Copa 2018

Problema há dez anos, "titês" virou a arma do Tite garoto-propaganda

Pedro Martins/Mowa Press
Com Tite, seleção saiu do risco de ausência à condição de candidata ao Mundial Imagem: Pedro Martins/Mowa Press

Danilo Lavieri e Dassler Marques

Do UOL, em Moscou (Rússia)

20/03/2018 04h00

O lançamento de uma campanha publicitária do Banco Itaú na última segunda-feira (19), em rede nacional, traz Tite como estrela e seu inflamado discurso para os brasileiros como principal ingrediente em peça gravada nos vestiários do Maracanã. O treinador acompanha a seleção em Moscou para amistoso contra a Rússia na próxima sexta (23) às 13h (de Brasília). Já no dia 28, visita a Alemanha em Berlim.

O comercial que difunde o rosto de Tite como um dos protagonistas da seleção confirma também a aceitação do discurso dele por parte do mercado publicitário. A peça do Itaú, a exemplo dos patrocinadores Samsung e Cimed, em gravações recentes, valoriza os termos próprios do linguajar do técnico, como a tradicional comparação entre “resultado e desempenho”. Há dez anos, a mesma narrativa era motivo de preocupação por parte do estafe dele e virou até brincadeira no Rio Grande do Sul.

Foi em 2008, quando dirigia o Internacional, que o “titês” foi tratado como chacota por um grupo de torcedores colorados. A equipe fez um ano elogiável, com o título do Campeonato Gaúcho, da Copa Sul-Americana e 129 gols em uma só temporada. É, para o próprio Tite, um dos melhores times dirigidos por ele. Mas a dificuldade em se comunicar era latente.

O ‘gerador de respostas de Tite’ foi um site criado na época e era capaz de devolver qualquer pergunta com uma frase ‘pronta’ do treinador, que era visto como excessivamente técnico e prolixo em suas argumentações. Foi no retorno ao Corinthians, no fim de 2010, que um dedicado trabalho de comunicação, ‘media training’ e aprimoramento para entrevistas fez com que ele passasse a ter maior aceitação por parte de jornalistas e público. Aliado, claro, a vitórias importantes e títulos.

Então, Tite deixou de usar termos mais complicados, como ‘treinabilidade’. A mudança foi também uma reação a um perfil falso no Twitter que criava fases quase incompreensíveis com palavras que integravam o “titês”. Em 2011, ele chegou a dizer que o criador do fake era “um corno, sem vergonha”. Depois, passou a rir de si próprio e tentou ser mais assertivo, pouco a pouco. “Que merda”, riu depois de pronunciar o ‘treinabilidade’ em coletiva. Hoje em dia, sempre introduz com "pergunta tática, resposta tática", para perguntas do gênero, por exemplo. 

Na campanha lançada pelo Itaú, são justamente as respostas de Tite que conduzem os vídeos criados pela agência DM9DDB. As falas foram regravadas e aprovadas pelo próprio treinador, que esperava um discurso fiel ao seu nas propagandas a serem produzidas. O banco, a exemplo da Cimed e da Samsung, também é patrocinador da CBF.

Frases como “nossa coragem e nossa preparação foram maiores”, “nós trabalhamos muito para chegar nesse estágio” e “não tenho condições de assegurar resultado, mas desempenho e trabalhar para isso, sim”, integram a terceira campanha com Tite como protagonista. Todas foram parte de entrevistas coletivas dele na seleção brasileira.

"Foi, com certeza, uma escolha fácil tanto pelo fator liderança quanto pelos valores que o técnico possui", disse Fernando Chacon, diretor executivo de marketing do Itaú.

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