a passagem pelo Olympique de Marselha, em 2014. Na época, o zagueiro brasileiro Doria fez duras críticas ao treinador após ser dispensado.

“Vi ele maltratar o auxiliar dele. Coisas que nem é legal comentar. Também pegava no pé dos jogadores. Comigo apontou erros que nem cometi. Era complicado o trabalho”, lembrou o brasileiro que voltou ao Olympique de Marselha após empréstimos ao São Paulo e Granada-ESP.

Com os brasileiros da seleção, especificamente o colega Tite, mais cordialidade e menos ataque. Mas um questionamento do argentino gerou um debate durante o evento na CBF. Primeiro, Bielsa comentou a opção de Tite por Marcelo.

“Filipe Luis defende três vezes mais que Marcelo, muito mais. E você escala o Marcelo”, disse, arrancando um sorriso “amarelo” dos presentes. E emendou, ao falar da equipe brasileira. “O Brasil usa sempre o mesmo esquema, são poucas mudanças”, atacou o polêmico “El Loco”, ainda que ressaltasse a admiração por Tite.

E Bielsa não parou. Ao receber uma camisa da seleção como presente do departamento de marketing da CBF, recusou o brinde. Apenas mais um comportamento peculiar daquele que “tumultua” na Argentina, no Brasil, e agora também em Lille.

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