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Figurinhas da Copa


Neymar a R$ 3, álbum cheio a R$ 400: o mercado paralelo de figurinhas no RJ

Pedro Ivo Almeida/UOL
Ambulante disponibiliza figurinhas avulsas por R$ 1 em rua movimentada do Centro do RJ. Craques de pona custam R$ 3 Imagem: Pedro Ivo Almeida/UOL

Pedro Ivo Almeida

Do UOL, no Rio de Janeiro

2018-03-20T17:51:59

20/03/2018 17h51

“Água é R$ 2, refrigerante é R$ 3”, avisa um vendedor em uma das principais ruas do centro do Rio de Janeiro. Ao lado, na mesma calçada, outro ambulante também tenta vender sua mercadoria: “tem Neymar, Messi e Cristiano Ronaldo a R$ 3”. Às vésperas da Copa do Mundo, de quatro em quatro anos, a gritaria é normal. Após o lançamento do álbum oficial do Mundial da Rússia, o mercado paralelo de figurinhas já funciona a todo vapor nos principais camelódromos da capital fluminense.

“É assim há muito tempo. Eu trabalho com isso aqui desde 2006”, explica Rodrigo César, enquanto mostra as quase seis mil figurinhas que disponibiliza para os fãs do álbum.

“Por enquanto, cada figurinha é R$ 1, como os três melhores do mundo [Messi, Cristiano Ronaldo e Neymar] a R$ 3”, completou o ambulante.

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Pacote com as 682 figurinhas é vendido a R$ 400 em calçada da Rua Uruguaiana, no Rio Imagem: Pedro Ivo Almeida/UOL

E o preço pode subir. Os donos das bancas informais explicam que o valor do trio pode chegar a R$ 10 a partir que o engajamento do público aumente. “Por enquanto a galera está chegando devagar, daqui a pouco a calçada fica tomada. Hora de almoço tem fila. Aí o preço sobe, normal. Semana que vem é capaz de o Neymar já está R$ 5. Tem jogo da seleção essa semana, galera vai comprar mais álbum”, explicou Vinicius Silva, que também negocia figurinhas na Rua Uruguaiana.

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Segundo ambulantes, figurinha de nº 5 (acima) é a mais difícil de ser encontrada nos pacotes Imagem: Pedro Ivo Almeida/UOL

A tabela também já estipula o valor do sonho dos colecionadores: o álbum completo sai a R$ 400. “Só não colo para a galera, mas tenho todas as figurinhas aqui”, brincou Vinicius.

Experiente no assunto, Rodrigo César assegura que o trabalho é “limpo”, sem qualquer ligação com cargas roubadas. “Não tem nada ilegal aqui”, afirma. “Não tem erro. Compramos direto nas distribuidoras. Pagamos R$ 2.400 em uma caixa completa com seis mil figurinhas (1.200 pacotes)”.

Ele ainda calcula fazer o mesmo investimento mais duas vezes. “Já tem figurinha aqui acabando. Depois temos que comprar mais. E hoje não tem tanta facilidade para entrar em contato com a distribuidora. Mas precisarei de outras caixas”.

A reclamação é em relação à troca no fornecimento, uma vez que a Infloglobo – dos jornais O Globo e Extra – centralizou a distribuição nas bancas. Mas a opção paralela, espalhada nas calçadas do Centro, seja uma opção muito utilizada pelos fãs. “É mais caro, mas eles já pegam logo o que querem. Não tiramos a graça das trocas, nós facilitamos apenas”, finalizou Vanderson.