Copa 2018

Há 10 anos no Leste Europeu, Luiz Adriano vive como rei e imune ao racismo

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Luiz Adriano comemora gol marcado pelo Spartak contra o Zenit Imagem: Getty Images

Dassler Marques

Do UOL, em Moscou (Rússia)

25/03/2018 04h00

O elevador que leva ao 52º andar da Imperia Tower, no centro comercial de Moscou, sobe como um foguete pelo moderno e luxuoso edifício onde, entre hotel, escritórios e apartamentos enormes, vive Luiz Adriano sob total conforto. Reserva no título mundial do Internacional em 2006, o centroavante de 30 anos é uma das principais estrelas do futebol russo e está prestes a completar uma década, ao todo, de Leste Europeu. 

Em uma das duas espaçosas salas que preenchem sua casa, e onde recebeu o UOL Esporte para uma entrevista exclusiva, Luiz vive um universo particular. Duas profissionais locais, ao mesmo tempo, cuidam das trancinhas que ele vai estrear em alguns minutos para um programa da televisão russa. Ele é o principal jogador da equipe mais popular do país, e coloca em prática muito do que aprendeu na Ucrânia, onde fez história pelo Shakhtar Donetsk. Por perto, também tem um amigo que toca instrumento musical e uma empregada russa. 

Dassler Marques/UOL
Apartamento onde vive Luiz Adriano tem uma das melhores vistas de Moscou Imagem: Dassler Marques/UOL

Se teve pouco tempo no Brasil e poucos minutos pelo Milan, em que atuou por uma temporada, na Rússia goza de prestígio por ter ajudado o popularíssimo Spartak a conquistar a liga local após 16 anos de jejum. Coadjuvante na chegada, ele virou protagonista nos últimos meses, disputa a artilharia da atual temporada e fez com que Tite precisasse responder à imprensa local se ele poderia entrar nos planos em algum momento - não parece possível por ora.

Com a melhor vista de Moscou à disposição e em meio a quadros e souvenires que contam sua história nos gramados, ele explicou como é a vida na capital da próxima Copa do Mundo. Verdadeiramente uma estrela local, está imune até mesmo ao racismo na Rússia. 

Confira as respostas de Luiz Adriano ao UOL Esporte:

Em casa no Leste Europeu
Na questão de adaptação fui bem recebido pelos companheiros [da Rússia]. A cultura é a mesma coisa da Ucrânia...a língua, a comida, o frio, é a mesma coisa. Me adaptei super rápido e vivo um momento muito bom dentro do Spartak. Agradeço muito pelo acolhimento que tive do pessoal do clube para me adaptar na Rússia. O futebol em si é diferente da Ucrânia, então isso me ajudou bastante. Foram oito anos no Shakhtar, então a língua é tranquila. Falo bastante coisa, consigo me virar sozinho no russo.

O maior clube russo
É completamente diferente [do Shakhtar,] porque o tamanho da Rússia para a Ucrânia e os torcedores que o Spartak tem é algo imenso. Se jogamos fora de casa, sempre tem bastante torcida nos apoiando. Em Kazan, no último jogo que fizemos, era absurdo. Tinha mais torcedor nosso que do dono da casa [Rubin]. Nossa torcida é incrível. É como a torcida do Internacional, é o time do povo [risos].

Sem amizade com os brasileiro que defendem a Rússia
O Mário Fernandes e o Guilherme fizeram a escolha deles de atuar pela seleção russa. Eu respeito a opinião, a escolha de jogarem pela Rússia. Eu os cumprimento nos jogos, mas sair para jantar, essas coisas, nunca aconteceu. Uma relação de amizade, de fazer outras coisas, nunca aconteceu. A cidade é grande, então é muito difícil de se encontrar.

O racismo não atinge uma estrela local como Luiz

Dassler Marques/UOL
Decoração da casa de Luiz é repleta de quadros e souvenires de sua carreira Imagem: Dassler Marques/UOL

O episódio [leia abaixo] foi apenas uma brincadeira. A pessoa que fez isso é uma pessoa excelente, que brinca com todo mundo, que gosta de mim e dos outros brasileiros. Comigo, ainda não aconteceu nada de racismo e espero que não aconteça. Claro, pode ter acontecido com outras pessoas, mas com certeza [o fato de ser um jogador de destaque] me ajuda bastante a ficar distante disso.

NR.: Em uma postagem, o Spartak mostrou jogadores brasileiros em meio a exercícios e disse 'chocolate derretendo no sol', o que revoltou seguidores. 

Tite olha para a liga russa?
Nunca conversei com o professor Tite, mas penso que com certeza ele observa todo mundo. Procuro fazer meu trabalho para eu não me desfocar dos meus objetivos, que é sempre buscar a seleção. Ele também tem as opções dele, e eu tenho que concordar, pois ele é quem faz a avaliação. Que ele possa ver meu melhor e me dar uma oportunidade.

Jogou um período com Dunga
Fiz uma avaliação boa sobre ter vestido a camisa do Brasil. Eu realizei o sonho de vestir a camisa da seleção principal, porque tinha jogado na base. Foi muito bom ter jogado. Fui ao Milan, e teve uma grande pausa depois disso porque não tive a sequência como havia tido no Shakhtar. Talvez, por isso, não tive uma boa oportunidade com o Dunga.

NR.: Luiz Adriano recebeu convocações após a Copa do Mundo de 2014, mas não se firmou no grupo

Atletas do Shakhtar na seleção é justo

GLEB GARANICH / REUTERS
Luiz Adriano defendeu o Shakhtar por oito anos Imagem: GLEB GARANICH / REUTERS

Se você parar para ver os jogos que o Shakhtar fez na Liga dos Campeões, a qualidade que os brasileiros e os ucranianos do time têm...eles têm todo mérito e qualidade para representar a seleção. Não é porque estão na Rússia e Ucrânia que não vão receber as oportunidades. São jogadores que demonstram para o mundo que têm toda condição de defender a seleção.

Fator chave para a adaptação à Ucrânia
Eles tiveram uma base muito boa com um treinador, que é o Lucescu, que levou todos. Ele gostava muito dos brasileiros, sabia a forma do brasileiro trabalhar e isso ajudou quem chegou lá. Quem saiu do Shakhtar está hoje em grandes equipes, em seleção, e a base que ele passou dentro do clube foi fundamental para isso.

Lucescu é um verdadeiro professor
Ele me ensinou tudo que sei no futebol, como jogador e pessoa. Em todas as entrevistas, agradeço a ele por ter me ensinado, por ter tido paciência, por me demonstrar o certo e o errado, a forma de eu me movimentar...na minha carreira, ele é fundamental, e sempre vou agradecer tudo que ele fez por mim. Me ensinou como homem também. Lucescu é é uma pessoa clara. Se não gostou de ti, vai explicar o porquê. Ele sempre tem uma explicação do que ele acha de ti. Sempre foi bem claro com todo mundo.

Fred, figura fundamental no Shakhtar
Ele é um jogador muito tranquilo. Ele tem uma grande qualidade no pé esquerdo e sempre tem movimentação, tem tranquilidade. O Shakhtar de hoje passa sempre pelo pé dele. Só assim para que as jogadas aconteçam.

Pato, o amigo que não conseguiu jogar uma Copa do Mundo
Ele teve uma questão de problemas musculares dentro do Milan e isso atrapalhou bastante. O restante não sei explicar porque é coisa dele, só ele pode dizer. Isso prejudicou bastante no Milan, afinal ele perdeu a Copa de 2010 por causa dessas lesões. Pato tinha e tem talento para ir longe, porque é um jogador jovem, tem talento para voltar à seleção e ir para um grande clube.

NR.: Pato hoje tem 28 anos. 

Não falta ambição a Pato
Nós ainda conversamos, sim. Eu acho que não é falta de ambição. As lesões é que o prejudicaram. Se fosse falta de ambição, ele não faria os gols que faz na China. Todos possuem ambição e muitos outros jogadores foram para a China.

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