Copa 2018

Barra-brava que enganou polícia no Brasil deve ver Copa da Rússia pela TV

Reprodução/Facebook
Bebote e a sua coleção de camisas do Independiente Imagem: Reprodução/Facebook

José Edgar de Matos

Do UOL, em São Paulo (SP)

12/03/2018 11h00

Você já ouviu falar de Pablo “Bebote” Álvarez? Talvez não, mas a Polícia Federal brasileira monitorou um dos barra-bravas mais famosos durante a Copa do Mundo de 2014. Considerado perigoso, ele burlou a segurança da fronteira e conseguiu acompanhar a Argentina há quatro anos. Hoje, às vésperas do Mundial da Rússia, a realidade é completamente diferente: Bebote está preso no seu país e tem a perspectiva de apenas ver a seleção pela televisão.

“Não há nenhuma chance de ele ir para a Rússia”, contou a advogada de Bebote, Debora Hambo, em conversa rápida com a reportagem do UOL Esporte.

O barra-brava está preso há quatro meses na Penitenciária de segurança máxima Melchior Romero, localizado em La Plata (cidade a quase 60 km da capital argentina). Isolado, o torcedor do Independiente perdeu contatos e sequer cogita tentar alguma medida para sair da prisão antes do Mundial

Bebote foi preso preventivamente pela Polícia Argentina sob a acusação de dois crimes: extorsão contra Ariel Holan, técnico do Independiente, e por associação ilícita em outro caso, que envolve Noray Nackis, ex-vice-presidente do clube de Avellaneda. Na prisão, enfrenta problemas de relacionamento, segundo Debora Hambo.

O barra-brava se encontra isolado do restante dos presos. Bebote, famoso na Argentina por quem acompanha futebol, vive um regime especial, separado. Inclusive, sofreu agressões de acordo com o relato da advogada.

“Queimaram-no com cigarros em distintas partes do corpo e também atiraram água fervendo nele. Em virtude destas agressões que sofreu, que colocaram em perigo sua integridade física, ele se encontra bastante isolado do restante. Eles possuem um espaço em comum para assistir televisão e imagino que poderia ver o Mundial ali, mas hoje não dá”, assegurou Debora Hambo.

Bebote enganou polícia argentina e brasileira na Copa

Reprodução/Facebook
Bebote fez questão de postar nas redes sociais o disfarce de suíço durante a Copa Imagem: Reprodução/Facebook

A relação de Pablo Álvarez com a seleção argentina vem de alguns anos. Ele é um dos chefes da Hinchadas Unidas Argentinas, organização que reúne barras-bravas de diversos clubes para apoiar a equipe nacional. Inserido em uma lista de veto da polícia argentina repassada às autoridades brasileiras, Bebote enganou os dois países e conseguiu acompanhar in loco a Copa de 2014.

O barra-brava ainda usou as redes sociais para expor a “façanha”. Contra a Nigéria, ele usou uma peruca celeste e viu Lionel Messi comandar a vitória por 3 a 2 no Estádio Beira-Rio, em Porto Alegre. Já nas oitavas de final contra a Suíça, na Arena Corinthians, Bebote foi além: pintou a cara de suíço e postou uma foto seguida de mensagem no Facebook para zombar das autoridades.

“Agradeço aos que me confiaram os ingressos para o jogo de hoje. Conseguimos essas entradas para celebrar: Bebote 2 x 0 Polícia Federal Argentina”, escreveu Bebote, em alusão às duas vezes em que superou a fiscalização para prestigiar no estádio a seleção argentina.

A Polícia brasileira deteve Bebote apenas horas antes do duelo entre Argentina x Bélgica, ocorrido em Brasília e válido pelas quartas de final do Mundial. O torcedor foi flagrado com uma camiseta do Flamengo, a mesma com a qual retornou ao país de origem horas mais tarde.

Desta vez, em cárcere privado, Bebote já se conforma em assistir a Messi e companhia pela televisão.

Bebote é o retrato da decadência

Por Tales Torraga, do blog Patadas y Gambetas

As torcidas argentinas são um show à parte, mas quem as conhece por dentro sabe bem que os bumbos, as bandeiras e os papeis picados são meros despistes para algo muito mais profundo que não tem nada de espetacular - apenas triste e revoltante.

Neste mundo dantesco de drogas, roubos e até assassinatos envolvendo os barra bravas, Bebote costurou a sua reputação de ser o torcedor mais temido da Argentina. Desde os 13 anos – daí o apelido “Bebezão” –, foi treinado para ser quem realmente virou: a pessoa que manejava o estádio do Independiente como a sua própria casa.

Os tempos dos torcedores que cobravam apenas amor à camisa ficaram para trás. Hoje, a cobrança passa também por dinheiro e poder. Dirigentes, políticos, jogadores e técnicos estenderam a mão e viraram reféns. Nas últimas décadas, o futebol virou também pano de fundo para crimes - virou a terra do “quem não chora não mama”, o mundo propício para o surgimento de um “Bebezão” tão nefasto assim.

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