Copa 2018

Tite foge de política, mas CBF segue usando seleção para bajular cartolas

Danilo Lavieri, Dassler Marques e Pedro Ivo Almeida

Do UOL, no Rio de Janeiro

13/03/2018 04h00

Fim de 2015, momento de insatisfação quase geral do mundo do futebol com a CBF. Então técnico do Corinthians, Tite foi um dos signatários do documento elaborado por profissionais ligados ao futebol que pedia a democratização da entidade e a renúncia imediata de Marco Polo Del Nero. Cerca de seis meses depois, o treinador assumia o comando da seleção brasileira e cumprimentava um cartola com um beijo que o rende questionamentos até hoje.

Na última segunda-feira (12) não foi diferente. Durante entrevista coletiva após a convocação para os amistosos do fim de março, contra Rússia e Alemanha, o treinador foi questionado sobre as movimentações políticas na confederação nos últimos dias. E o Tite outrora engajado com os rumos da CBF deu lugar a um treinador de tom polido e que prefere não misturar o lado técnico com o político.

“Não gostaria de receber esta pergunta porque o momento não é propício”, se esquivou o treinador, com algum incômodo, ao ser abordado sobre as manobras recentes que possibilitarão a reeleição do candidato de Del Nero à presidência.

Ainda que não ache o momento oportuno, a verdade é que a seleção de Tite segue servindo como instrumento político. Se é verdade que o treinador consegue escapar do burburinho político nos bastidores no dia a dia, o mesmo não ocorre nas viagens e jogos, quando um cartola é nomeado chefe de delegação e passa a fazer parte da delegação do treinador. Para os próximos jogos, o presidente da Federação Gaúcha, Francisco Noveletto, foi escolhido.

“Há o respeito, uma ordem de hierarquia, e também a autonomia em cima do nosso trabalho. Assim que seguimos, essa diretiz; vai ser o Novelleto, vai ser o Novelleto”, comentou Tite, novamente desconfortável para abordar o tema. “Tem tanta coisa legal para falar”, completou (veja no vídeo acima).

Noveletto ocupa o cargo que foi de Ednaldo Rodrigues, presidente da Federação Baiana, nos últimos jogos – em novembro, também na Europa, contra Japão e Inglaterra. Os dois dirigentes representavam possíveis ameaças ao grupo de Del Nero – ambos já foram oposição – e ganharam afagos do mandatário. As viagens ao Velho Continente são sempre festejadas pelos dirigentes de federações.

Em janeiro de 2018, sem amistosos, Del Nero não descuidava dos movimentos no tabuleiro político e já mirava a Copa. O então presidente da CBF, hoje suspenso das atividades pela Fifa por suspeitas de corrupção, convidou o presidente da Federação Paulista, Reinaldo Carneiro Bastos, para o principal posto do ano: chefe de delegação da seleção na Copa.

Reinaldo não respondeu, se esquivou. Del Nero se preocupou. E tinha motivos. O antigo aliado se movimentava nos bastidores para lançar um grupo de oposição na próxima eleição e não aceitara o “presente” do chefe. O jogo político ganhava força. E novamente com a seleção como cenário.

A questão não chega a ser novidade. A manobra é utilizada há anos pelo grupo que se perpetua no poder da confederação – Ricardo Teixeira e seus aliados, José Maria Marin e Marco Polo. E ainda que Tite tentasse se manter longe da questão, sempre conviveu com as disputas políticas e distribuição de cargos e viagens.

Logo em sua estreia, viu o Coronel Nunes frequentar vestiário e ficar lado a lado com o grupo nos jogos em Quito (Equador) e Manaus. Além dos cartolas de federações, Tite e a seleção também foram acompanhados por presidentes de clubes, como o do Palmeiras, Maurício Galliote, chefe de delegação nos jogos na Austrália, em junho de 2017. O treinador não quer saber de política, mas ela ferve a seu lado. E assim seguirá.

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