Copa 2018

Brasil já foi à Rússia por pressão da Ambev, sofreu no frio e se arrependeu

Sergei Karpukhin/Reuters
Jogadores da seleção brasileira comemoram no amistoso contra a Rússia em 2006, com temperatura a -15 °C Imagem: Sergei Karpukhin/Reuters

Danilo Lavieri e Dassler Marques

Do UOL, em Moscou (Rússia)

20/03/2018 04h00

Tite esperava, neste mês de março na Rússia, um amistoso que colocasse o Brasil próximo das condições que irá encontrar na Copa do Mundo em junho. No que diz respeito aos aspectos climáticos, a previsão do tempo e uma partida disputada pela seleção em Moscou, há 12 anos, mostram que o panorama é bem diferente. E pode influenciar nas quatro linhas.

Com previsões de temperatura entre - 8º C e - 14º C para o amistoso contra a anfitriã do Mundial, o jogo da próxima sexta, às 13h, remete ao duelo contra a mesma Rússia em 1º de março de 2006, o último antes da convocação final para a Copa da Alemanha. Na ocasião, jogadores da seleção e o então treinador Carlos Alberto Parreira reprovaram a partida ‘gelada’, que acabou com vitória por 1 a 0 em gol marcado por Ronaldo.

“Ninguém vai ser convocado ou deixado de fora pelo que aconteceu nesse jogo”, declarou Parreira depois do confronto a - 15º C. “É difícil jogar o melhor futebol nessas condições”, reclamou o "Imperador" Adriano. “O campo está péssimo”, disse Kaká sobre o gramado enlameado pela mistura de neve e terra.

Cicinho, que três meses depois disputaria o Mundial na Alemanha, em clima totalmente diferente ao encontrado em Moscou, chegou a relatar dificuldades dos mais variados tipos. “Você vai dar um pique e fica receoso por causa do frio. Você vai falar com um companheiro e a boca trava. Você chuta a bola e sente dor no pé, a chuteira travava no gramado”, disse. 

O jogo foi tão marcante que Julio Gomes, blogueiro do UOL Esporte, relembrou a passagem na última segunda. Na cobertura do amistoso como repórter, ele recordou que em dado momento os termômetros que mediam a temperatura do solo chegaram a ficar abaixo de -30º C. 

Na época, o amistoso foi marcado por uma determinação da Ambev, que segue como patrocinadora da seleção até os dias atuais. A empresa tinha o direito de negociar algumas partidas previsto em contrato, e pretendia lançar uma cerveja na Rússia. Em contrapartida, recebeu R$ 3,2 milhões para levar o Brasil até o frio de Moscou perto de seu limite.

Ficar no banco? Ronaldo não quis por causa do frio

A partida em condições climáticas incomuns para brasileiros produziu situações curiosas. Ronaldo, substituído no segundo tempo, não quis permanecer com os reservas e foi direto ao vestiário. A comissão técnica, em meio ao banco coberto de gelo, usou cobertor. Imediatamente após a partida, um voo saiu de Moscou com um grupo de atletas. Zé Roberto, que jogava na Alemanha e foi o único a começar com as mãos de fora, pouco depois pegou luvas. “Meus dedos congelaram”, contou.

Pior ainda foi a situação de Rogério Ceni, titular na época e pouco exigido. “No treino, minha mão ficou congelada. Dou um jeito de brincar com alguma coisa enquanto a bola não vem. Vou morrer congelado se não for exigido”, relatou o ídolo são-paulino.

Doze anos depois, o preparador físico Fábio Mahseredjian preparou, em conjunto com toda comissão técnica, uma programação de treinos diferentes. Serão feitas atividades mais fortes no vestiário, por cerca de 45 minutos, para aquecer os atletas e evitar lesões antes da subida ao gramado, além de hidratação e alimentação mais apropriadas. Os ‘ucranianos’ Fred e Taison, do Shakhtar, são os mais habituados ao clima, mas não devem ser titulares. A Copa, em junho, será disputada no verão russo, com temperaturas que devem girar em torno de 25º C. 

Para Edu Gaspar, ir ao país da Copa compensa o frio 

"São vários proveitos. Estar no país da Copa será uma experiencia incrível para os atletas. A dinâmica é de Copa do Mundo, o estádio é de Copa, a equipe contrária é de Copa. O sistema de jogo deles é interessante também. Inicialmente, quando pensávamos nos jogos amistosos, Rússia e Alemanha foram prioridades, e que gostaríamos da experiência por acreditar que aqui a equipe pode estar melhor preparada e nos aproximar da realidade", explicou o coordenador de seleções na segunda-feira (19). 

"Temos que tratar tudo com as prioridades. Nem tudo vai englobar todas as questões possíveis e imaginárias. Estar no país da Copa, ter a experiência de Copa levou muito mais vantagem quanto às demais considerações. O clima acreditamos que não é o da Copa, mas cremos que será mais importante estar aqui", declarou, já em Moscou. 

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