Copa 2018

Estudantes contrários à Fan Fest sofreram ameaças, diz líder de movimento

Dmitry A. Mottl/Wikimedia Commons
Universidade de Moscou Imagem: Dmitry A. Mottl/Wikimedia Commons

Daniel Lisboa

Colaboração para o UOL, em São Paulo

23/03/2018 04h00

A proximidade da Copa do Mundo tem deixado muitos estudantes da prestigiada Universidade de Moscou ansiosos. O problema é que, neste caso, o motivo não é futebolístico.

A Fifa e as autoridades russas escolheram exatamente o campus da instituição para abrigar a “fan zone” (ou “fan fest”) da cidade, alarmando alunos que não querem milhares de torcedores assistindo a jogos em telões bem debaixo de seus narizes.

Para alguns estudantes, aliás, pode-se dizer que isso irá literalmente acontecer: a estrutura da “fan zone” será montada bem em frente às janelas de seus dormitórios.

A situação levou alunos a se unirem em torno da causa. Até esta quinta-feira (22), cerca de 13 mil deles já haviam assinado a petição online “stop fan fest near Moscow University Campus" ("Pare a ´fan fest` próxima ao campus da Universidade de Moscou", em tradução livre).

Dmitry A. Mottl/Wikimedia Commons
Universidade de Moscou Imagem: Dmitry A. Mottl/Wikimedia Commons

“As condições de barulho e segurança afetarão severamente as atividades educacionais, de pesquisa e a vida em um campus com 6500 habitantes, 37 mil estudantes e nove mil professores e pesquisadores”, diz o texto que apresenta a petição.

O documento segue com seus argumentos: “faculdades terão que encurtar seus cursos e períodos de provas, pesquisadores serão forçados a tirar folga. Moradores do dormitório sofrerão tanto com o barulho quanto com o risco de despejo. Cidadãos sofrerão com o colapso do transporte causado pela criação de uma área de restrição ao redor de um local que sempre foi aberta ao público. O território verde ao redor da nossa universidade não foi pensado para receber um festival com 25 mil torcedores.”

O “risco de despejo”, no caso, diz respeito a uma possibilidade que já há algum tempo vem alertando os alunos: a de precisarem ceder provisoriamente seus quartos no dormitório para membros das forças de segurança.

Apesar de tantos argumentos, até agora tanto a direção da universidade, quanto autoridades municipais e federais, vêm ignorando a demanda dos estudantes. Para entendê-la melhor, o UOL Esporte conversou com Alexandr  Zamyatin, vereador em Moscou e um dos líderes do movimento pela mudança do local da “Fan Zone”.

Arquivo Pessoal
Alexandr Zamyatin, vereador em Moscou Imagem: Arquivo Pessoal

“É importante deixar claro que não somos contra a ´Fan Zone`. Apenas pedimos que ela seja instalada em um local mais apropriado como o VDNKh, um grande parque ao norte de Moscou”, explica Zamyatin.

O vereador, ex-estudante da Universidade de Moscou, conta que muitas organizações estudantis ficaram ao lado da reitoria da instituição, que ignorou a questão por muito tempo até alegar, agora, que não é mais possível mudar a “Fan Zone” de lugar.

“O maior problema até agora tem sido a grande resistência por parte da administração da universidade. Coletamos milhares de assinaturas em uma petição para o reitor, mas, ao invés de diálogo, recebemos ataques”, reclama Zamyatin.

“Alguns estudantes foram ameaçados de expulsão ou despejo, e os responsáveis por algumas faculdades chamaram nosso grupo de criminoso, forçando estudantes a retirarem as assinaturas da petição”, revela o russo.

Zamyatin vai mais longe e acusa veículos de imprensa pró-governo de publicarem “falsos artigos” sobre o movimento e seus protestos. “De qualquer modo, desistimos de tentar algo diretamente com a reitoria. Agora, vamos falar diretamente com o governo e a Fifa.”

Assim como fez questão de dizer que não é contra a “Faz Zone”, o ex-estudante da Universidade de Moscou lembra que não há um sentimento generalizado contra a Copa do Mundo em si. “Ao contrário. Muitos estudantes estão felizes como evento. Temos uma enorme liga de futebol universitário e milhares de fãs do esporte entre os alunos.”

Zamyatin também não poupa críticas a Vladimir Putin, recém-reeleito presidente da Rússia com 76,7% dos votos. “O governo tem tentado encobertar os baixos salários e as estruturas precárias (da área educacional) com pagamentos feitos de uma só vez”, diz o vereador.

“Na véspera destas eleições, por exemplo, vários integrantes da administração da universidade receberam subsídios consideráveis. Todos entendemos, porém, que esta não é a solução”, diz Zamyatin. “Quando um vice-reitor tentou proteger, em fevereiro, o silêncio do reitor citando Putin, muitos estudantes responderam com risadas. Para eles, Putin não é uma autoridade.”

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