Copa 2018

Pilar de Tite, R. Augusto faz "hora extra", mas é a maior dúvida da seleção

Lucas Figueiredo/CBF
Renato Augusto é um dos pilares de Tite, mas tem oscilado e não tem lugar garantido na equipe titular Imagem: Lucas Figueiredo/CBF

Danilo Lavieri e Dassler Marques

Do UOL, em Moscou (Rússia)

22/03/2018 04h00

A importância de Renato Augusto para Tite e a atual seleção brasileira está quase acima de qualquer suspeita. A vaga do meia na Copa do Mundo já foi publicamente assegurada pelo treinador, mas isso não o impede de começar 2018 como a maior dúvida do time que pega a Rússia na próxima sexta-feira, em Moscou, e a Alemanha no dia 27, em Berlim. A tendência é que ele seja reserva nos dois jogos. 

Se no início da era Tite eram três os 'chineses', a mudança de Paulinho ao Barcelona e a perda de espaço por parte de Gil fizeram com que Renato se mantivesse como o único jogador da Ásia na seleção. A reserva iminente neste momento tem mais a ver com o calendário da China e com testes que o treinador quer fazer no time, mas a queda de rendimento de um de seus pilares também é levada em conta. 

Esse fato mexe com Renato, que tem na consciência profissional um dos pontos normalmente mais elogiados pela comissão. No terceiro ano na China, ele ampliou a equipe de trabalho em Pequim. No fim de 2017, o meia contratou uma cozinheira chinesa especializada no preparo de comidas brasileiras para se juntar ao preparador físico e fisioterapeuta que já o atendem há mais tempo, sob a orientação do fisioterapeuta da seleção, Bruno Mazziotti.

Um grande problema para o meia no momento é a lacuna do calendário chinês. Entre a terceira semana de novembro e a primeira de março, Renato Augusto não participou de nenhum jogo oficial. O Beijing Guoan foi a campo pela primeira vez no último dia 4, e ele chegou à Rússia com apenas três jogos em 2018. Para minimizar o problema, também incorporou um programa próprio de treinamentos e, desde meados de novembro, fez trabalhos à parte, além de participar de amistosos de pré-temporada de seu time. 

Tite quer seu ritmista e vai fazer testes nos amistosos

Pedro Martins / MoWA Press
Imagem: Pedro Martins / MoWA Press

A meta de Renato é, pouco a pouco, recuperar o espaço que teve entre o fim da era Dunga, as Olimpíadas e o começo da trajetória de Tite. Nos seis jogos mais recentes da seleção, ele só jogou 90 minutos uma vez - em outras quatro partidas, foi substituído, e em outra jogou minutos finais. Em alguns desses duelos, o Brasil melhorou sem ele em campo, como na vitória sobre o Equador em Porto Alegre.

Desde que anotou contra o Peru, em novembro de 2016, Renato não fez nenhum gol e não deu nenhuma assistência. A força para chegar à área rival tem sido um dos pontos na queda de produção do meia, que em muitos desses jogos no ano passado atuou mais preso para dar mais liberdade a Paulinho e, circunstancialmente, até para Casemiro. 

Apesar disso, o reconhecimento ao jogador é enorme dentro da comissão de Tite. Renato, em seu melhor nível, é capaz de executar diferentes funções, pelo centro e pelos lados. Tem uma leitura de jogo apurada, e abertura para levar observações diretas ao treinador, que no banco de reservas muitas vezes conversa sobre tática com ele. Aos 30 anos, também é o tipo de jogador que influencia o ambiente de forma positiva pelos exemplos diários, um fator muito valorizado pelo chefe. O papel dele na medalha de ouro olímpica englobou todos esses aspectos. 

Mas diante da Rússia, nesta quinta, Tite deve confirmar a equipe com Coutinho em uma função central, Willian e Douglas Costa pelos lados e Renato, até pela falta de ritmo em 2018, no banco de reservas. Diante da Alemanha na próxima semana, a tendência é por Fernandinho nessa mesma função, e um dos jogadores mais ofensivos que atuam em Moscou como suplente ao lado de Renato.  

A preocupação de Tite nessa posição, chave para o funcionamento do time, aumenta porque os reservas não estão definidos. Nas últimas semanas, ele enfatizou que queria um ou dois "ritmistas", termo designado para aqueles que organizam o jogo e dão passes decisivos.

Por ora, Fred, do Shakhtar, é quem parece mais próximo do Mundial. A lista de quem concorre no setor tem o gremista Arthur, Giuliano, Talisca, Lucas Lima, Diego, Rodriguinho e até mesmo o atacante Taison. É bom Renato Augusto abrir o olho. 

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